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Bernardino Bernardo
Coleção de Frases e Pensamentos de
Bernardino Bernardo
122 frases
“
PRECISO DORMIR
Ainda vivo como quem vive sem risos.
Como quem já viveu todas as vidas num só momento.
Porque, quando olho em mim, só vejo um homem cansado que precisa dormir.
Preciso dormir.
Sem dúvida alguma que quero tudo,
como alguma vez desejei só um minuto.
Mas, contudo, eu preciso dormir.
A minha consciência está mui exausta.
O cansaço me definha lentamente, sem piedade, com sensações maléficas.
Sinto-me como uma jumenta fatigada, pois a sua viagem foi por terras longínquas.
Quero dormir.
Mas onde dormir?
Onde quero dormir?
No sótão?
Onde as velhas ferramentas do passado não esquecido estão guardadas?
Ou no estábulo?
Com os meus cavalos roncando?
Talvez seja no quintal ao lado.
Ao lado do quintal onde enxergo melhor o céu estrelado.
Sensações excêntricas pairam perante os meus olhos cansados.
E eu não as vejo, apenas as sinto com os meus olhos fechados.
Quando se dorme de verdade?
Sem vozes, sem pensamentos fúteis, apenas dormindo como quem pensa só com os olhos abertos.
Meu Deus!
Nessa noite escura,
que os sonhos se escandalizem de mim.
Que os pesadelos se arrepiem e morram.
Porque preciso dormir.
Apenas dormindo como um bebê nos braços da mãe, como se o amanhã viesse, mas não amanhã, talvez depois de amanhã.
Porque o sono que está nos meus olhos está em dobro.
”
―
Bernardino Bernardo
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“
JÁ FAZ TEMPO
Que não dou as mesmas gargalhadas como na infância.
Já faz tempo que não me lembro da última vez que caí da árvore abaixo por causa de uma manga.
A minha mocidade, internada na minha consciência como as lembranças de quem pensa,
leva-as nas trilhas da vida e pede aos dias vindouros que as lamentem.
Correr já não corro.
Não pulo, apenas sigo cada degrau da escada abaixo.
Já não me importo com as borboletas e nem faço castelos arenosos.
Não vou a festas, nem jogo, nada me arranca o sorriso do nada, porque as mãos da minha mãe sentem um peso enorme de me fazer cócegas.
Sou um velho adulto menos infeliz.
Já não choro por falta de amigos.
Nem corro nos braços da mamãe, entristecido, sem motivos.
Com rosto tristonho e desejos ambíguos.
Era pura felicidade na noite escura; os abraços da mamãe eram abrigo.
Tinha-me todo, e eu a tinha toda.
Não me lembro de ter chorado sem ser consolado por ela.
O amor dela era uma janela por onde eu espreitava o céu e via flores belas.
Faz tanto tempo
que até o tempo circula em minha volta e eu não vejo.
Como não sei, só sei que faz tempo que não sinto o mesmo.
”
―
Bernardino Bernardo
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“
EU
Eu sou a luz dos meus pesadelos na noite escura e tenebrosa.
Eu sou o mar ondulante entre as praias do que sonhei de mim.
Não sei sentir...
E nem sei se sinto ou não.
Só sei que derramo lágrimas no vale e choros na montanha que escondo dentro de mim.
Se sou infeliz ou feliz, isso é natural, porque sou carbonático.
Eu considero a tristeza como a felicidade num momento impróprio.
Dou gargalhadas no abatimento do meu fracasso e desespero.
Eu amo isso... mas, às vezes, abomino, porque é insuportável.
Nasci no berço de lágrimas que a minha mãe derramou na sua feliz tristeza.
Vivo com elas dentro de mim como o meu irmão gêmeo não nascido.
Eu não sou nada, muito menos ninguém... além de uma planta tentando dar frutos dignos.
Eu me olho nos meus olhos e me vejo dentro deles como qualquer um.
Um ser falho, miserável, que luta para ser bom; talvez essa seja a única diferença.
Eu não sou forte como muitos me pintam; só Deus conhece o eu que está em mim.
Tenho sede dele mais do que qualquer homem que já viveu debaixo da terra.
Eu sou o filho da desobediência, renascido como o filho da obediência por Cristo.
Sempre que falo isso, derramo lágrimas na conta dos rios, montanhas, ventos e de tudo aquilo que chora e que ninguém vê.
Quem sou?
E quem fui?
Nem sei...
Ah, meu Deus...
Tenho tantas saudade daquele que nunca fui, mas desejo ser...!
”
―
Bernardino Bernardo
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“
NÃO SOU PESSIMISTA, SOU MENOS MENTALISTA.
Não me faça de uma planta absinto,
nem pintem os meus desejos nos céus cinzentos.
