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Frases dos usuários do KD Frases


Maria Luz
Cresci num lugar onde o meu papel desde novinha era mais de cuidadora de irmãs, de empregada que tinha que limpar, lavar, arrumar, cozinhar, estar sempre ao dispor de e para tudo... Era um meio de trabalho, não uma criança que tivesse o seu tempo para brincar e aproveitar ao máximo, e se me dessem um pouco desse tempo, eu tinha sempre que cuidar de alguém ou fazer alguma coisa... Talvez, por isso nunca sentisse aquele lugar como a minha casa, mas sim como um lugar onde era apenas uma a mais que só era precisa para lavorar ... E fazendo tudo o que me obrigavam e mandavam, sentia-me sempre culpada por tudo o que tivesse dado errado e até o que estava certo... Vivia em constante stress emocional e psicológico... Sempre com receio de um movimento mais brusco no meu rosto, ou palavra que marca a alma para sempre ... Nunca tive o meu espaço, o meu próprio lugar... Sentia-me horrível, e pedia a Jesus que me aliviasse a angustia ... Também tive alguns momentos agradáveis, poucos na verdade, mas existiram, mas mesmo nesses momentos, as minhas mãos, o meu corpo físico tinham sido precisas ... O meu trabalho estava lá ... Naquele lugar tive muito sofrimento, muito choro, muita angústia, revolta e vontade enorme de sair daquela casa , lugar para o mundo, onde eu importasse, contasse para alguém... Onde eu fosse vista como alguém que contava ... Desejava de todo o meu coração poder ter meu espaço e ser livre, e por isso, um dia cansada e sem mais tempo para continuar angustiada, ganhei coragem, tive fé em mim, levantei voo e saí pela porta, de cabeça muito erguida, pois tinha feito tudo o que me haviam obrigado a fazer, sem sequer me perguntarem se eu queria e muito menos me agradecerem... Anos mais tarde, moro na minha casa, que é um lugar com dias de alegria e risos, onde se constrói a felicidade diariamente e ninguém serve ninguém, todos nós nos apoiamos, ajudamos e cuidamos uns dos outros...

12/06/1993

Newton Jayme
DITADURA NUNCA MAIS

Vieram de madrugada,
sem tocar a campainha.
Trouxeram mapas,
listas,
medo em papel timbrado.
E chamaram de futuro
o barulho seco
que fizeram na porta.

Nas escolas, apagaram nomes.
Nos jornais, cortaram palavras.
Havia uma sombra sentada
em cada mesa de jantar,
e um país inteiro
aprendendo a falar baixo.

Quem discordava sumia.
Quem perguntava, apanhava.
Quem escrevia,
rasgava o próprio verso
antes que a noite chegasse.

Mas havia sempre alguém
guardando fósforos no bolso,
um estudante,
uma mãe,
um operário,
um padre,
uma mulher na janela
decorando rostos
para que ninguém fosse esquecido.

É preciso lembrar sempre,
para o escuro não voltar.
Toda vez que a farda manda,
a liberdade vai sangrar.
Quem faz do medo um governo
faz da pátria uma prisão.
Grava fundo, em cada peito:
ditadura nunca mais.

Não foi ordem.
Não foi paz.
Foi um país amordaçado
olhando o próprio retrato
sem conseguir se reconhecer.

Disseram: “era preciso”.
Mas também diziam isso
as grades,
os porões,
os passos na escada
às três da manhã.

E ainda há quem confunda
silêncio com harmonia,
quando o silêncio, às vezes,
é só o grito
sem lugar para nascer.

É preciso lembrar sempre,
para o escuro não voltar.
Toda vez que a farda manda,
a liberdade vai sangrar.
Quem faz do medo um governo
faz da pátria uma prisão.
Grava fundo, em cada peito:
ditadura nunca mais.

Se um dia outra vez vierem
embrulhados em bandeiras,
pedindo que a memória cale,
responde alto, nas ruas:
ninguém entrega o amanhã
para quem roubou a voz de ontem.

É preciso lembrar sempre...