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Newton Jayme
Coleção de Frases e Pensamentos de
Newton Jayme
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“
Cérebro cheio.
Saudade agitada.
Cérebro cheio,
saudade em fúria.
”
―
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“
Na ausência,
tudo fica distante,
menos seu rosto.
”
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“
Hoje abri a janela na hora errada.
A alma buscava calmaria.
Esperei o sopro manso da paz.
Porém o céu mudou de repente:
pela janela aberta da vida
entraram tempestade e ventania.
”
―
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Hoje abri a janela na hora errada;
onde esperava calmaria,
encontrei tempestade e ventania.
”
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Hoje abri a janela na hora errada;
em vez de calmaria,
entraram tempestade e ventania.
”
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Depois do beijo e do amor,
tornamo-nos imortais um para o outro.
”
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ALMA GÊMEA
Alma gêmea,
fica em mim, não vai embora,
me costura por dentro agora,
faz morada no meu peito aberto.
Alma gêmea,
se eu me perco, me encontra,
se eu me quebro, me monta,
és meu avesso mais certo.
Volta pra mim —
como o mar chama a lua,
como a noite chama a rua,
como eu chamo você.
Alma gêmea, alma minha,
me devolve a direção,
cola os cacos do meu peito,
faz pulsar meu coração.
Alma gêmea, não demora,
vem morar dentro de mim,
se eu sou metade do sonho,
você é começo e fim.
Alma de minh’alma,
vento que sopra em mim,
és o milagre da calma
depois do quase sem fim.
Alma de minh’alma,
porto depois do mar,
se antes eu era pedaço,
hoje aprendi a amar.
Alma gêmea,
és maré que desaprende o cais,
vento que inclina meus ais
pro azul mais fundo do impossível.
Alma gêmea,
teu nome é sol submerso,
um eclipse no meu verso,
meu avesso indivisível.
Se eu fui estilhaço no tempo,
teu sopro me fez constelação —
agora meu peito é relâmpago lento
clareando a escuridão.
Alma de minh’alma,
vento que sopra em mim,
és o milagre da calma
depois do quase sem fim.
Alma de minh’alma,
porto depois do mar,
se antes eu era pedaço,
hoje aprendi a amar.
”
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O amor é medida e caminho,
exemplo em cada gesto silencioso.
Não cultiva sombras,
não arquiva mágoas no peito —
é fonte que corre limpa,
mesmo quando a ferem.
Se mil vezes for afastado,
mil vezes retorna,
não por insistência cega,
mas por essência generosa.
Ele sabe perdoar como quem respira,
recomeçar como quem amanhece,
refazer a vida
e reescrever a história
com mãos de esperança.
O amor não se cansa de ser ponte,
nem desiste de ser abrigo.
Está sempre à porta,
paciente como a luz
que espera a janela se abrir.
Basta o nosso aceite —
um sim sincero,
e ele floresce outra vez.
”
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ÁSPERO ABANDONO
A tarde cai no quarto desmedido,
na rua explode um coro descontente;
o rádio sangra um verso reincidente
que fere o pó suspenso e ressentido.
O mundo passa áspero e ferido,
rasgando o céu em lâmina inclemente;
e bate à porta um mal antigo, urgente,
feito um rumor de culpa já sabido.
Arrumo a mesa: o caos retorna inteiro;
nas frestas sopra um vento de outono,
que move a sombra tênue do candeeiro.
Lá fora a noite melancólica e sem sono;
cá dentro um mar revolto, traiçoeiro,
desata em mim seu áspero abandono.
”
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SONETO DO RUÍDO E DA CHUVA
No quarto a tarde em cinza se recolhe,
na rua um grito estala no cimento;
o rádio cospe um resto de lamento
que a luz, cansada e oblíqua, mal acolhe.
O dia, sujo e turvo, não se escolhe;
desfila em sirenes contra o vento;
e traz no peito um áspero tormento
que em cada gesto trêmulo se colhe.
Arrumo a mesa, em vão componho o espaço,
mas volta o pó, suspenso na memória;
reviro papéis, desfaço o embaraço.
Lá fora a noite escreve a sua história;
cá dentro um temporal mede o compasso
e rompe, mudo, as tábuas da euforia.
”
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SONETO DO AVESSO
No quarto em desalinho a tarde emudece,
a xícara encardida guarda um resto de hora;
na rua, um coro rouco se entorna e me oferece
um mundo que desanda e outro que me devora.
Há sirenes no asfalto e um rádio que padece
cantando um velho amor que a esquina não decora;
no peito, um passo em falso insiste e não me esquece,
feito dívida antiga que a memória cobra.
Eu varro o pó da sala — ele volta em redemoinho —
como voltam as vozes que jurei deixar no fundo;
ordeno os livros, mas tropeço no caminho.
Lá fora o céu desaba em notícias sobre o mundo,
cá dentro um temporal me arrasta de mansinho,
e chove em cada gesto um medo sem segundo.
”
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CAOS INTERIOR E CAOS EXTERIOR
A rua grita sem saber meu nome.
Os carros passam como pensamentos febris —
nenhum chega a lugar algum,
mas todos fazem barulho suficiente
para fingir destino.
Dentro de mim
há uma escada
em espiral que não termina.