O incerto demandou-me na bonança do meu silêncio.
Foi o meu galho cortado em pedaços desonestos.
Não me senti rejeitado, senti-me reencontrado.
Certa vez, um amigo meu caiu sobre as lamas repugnantes; eu não tive náusea, estendi a mão e o levantei. Magoou-me, mas o perdoei. E o outro amigo zangou-se comigo, e eu zanguei-me, mas também passou.
Subi ao assoalho para acender a lareira que estava dentro de mim, e a raiva vazou.
A vida me ensinou que nem tudo é para mim.
Nem tudo que tive foi para estar ao meu lado eternamente.
Há coisas que se vão e vêm como se viessem, e se vão como se não fossem.
Aprendi a deixar o passado como o sol deixa o dia.
Já não choro pelas perdas nem sinto agonia pelas derrotas.
Cada perda é uma experiência.
O passado já não me importa, o futuro menos me importa, e o presente não desejo viver tanto.
Minha ambição é única: viver em simbiose com Jesus Cristo. O resto é vaidade que escorre pela minha consciência.
São desejos impuros.
Odeio a convicção antiga das palavras.
Quem atira pedra primeiro destrói a sua muralha.
Não sou pessimista, sou mentalista.
Sou quem olha e não diz nada.
”
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“
INCENSO NA LÍNGUA FRAUDULENTA
Ela precisa ser feita de olíbano e mirra.
Para emendar os seus erros como o gonzo segura a porta quebrada.
Língua coscuvilheira que afoga no ribeiro das suas palavras.
Curta como a raposa, mais venenosa que a serpente.
Que furta a verdade e a esconde em trajes de suas mentiras.
Livra-me, Deus, dessa linguareira.
Faço incenso até o cheiro chegar nas janelas de suas narinas.
Cubro os meus lábios com verdade, para que as fábulas se sintam excomungadas.
Não quero o mar ondulante nos meus lábios, não desejo peçonha nas minhas palavras.
Que desvaneça todos os discursos torpes nesse incenso.
Achego-me a ti com lágrimas de arrependimento.
Me entrego por completo nessa banheira de bronze que o perdão prega-se no meu peito.
Não desejo voltar ao mesmo lodo.
Purifica-me como as nuvens na queda das neves.
O órfão chora por pão, e a viúva suplica por marido.
Eu ando acabrunhado necessitando da purificação.
Ouve-me, Senhor!
Os meus rivais meneiam a cabeça atrás de mim, me fazendo lembrar do meu passado fraudulento,
que vivi dissipadamente, como o nada que era nada.
”
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INSÔNIA
Te escrevo esta carta nesta noite fria e congelante.
Não consigo dormir como antes.
Sinto um frio de solidão e saudades.
Apaguei a lareira e todas as luzes de vela, porque estou perto da lua minguante.
Cada segundo sem te ver é uma eternidade.
É desagradável quando o sol nasce apenas uma parte.
Apenas uma parte.
Porque a outra parte eras tu que completava antes,
com o teu olhar leve e um sorriso viciante.
Eu sei que não vais ler esta carta.
Não me faz mal!
Você sabe o lugar onde guardo as minhas lágrimas:
é nas palavras tristonhas e amargas.
Estou cansado, estou farto e pesado, sinto-me fatigado e preciso dormir, mas não posso.
Porque o meu descanso depende dos teus braços.
Há um sono que vem defronte da minha janela; não é sono de dormir.
É um convite das estrelas para as nuvens de lembranças do passado que não se pode remir.
Às vezes, enquanto durmo a sorrir, lembro-me da diferença entre rir e sorrir:
que os teus lábios se debruçaram uma vez, quando sorrias, e eu pensei que rias.
Quando os segundos passam silenciosamente toda a noite até o amanhecer, sinto um pouco de sono.
Convido-te para os meus sonhos e levo-te nos meus pensamentos.
Mas já não durmo; apenas penso em ti quando estavas perto de mim.
Eu sei que não te perdi, porém a tua ausência dividiu-me em mil.
Quando voltas?
Voltarás quando?
Não te quero às vezes; quero-te sempre.
Até o sempre parece pouco tempo.
Preciso-te eternamente.
”
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“
TU NÃO VAIS QUERER DO MEU SILÊNCIO, ACREDITA.
É sombrio.
Paira na minha consciência como um pão que vive há séculos na beira das águas.
Carrega um olhar destemido na abertura das pálpebras sem palavras.
Semeia todos os ressentimentos malévolos diante de um desprezo.
Não importa o que vais pensar a meu respeito; tuas opiniões são doxa quando não ouves a minha versão primeiro.
Durmo na beira das águas.
Alimento-me daquilo que o mar traz nas marés da primavera.
