Frase de Newton Jayme

Frase adicionada por Newton-Jayme em 12/03/2026


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No morro das vozes antigas
um homem falou sozinho,
porque o povo já tinha escolhido
um rei de caminho curtinho.

Chamaram primeiro a oliveira:
— Vem cá governar nosso chão.
Ela limpou as mãos de azeite:
— Tenho outra ocupação.
Tem ferida pedindo cuidado,
tem lâmpada pedindo clarão.

Chamaram depois a figueira:
— Vem ser dona da direção.
Ela riu com a boca de açúcar:
— Meu trabalho é dar estação.
Tem menino subindo em galho,
tem passarinho em mutirão.

Chamaram também a videira:
— Vem mandar na plantação.
Ela disse baixinho, cantando:
— Eu faço é vinho e canção.
Quem alegra mesa de gente
não tem tempo pra coroação.

Mas lá no canto do caminho
morava um tal de espinheiro,
magro, cheio de discursos,
sem fruto no paradeiro.

— Se quiserem minha sombra
venham todos se encostar.
Mas se for brincadeira de rei
meu fogo vai se espalhar.

E o povo bateu palmas,
porque espinho fala bonito.
Promete sombra ligeira
pra quem nunca viu fruto.

E o homem lá no monte
viu o tempo se repetir:
quando árvore boa se cala
é o mato que aprende a subir. (Newton Jayme)
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A palavra foi dada ao homem para explicar os seus pensamentos, e assim como os pensamentos são os retratos das coisas, da mesma forma as nossas palavras são retratos dos nossos pensamentos.

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