Coleção de Frases e Pensamentos de Marcelo Monteiro


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Marcelo Monteiro
TRISTEZA.

Há uma tristeza antiga, obscura e fria,
que desce sobre a tarde, lentamente,
como um sino perdido, cuja agonia
se dissolve no espaço inutilmente.

Não sei de onde ela vem, talvez do chão
onde repousam mortos esquecidos,
ou desse imenso e fúnebre sertão
que guarda os sonhos todos sepultados.

A noite cresce. O céu, desabitado,
derrama sobre a terra um véu profundo;
e o vento, entre os ciprestes fatigados,
parece prantear o fim do mundo.

Há vozes que não chegam aos meus ouvidos,
mas vivem na penumbra da memória;
são nomes, rostos, amores já perdidos,
cinzas errantes de uma antiga história.

E a lua, espectral, sobre o ermo,
contempla a solidão dos caminhos;
seu clarão parece um olhar enfermo
vagando entre sepulcros e espinhos.

Oh, morte! Tu, silenciosa soberana,
que igualas rei, mendigo, sábio e incréu,
quando recolhes a matéria humana,
que abismo abres entre a Terra e o céu?

Talvez sejamos apenas poeira
levada pelo vento dos destinos;
talvez a alma, eterna forasteira,
atravesse outros mundos e caminhos.

Mas hoje, não. Hoje somente a dor
me fala ao coração com voz soturna;
e até o próprio silêncio, ao meu redor,
parece ter saudade da vida diurna.

Se há depois da morte alguma aurora,
se existe além do túmulo outra estrada,
que a alma encontre aquilo que implora
quando a existência termina desolada.

Enquanto isso, permaneço junto ao nada,
ouvindo a noite em sua imensidão;
e, sobre a terra fria e abandonada,
deposito uma lágrima, e uma oração.

Porque a tristeza, quando é verdadeira,
não grita, não suplica, não reclama:
é como uma árvore derradeira
que morre lentamente dentro da alma.

Marcelo Monteiro
A PRIMEIRA CARIDADE.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Se nunca estendeste a mão ao desvalido,escuta o que o silêncio tem para dizer:há um reino invisível, augusto e escondido,que somente o amor consegue entrever.

Não julgues caridade como um gesto de grandeza,nem moeda lançada ao acaso, por piedade;é muito mais que esmola, aparência ou nobreza:é repartir de si mesmo a própria humanidade.

É ver, no rosto alheio, o espelho da existência;é compreender que a dor não escolhe condição;que o pobre e o poderoso, em muda contingência,sangram o mesmo sangue sob o mesmo coração.

Caridade é um olhar que devolve o horizonte,quando a esperança dorme à beira do abandono;é ser humilde fonte a dessedentar a fronte de quem fez do sofrimento o seu mais longo trono.

É visitar o enfermo sem prometer milagres;é ouvir o aflito sem cansar-se de escutar;é converter as mágoas em discretos altares,onde a paz aprende, enfim, a germinar.

É perdoar primeiro quando a injúria floresce; calar o orgulho, enquanto o amor toma a palavra; pois toda alma que perdoa silenciosamente tece uma coroa que nenhum tempo deslavra.

Não perguntes quem merece teu afeto ou teu cuidado; o sol não escolhe os campos onde espalhar claridade.Também o coração nasceu predestinado a iluminar sem cálculo: eis a bula, caridade.

Talvez não possuas ouro, palácios ou fortuna; talvez teus próprios dias conheçam solidão; ainda assim, há uma riqueza mais oportuna: oferecer ternura com a sinceridade de irmão.

E descobrirás, então, num júbilo profundo,que quem socorre o outro também se recompõe; porque o amor, quando cresce para aliviar o mundo,ergue primeiro aquele que o dispõe.
Assim, se hoje ignoravas essa divina ciência, leva contigo apenas esta singela verdade: nenhuma vida empobrece quando reparte a essência; todo coração que ama se multiplica para eternidade.

Marcelo Monteiro
Marcelo Monteiro

Membro desde: 06/02/2023

Biografia: Autodidata, escritor, expositor, musicista, historiador, livre Pensador. Fundador e participante de diversos pontos culturais de sua cidade. Manhumirim - MG.

Frase do Dia

Sou a favor do costume de se beijar as mãos de uma mulher quando somos apresentados. Afinal, é preciso começar por algum lado.

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