Distancio-me de ti como o oriente está longe do ocidente.
Escondo-me como a víbora e fujo com passos silenciosos.
Chamo a escuridão sobre mim para que os teus olhos não me vejam.
Eu sei que vais chorar. Mas vai passar.
Também sei que vais sonhar comigo quando dormires magoada.
Vais implorar para que eu te visite nos teus sonhos, só que eu não estarei lá.
As águas dos teus olhos vão molhar o teu leito de madrugada,
Quando sentires o meu nome de lá para cá.
É nesse momento que tu descobrirás… que és um pedaço de mim.
Queria apenas ser bom marido, assim como fui bom amigo com os meus amigos.
Desejo te fazer feliz. Porém… não consigo.
Queria dar-te o meu amor, mas com tanta balbúrdia que fazes, fico tímido.
Sempre que te olho com o coração, deixo-te nos meus pensamentos.
Quando te digo não, não me seduzas, porque não regresso.
Queres fazer do meu amor um grilhão? Então suporta o meu silêncio.
”
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“
OS MEUS MARÉS
Tragam-me evidências palpáveis em meus ouvidos.
Fatos credíveis nas minhas crenças, que desde a mocidade vivi.
São muitos os meus marés; são direcionados pelo tempo que eu tenho comigo mesmo.
São indomáveis como os besouros no amanhecer.
Agitam-se como as gazelas fartas de vida.
Enchem durante a noite e se vão ao nascer do sol, esvaziam-se como um punhado de água que escorre pelas mãos.
Afundam-se e se vão pelo chão.
Sempre vêm com ondas gigantes dos mares medonhos.
Batem o coração e espalham todos os frutos do amor ao esquecimento.
Infamam a vida num curto momento e se deseja um silêncio.
E a boca debulha palavras tristonhas, como a rapariga desflorada nos seus desejos.
Comprei a felicidade, mas não a dei por venda.
Dou de graça a minha bondade.
Toda vez que ela vai, a trago de volta.
Sei onde a encontrar.
Fica em todas as virtudes que estão dentro de mim.
Se vão devagar, também voltam devagar.
Sempre será assim, e assim será sempre.
”
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“
ÁGAPI MU
Os rios e suas águas podem secar,
como trapos rotos envelhecerão.
Os céus com suas nuvens altas sumirão,
como uma folha seca levada ao vento.
E o tempo irá passar, definhando tudo que jaz debaixo da terra.
Mas a tua beleza irá permanecer a mesma,
como a primeira lua que deu à luz as trevas.
Se tu fosses uma estrela,
te cercaríamos com um muro de topázio ao redor.
E os portões seriam de ônix banhados de safira.
És eterna como o trono de Deus.
Os teus dois olhos são como os de dois filhinhos da pomba.
Os teus dentes são de pérolas e o teu sorriso de cristal.
Pareces uma das filhas de Jó depois da sua angústia.
Quem te gerou?
Andas delicadamente com passos que parecem um assalto.
Lábios que gotejam lírio de mirra e seu doce aroma.
O teu olhar me faz sentir um servo amnéstico que está perdido
e não encontra o seu palácio.
Tuas mãos são tão macias como um bebê recém-nascido.
Faria outro chão para andares, pois esse chão é indigno
para ser pisado com os teus pés.
Quem é como tu entre as mulheres?
Procurei com os meus olhos e não achei nenhuma.
Ágapi mu!
Minha paixão.
O seu corpo merece ser vestido de linho fino da Etiópia
e ser perfumado com o unguento do Egito.
Sem pulseira, nem colar, nem brincos.
Não precisas disso.
És tão natural como o dia, e bela como uma noite coberta de estrelas.
”
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“
ANTES QUE ME VÁ, PARA NUNCA MAIS VOLTAR.
Não sei para onde o vento vai, mas eu só quero ir junto com ele.
Para nunca mais voltar.
Para nunca mais.
Navegar no alto mar sem olhar para trás.
Levar as minhas raízes e plantá-las noutro lugar, talvez na beira do mar.
Ver as raízes de novas flores no olhar.
Fechar os olhos e deixar as águas me levarem.
Para mais longe, para nunca mais voltar.
Sumir para um planeta que só Deus conhece o nome.
Sorrir infinitamente, sem ter que me preocupar com o tédio.
Andar nas profundezas do oceano sem fim.
Beijar a terra e fazê-la sorrir!
Banhar-me nas fragrâncias rosas de um complexo jardim.
E deixar a felicidade fluir dentro de mim,
como as águas que escorrem nas pedras de zimbro no oásis.
Vou esquecer tudo pouco a pouco.
Vou apagar as velhas lembranças.