Desço.
Sempre desço.
E a cada degrau encontro uma versão minha
que jura ser a última.
O mundo lá fora desaba em manchetes,
em sirenes,
em rostos que aprenderam a sorrir
como quem paga imposto.
Mas o verdadeiro desmoronamento
acontece no silêncio entre
duas batidas do meu coração —
ali onde ninguém aplaude,
onde ninguém culpa.
Dizem que o caos
é falta de ordem.
Mentem.
O caos é uma ordem tão complexa
que humilha nossa necessidade de sentido.
Há noites em que quase
compreendo tudo —
a injustiça,
o desejo mesquinho,
a piedade que brota tarde demais.
E essa compreensão me enoja.
Porque entender não redime.
O caos exterior é feito de homens
que gritam verdades
como quem vende peixe.
O interior é feito de sussurros
que não ousam virar palavra.
E no entanto,
sou cúmplice dos dois.
Carrego guerras que nunca lutei,
culpas que inventei para não encarar as reais,
e uma estranha ternura
por aquilo que me destrói.
Se houvesse um juiz,
talvez eu pedisse condenação.
Não por justiça —
mas por descanso.
Porque o caos
não é tempestade.
É vigília.
E eu continuo acordado.
”
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HORIZONTES
Eu vou até onde meus dias me levarem,
sem apressar o passo,
sem temer a curva inesperada do caminho.
Sigo com o tempo pousado nos ombros
como quem carrega o próprio destino
em silêncio.
Cada amanhecer me empresta um rumo,
cada entardecer me ensina a deixar ir.
Não forço o vento,
não discuto com as marés —
aprendi que a vida se revela
aos que caminham.
E quando meus passos tocarem
o limite invisível das horas,
não haverá fim.
De lá,
o horizonte não será distância,
nem linha que separa céu e chão.
Será abertura.
Será luz derramada além do olhar,
campo infinito onde o agora
se expande em eternidade.
E eu,
que fui caminho enquanto andava,
serei vastidão.
”
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Eu vou até onde meus dias me levarem;
de lá, o horizonte se amplia em eternidade.
”
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Sigo até onde meus dias alcançam.
Depois, o horizonte não termina —
expande-se em eternidade.
”
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Caminho até onde o sopro
dos meus dias me levar.
E lá, onde o tempo parece cessar,
o horizonte deixa de ser linha
e se derrama em eternidade.
”
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FÉ MENINA
A mulher acorda antes do universo
e acende o dia com o corpo
ainda em sonho.
Não faz anúncio
do que sustenta —
põe água no fogo,
organiza o invisível,
e o mundo começa.
Há uma coragem que não grita.
Ela passa roupa, passa raiva,
passa a mão no próprio medo
como quem diz: “fique manso”.
Depois atravessa a rua, a vida,
com a dignidade de quem carrega
feira e destino no mesmo braço.
Suas conquistas não pedem palco.
São miúdas e imensas:
um diploma guardado entre receitas,
um salário que paga o gás e a esperança,
um “não” dito na hora exata
como quem fecha a porta ao que não presta.
Reza enquanto lava o quintal,
mas também duvida —
e nessa dúvida há fé suficiente
para mover a semana inteira.
Sabe que o erro existe,
mas não se ajoelha a ele;
aprende, respira, continua.
Quando ri, ilumina o azulejo gasto.
Quando chora, não é fraqueza —
é excesso de humanidade.
A mulher faz do cotidiano
um território sagrado
sem precisar nomear milagre.
E no fim do dia,
quando se senta
com os pés cansados,
há uma grandeza discreta
em seus ombros:
ela não salvou o mundo —
mas o manteve vivo.
”
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A mulher sustenta o mundo com a força serena de suas conquistas, mas muitos olhos ainda se fixam nas falhas, como se nelas estivesse toda a verdade. Transformam deslizes em sentença, esquecendo que é da mesma carne que nascem a coragem, a inteligência e a reinvenção. O erro é ruído; a grandeza, quase sempre, é silêncio.
”
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“
A mulher carrega no mundo o brilho de suas conquistas, mas a atenção masculina se prende aos deslizes, como se sombras falassem mais alto que a luz. Enquanto o erro pesa e limita, a coragem e a graça caminham silenciosas, quase imperceptíveis.
”
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Paixão dá voz ao poeta;
compaixão dá vida ao cristão.
”
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“
Sem paixão, o poeta é sombra;
sem compaixão, o cristão é pedra.
”
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Perdida a juventude,
a eternidade já se anuncia
à soleira do tempo.
”
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Amar é o padrão que ilumina o evangelho;
quem dele se afasta, cai na esterilidade:
macieira sem frutos, fé que não respira.
”
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A saudade a gente cria no peito;
a decepção, deixa ao léu.
Talvez por isso repita
o tropeço
como quem chama
o mesmo céu.
”
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Se a gente tratasse a decepção
com o mesmo zelo
com que afaga a saudade,
talvez não reincidisse
no erro antigo
com roupa de novidade.
”
―
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Newton Jayme
Membro desde:
12/03/2013
Frase do Dia
“
As ações são corretas na medida em que tendem a promover a felicidade, erradas na medida em que tendem a promover o reverso da felicidade.
”
—
Stuart Mill
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