Enquanto vejo o meu reflexo sobre as águas, sinto que há uma esperança.
O coração chora granizos, e os olhos, lágrimas.
E o barco flutua sobre as águas.
Sinto a voz de Deus trovejar no mar na noite silenciosa.
As ondas noturnas balançando o barco da direita para a esquerda, suavemente, sem pressa.
As estrelas cantam um hino de ninar no espaço.
E os anjos tocam a flauta, as andorinhas o tamborim, e as borboletas dançam e pousam no barco enquanto eu durmo nos teus braços.
E a lua me olha do alto.
As nuvens negras me cobrem,
enquanto o vento sopra nas minhas costas.
Vejo as baleias nos meus olhos,
sereias nos meus sonhos.
E o barco continua flutuando para um destino desconhecido.
Para nunca mais voltar.
Para nunca mais.
Mas antes que eu me vá, quero que saibas a verdade: amei-te ontem, amo-te hoje, e amar-te-ei para sempre.
”
―
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“
SINTO TÉDIO DA VIDA
Pobre de mim!
Um menino com a inocência roubada.
Num mundo sem sombra e luz,
com ânsia nos olhos de dar parto às lágrimas,
quando se lembra da cruz.
Sempre que proclamo a paz, o assolador me sobrevém.
A vida me passou com a grossura do seu laço.
Tirou-me o amor que eu tinha pelos meus olhos.
Sempre que o ar sopra no meu defronte, a agonia também passa,
como a tempestade de ventos medonhos.
Me sinto um cavalo fatigado,
uma mula sedenta,
sem água e descanso,
com a grossura nos lábios,
precisando me banhar nas águas cristalinas do outro lado.
Sinto tédio da vida como uma mulher grávida, prestes a dar à luz,
que não ouve os seus gritos, mas sente a dor.
Deseja a morte com todo prazer em pavor.
Coloquei injúndia nas ilhargas; por isso o pecado me tornou pecador.
Terra escuríssima, cercada de trevas.
A escuridão vem como a morte,
quando os lobos cercam a serva.
A alma se desespera, precisando das águas bem longe.
O suspiro toma conta da alma, e o coração já não ama.
E a morte chama o homem para dormir na lama.
A vaidade dormiu, e o orgulho foi enterrado.
E a vida se foi.
”
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“
O PERDÃO (O cego e o surdo)
Diz a lenda: Dois amigos destinados a viverem juntos.
Um companheirismo inseparável num mundo coberto de mentiras e verdades.
O surdo mente e manobra nas costas do cego,
induzindo-o para as ruas lamacentas,
manchando todas as suas roupas.
E o cego sente-se humilhado.
Sem nada a dizer, chora como quem nunca chorou.
O surdo vê as lágrimas banharem o rosto do seu companheiro.
Sente-se mal pelo ato que fez!
Com o rosto inclinado ao chão,
pede desculpas com uma voz tristonha.
E o cego, mesmo não vendo a cara tristonha do amigo,
sente pela voz que ele está arrependido e o perdoa.
Ambos continuaram a jornada felizes,
tocando nas costas um do outro,
e chegaram numa vila cercada de gentes civilizada,
onde o linguajar era tão elogiável.
E o cego ouvia e conhecia a língua,
interagia com todos em sua volta,
conversando, rindo, deixando o seu amigo solitário,
descartando-o sem perceber.
E o surdo saiu dali sem se despedir, humilhado, desprezado,
vai-se como um vento úmido
e assenta nas bancadas da praça,
com o rosto inclinado em terra.
E o cego apercebe-se da dor que causou no amigo.
Sai correndo, sem guia, sem noção do lugar que pisa,
esbarrando pessoas e sendo insultado, caluniado e empurrado ao chão.
O surdo vê a agitação, sai correndo para ver o que se passa.
Vê o amigo caído no chão, tateando o chão.
Ele o levanta e fala, suspirando:
— O que aconteceu?
E o cego fala chorando e diz:
— Eu senti a tua ausência. Eu sei que você tem raiva de mim.
Por isso eu saí correndo, tentei seguir o teu cheiro, mas não te localizei.
Eu apenas queria pedir perdão. Você me perdoa?
E o surdo, mesmo não ouvindo as palavras, mas pelas lágrimas e o gesto,
sem nada a dizer, abraça o amigo e diz:
— Eu te perdoo.
(Quem sabe entende, e quem entende sabe.)
”
―
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“
ERROS
Um inverso prazer
Deixado no soneto poético.
Longe e mais longe do viver.
É a vida do negro desejo:
muito mais fascinante,
menos vital, assim que revejo.
Vejo apenas erros.
Erros conscientes,
erros inconscientes —
é tudo erro.
Mentais ou práticos, são erros.
Reconhecíveis ou irreconhecíveis, também são erros.
Erros perversos, entrelaçados com linha excêntrica.
Escorrem na mente, passam pelos lábios, e a boca se expressa.
Se for para julgar, que julguem com sentença.
Se for para condenar, condenem sem pressa.
A justiça é falha quando o pecado tomou conta dos seres humanos.
Falha no meio dos falhos: óbvio que o resultado é falho.
”
―
Bernardino Bernardo
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“
JOELHOLOGIA
Noite nublada.
Ouve-se um lamento no quarto
de um mancebo desesperado.
Enquanto a chuva cai do céu para a terra,
as palavras saem da terra para o alto.
Com o rosto molhado e joelhos dobrados,
indo o mais fundo para afogar os pecados,
mais fundo para enterrar o passado.
Na caverna de zimbro,
é de um minuto que preciso —
um tempinho necessito.
Verter, tornar o dia nítido.
Funestante? Nada disso.
Sinto, ouço o que digo.
Joelhos cicatrizados nunca foram vistos.
Nada de teologia,
nem doxologia na luz do dia.
Gritos vazios nos tímpanos esvazia.
É um dia que passa com analogia.
Muito insano!
Não preciso de doxologia supérflua,
muito menos teologia,
mas sim de joelhologia.
Na noite escura e na luz do dia.
Que as lágrimas contem a história vivida,
e o silêncio anuncie as boas-vindas.
Os dias tristonhos trazem uma profunda agonia.
Sentindo as lágrimas curvarem no rosto,
transpirando todo o corpo —
para que o sossego entre na alma,
e a brandura traga a calma.
Sem pressa, deslizando do mesmo jeito como as lágrimas.
”
―
Bernardino Bernardo
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“
AQUILO QUE A GENTE...
Aquilo que a gente pensa sem querer pensar é ansiedade.
Aquilo que a gente lembra sem querer lembrar é saudade.
Aquilo que a gente quer sem querer é vaidade.
Aquilo que a gente vê sem necessidade de ver é curiosidade.
Aquilo que a gente fala sem pensar ao falar é tolidade.
Quem sabe entende, e quem entende sabe.
Aquilo que a gente come sem querer comer é necessidade.
Aquilo que a gente faz fazendo com segundas intenções é falsidade.
Aquilo que a gente ama sem ser amado é caridade.
Aquilo que a gente bendiz sem maldizer é irmandade.
Tudo isso invade os nossos corações como ondas insondáveis.
Aquilo que a gente é leal a eles e eles não, é veracidade.
Aqueles que são os primeiros serão os últimos se faltar sagacidade.
Aqueles que são os últimos, logo, logo, serão os primeiros de verdade.
Essa é a essência da vida: levar os pequenos e os tornar grandes
”
―
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“
O DUELO NOTURNO, A GENTE SE ACOSTUMA.
Porque às vezes dura quase a noite inteira.
Eu apago as luzes,
Fico no escuro,
Fecho os meus olhos num silencioso paraíso.
Fico deitado, escutando o barulho das bestas noturnas.
E o medo quase aparece.
Com raiva inteira do abismo para lutar com a minha paz.
Aí já não durmo.
Porque às vezes a paz vence o medo, mas a maioria das vezes é o medo que vence a paz.
E sinto minha cabeça balançando como um barco no alto-mar.
Encosto na parede e converso com ela por cinco segundos.
Sofro de insônia noturna.
O sonâmbulo aparece entre as quatro paredes do quarto.
Eu fico assustado como um menino no inverno sombrio.
Noites desassossegantes.
Luto com espíritos que nem sei de onde vieram.
Mas sei o que eles querem.
Eu não vou lhes dar; se for pra lutar toda noite, não faz caso nenhum: a gente luta e se acostuma.
O medo já foi e a paz também.
Agora só temos a guerra e a espada.
Assim como dizem: "Quem vive pela espada, morre pela espada."
Que a morte me encontre no meio da batalha.
”
―
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“
CONTROVERSOS DA VIDA II
Uma incógnita que só a vida desvela.
Imploro pela sombra, aparece a luz.
Desejo a luz, a sombra me cerca.
O tempo é irônico.
Há momentos em que fico tão triste!
E me esqueço da felicidade,
mas também há momentos em que fico tão feliz!
Que me fazem esquecer da velha tristeza.
Quem vive pelo amor feliz é,
porque o ódio consome a alma até a morte.
O inferno transformou-se em um jardim divertido,
e o jardim tornou-se em um inferno antiquerido.
Perdido no meio da ignorância dos seres vivos.
O joio vive na beira do trigo, tornando tudo escuro.
A lua nasce durante o dia,
e o sol brilha na noite angustiante que não durmo.
Às vezes me canso de mim mesmo.
Me odeio, não me acho, não me procuro.
E nem quero me encontrar,
apenas quero me sentir perdido na minha própria imaginação!
Grito muito alto, choro bem baixo,
num mundo que só eu vivo.
Ninguém está lá para me ouvir nem para me sentir.
Apenas eu e Deus.
Que o dia se torne noite,
e a noite continue sempre noite.
Sem luz, sem candeeiros, sem velas,
mas com uma escuridão densa sobre os meus olhos,
e um silêncio meigo sobre os meus ouvidos.
Que as lágrimas me achem sem olhos,
e a dor me ache sem a vida.
Porque o morto não sente dor,
e quem chora sem olhos é menos lamentável,
pois ele não vê as suas lágrimas,
apenas as sente escorrendo pelo rosto.
A vida me perdeu, e eu a perdi.
Ah… Estou farto de tudo, menos de Deus e de mim!
”
―
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TOLA OBSESSÃO
Palavras insanas com desejos melancólicos,
Ganga impura na língua sagaz.
Boca mentirosa, lábios venenosos,
Coração fastio de enganos e sedução.
Trajes inocentes para quem vem com olhos exteriores;
O interior é apenas um mar negro com cadáveres de murmúrio.
Sorriso dourado carregando mil segredos no coração,
Olhos que não olham somente o defronte,
Ouvidos instalados na boca daqueles que falam ao redor dela.
Mística ao pensar e tola ao agir,
Sensível como a flor, mas sem valor como a dor.
Obcecada pelo sol da tarde que brilha somente na Irlanda,
Carregada com palavras irônicas nas próprias lágrimas,
Convencendo o coração do sol a não brilhar
Com metáforas perdidas com vendaval no ar.
Quem poderá sumi-la?
O orgulho domina imensamente o teu coração.
Palavras torpes jazem na tua boca, sem noção.
O teu agir dá insegurança na solidão;
Viajas no fundo do ódio com a velha ambição,
Longe de compaixão e do perdão,
Mas querendo se revestir da tola obsessão.
”
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FIRMEZA
Tentar recuperar os momentos perdidos é desperdício de tempo.
Desejar regressar ao passado é ofender os momentos. Sigo e enfrento: as dores são cicatrizes, e o amanhã virá com um presente inesquecível.
Enquanto vivermos debaixo do sol, o presente sempre se tornará o passado, e o futuro será o presente.
A vida é um jogo.
A maior motivação são as quedas. Pena que nós não sabemos disso, por isso a fraqueza nos queima.
O pessimismo aumenta a tristeza sem motivos.
Atrás do ódio esquecido no mundo antigo,
Corro até ao fim da estrada em busca de um esconderijo.
A luta, o cansaço, a dor, o dissabor, está tudo muito rijo.
Mas nada disso pode me parar de ir atrás dos meus objetivos.
O desânimo soprou nos meus ouvidos
Com um sopro funesto para tirar-me os sentidos.
Na selva do velho fracasso, como um antigo vizinho,
Lutei nas garras da morte como um homem, não como menino.
Relembrando a vitória, vejo um novo brilho.
Medo é vento que sopra e vai nos seus caminhos.
Não preciso da covardia como companheiro; se for assim, prefiro trilhar sozinho.
Nada de tristeza,
Porque o desespero elimina a realeza.
Viver daquilo que os outros pensam? É comer a mesa, não a carne dentro da bandeja.
A mente pensa e repensa nas beneficências que o coração deseja.
Mas nada vem de bonança, requer-se uma lábula. Por isso… que haja firmeza!
”
―
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PARAR DE SONHAR...?
Como?!
Como parar de sonhar?
Sonhar é viver esperançosamente no belo do amanhã.
Se o sol brilha na aurora, ainda há esperança e sonhos para sonhar.
Sorrir no mundo vindouro, o dia vem devagar, renascendo flores de glória no novo olhar.
Dizer adeus a toda dor do presente, cujo cansaço foi demais.
Descansar nas benevolências do meu Deus, e nada mais.
Cheirando o ar do novo dia,
Sentindo o odor da chuva nas minhas narinas,
Molhando os campos secos nas campinas,
No frescor das árvores ambiciosas das plantas daninhas.
Não cabia a chuva do dia, porque é nos meus pensamentos onde ela morria.
Busquei a sagacidade e não a sabedoria.
Agora tenho um passado pobre, não esquecido.
Se for na mesma estrada, o presente não será vivido, mas sim perdido,
E, no final de tudo, terei um futuro desconhecido.
Por isso...?
Deixa-me sonhar o quanto eu puder,
Não tenho nada a perder.
Foi Ele quem me olhou no fundo do buraco negro.
Não tinha nada por perto, nem sequer esperança no peito.
Era falho, com tantos erros,
Mergulhado no mundo funesto, em duelo.
Agora sou a flor daquele que me ouviu
No choro silencioso, quando o meu coração partiu.
Sonho sempre neste mundo refulgente,
Na abundância de alegria no olhar de tanta gente,
Feliz para sempre, no jardim do amor, eternamente.
Sinto o arrepio na pele só de saber que o ar sairá da boca d'Ele.
Descansarei no calafrio de lágrimas, com o pedido que Ele nos vele.
É tudo que preciso.
Além de todo mal,
Além da dor, da tristeza,
De tudo que é temporal,
Acima das nuvens e das estrelas,
Existe um lindo lar!
”
―
Bernardino Bernardo
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“
O AMOR RASGADO!
Foste tu, não eu,
quem rasgou o nosso amor em pedaços,
mergulhou a nossa história na lama do passado,
espalhou ao vento todas as cartas escritas e lidas com os nossos lábios.
E agora imploras que eu ande sobre o vento
em busca dos papéis rasgados?
Pra quê?
Deixa o vento levar para mais longe de ti e de mim!
E se não bastasse,
vês-me com tanta fluidez nas palavras enganosas,
à procura do amor perdido há séculos,
persistindo em ouvir a voz da sombra
no fundo das miragens sem nexo.
O amor, no eco, torna a paixão zelosa,
e a esperança renasce no jardim de um casamento,
com uma noiva que se torna esposa.
Mas olha onde paramos? Num destino violento.
Por isso, limpa as tuas lágrimas, porque elas me ferem!
A tua voz me faz recordar momentos transparentes
e perdidos na minha história,
mas não esquecidos na minha memória.
Foste a rosa desfolhada pela tua arrogância,
viajaste nas nuvens negras sem um sorriso de despedida,
foste como o vento.
Nem pensaste em mim nos braços da traição,
porque o teu ato expôs a maldade do teu coração.
Os teus olhos furtaram a malícia nos caminhos da perdição,
os teus lábios destilavam palavras afáveis na nossa relação.
Mas tu não sabias... que eu via o engano
no sorriso que encarnava o teu coração.
Porém...
apaga as luzes,
acende as velas,
fecha os olhos,
e ouve-me: eu perdoo-te,
mas não há volta entre nós dois.
Dorme um pouco,
deixa o amanhã chegar.
Verás um novo amanhecer,
e terás um novo sonho para sonhar.
”
―
Bernardino Bernardo
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Turismo na Solidão
Viajando na selva da Amazônia para enxergar as pedras da ilha perdida,
remando no meio do mar ao navegar para as águas esquecidas.
Na noite silenciosa, com a lua atrás das nuvens negras cobrindo a vida,
a solidão beija minha alma, derramando colírio nos meus olhos.
Afundando debaixo das lágrimas no solo mui barroso,
sobressaindo no meio da selva que me pareceu maravilhoso!
Mas foi apenas um sonho.
Sonhei num mundo sem ter contribuído nele.
Viajei até a Irlanda em busca da irlandesa, mas não cheguei até lá,
porque senti o arrepio na pele.
Não deixei o meu sorriso nem a carta, e o amor voltei juntamente com ele.
Voltei pelas florestas da Bélgica com o cavalo de turismo,
com a sétima estrela na alma e quatro letras no meu sorriso.
O poente me achou no meio da floresta,
com andorinhas, borboletas voando sobre as árvores verdejantes, fugindo das bestas.
Oásis cercado com pedras de zimbro.
Eu, no topo do penhasco, contemplando tudo isso sozinho,
uma beleza perdida e cuidada pela natureza desde o princípio.
O vento soprando, balançando as árvores,
águias voando contra o vento, sentindo o odor da chuva que vem.
Eu, olhando no penhasco, sem ninguém.
Estendo-me sobre o vento que sopra,
banho o corpo nas águas idosas,
grito como um leão no seu brando e assusto as raposas.
O ar sopra, sopra e me deixa ninado,
como o homem acalma a sua esposa.
Quero ficar e sentir esse frescor só mais um pouco,
sentir-me perdido nessa floresta bela, brando,
e ouvir sempre o que ouço:
gritos de pássaros, águias e poços borbulhantes,
bebendo só mais um copo.
Só mais um pouco!
Sinto fluir dentro de mim essa paixão sólida como o chão.
Mas que triste! Em saber que foi apenas um turismo na solidão.
”
―
Bernardino Bernardo
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Se Eu Pudesse Voltar no Tempo
Se eu apenas pudesse, Entre o céu azul e o sol em chamas,obviamente gritaria abrangentemente para os ouvidos do universo. Me deixar flutuar acima das nuvens,da lua, de todos os astros celestes, E me deixa ajuelhar, Para pedir o riquíssimo,íntimo perdão pelos meus pecados, Pelos erros cometidos no futuro,no presente e no velho passado. Mas o tempo se foi e não nos diz nada.
Perdi tanto tempo me envolvendo no tempo que a vida me deu. Perdi o carinho, Perdi a paz, Perdi o amor em desejos alheios e absurdos fora do véu. Perdi o sorriso que Deus me ofereceu. Perdi os bons momentos debaixo da lama da vida,onde o velho tempo morreu. Senti o vazio da alma. Ouvi o choro dela,palavra por palavra. O medo me abraça com velhas lembranças, E o espírito desfalece na inquietação da alma sem bonança. Por isso o poente se foi... A aurora nasceu sem a luz, E o meio-dia se tornou minguante e assustador,com a luz que não nos conduz.
Apenas queria ser feliz. Queria ter paz. Queria viver com os meus deleites,desejos, prazeres que me satisfazem, mas não fui capaz de enfrentar as decepções que a vida traz. Era infeliz, E perdido dentro de mim.
Perdido na selva da vida, Com a alma mais negra, sangrenta e abatida. Se eu pudesse voltar no tempo! Faria questão de abraçar os desesperados,envolvendo-os em meus braços, E lhes diria que a vida é a sombra do passado. O tempo vivido é uma flecha no arco para atingir o alvo, Porque o tempo se foi, O dia escureceu, E a noite chegou com o silêncio da escuridão e passos. Passos que te acompanham até o sono da morte no quarto.
E despertas nas regiões funestas, negras, De seres malévolos, estampadas de uma profunda tristeza. O tempo vai e não volta nunca mais. Não despede, não abraça, nem beija. Apenas se vai como o barco que flutua no mar sobre as ondas. Desejo voltar no tempo e corrigir os desejos. Preciso voltar, e quero voltar.
”
―
Bernardino Bernardo
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Alma Perdida!
Ah, pobre alma!
Perdida nas ruas cruas,
Vivendo e ardendo em chama,
Sem roupas,totalmente nua.
Com lágrimas e pranto, a voz clama, Chamando o descanso na lua,
O amor na lama que ama.
Vagando nas trevas infinitas
Em busca de alguém.
Surda,muda, vazia, sem vida,
Nas desilusões funestas que lê.
Alma enfadonha e abatida,
Com sensações de que vê
O vento da morte na despedida.
Constrangida nas veias do olfato,
Alma morta na estrada da ilusão,
Revestida de mitos plágios
Na maldita decisão
Que repele o tato.
Com palavras despede a multidão;
Os olhos choram o perdão passado.
Passado com inquietações,
Um dia vivido e nada mais,
Com ceticismo dentro das razões, Eliminando a bendita paz.
Com negras visões,
Não satisfaz, e tanto faz
Sentimentos insensatos das perdições.
”
―
Bernardino Bernardo
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“
Diz-me
Diz-me: podes enxugar essas lágrimas que escorrem sobre o meu rosto?
E dizer que vai ficar tudo bem, que vai passar?
Podes deixar-me chorar nos teus braços o quanto quiser, sem que digas algo?
Apenas abraçar-me e ficar em silêncio?
Diz-me: tu podes?!
Diz-me... que estou errado, que sou inútil, imprestável, miserável.
Zanga o quanto quiseres, grita o que puderes, mas, por favor, faz tudo em silêncio.
Foi essa louca paixão que me levou ao teu encontro.
Briga com ela, que me tirou a paz, o sossego, a bonança — morde-a ou enforca-a, tanto faz.
Minguante, eu estava no poente a escurecer,
entrando no buraco negro da vida,
nas planícies do deserto à procura de ti.
Diz-me: como eu era diante de ti, no momento em que me enxergavas?
Se me vias como o mar raivoso, ou como o vento que sopra as árvores da Amazónia?
Diz-me algo!
Posso escrever versos nostálgicos para a tua alma nesta tarde chuvosa?
Contudo, como as neves da Bélgica que espreitam a Irlanda,
com adufe nos lábios para encantar as palavras escritas na carta,
encontrei-te no verão sem calor — quem me dera que fosse na primavera, com árvores verdejantes.
Haveria delícia no banquete das palavras.
Uff!! Que triste paixão!
Diz-me a verdade...Será que sentes o mesmo?!
”
―
Bernardino Bernardo
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Bernardino Bernardo
Membro desde:
26/09/2024
Biografia:
Membro desde: 26/09/2024 Bibliografia: Pregador do evangelho completo. Escritor e pensador.
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A confiança do ingênuo é a arma mais útil do mentiroso
”
—
Stephen King
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