Coleção de Frases e Pensamentos de Bernardino Bernardo


131 frases




Bernardino Bernardo
“NOITES MAL DURMIDAS


As lágrimas quentes banhando o rosto.
A dor brota como as flores da primavera.
E a alma tristonha encontra-se dividida, sem consolo.
Com o coração excomungado e desterrado da sua própria terra.
Sinto o cheiro da morte a vir devagar nos meus sonhos medonhos.
Os velhos demónios rugem como lobos famintos nos meus pesadelos.
E eu estou gemendo sem ter o que fazer.

O coração já não palpita: apenas grita!
Já nem me lembro quem fui e nem sinto as puras brisas.
Sinto-me no mundo dos mortos sem ter morrido.
O sensacionalismo é gritante para os vivos.
Prefiro ser o ladrão moribundo que chorou as últimas lágrimas de sangue ao deixar o mundo.
A tristeza da morte não é apenas ser enterrado; se vives internado com os problemas da vida, tens uma morte garantida ao teu lado.

Queria poder escrever-vos uma carta feliz!
Porque tanto ser triste parece o mesmo que ser feliz...
Tive o desejo de sorrir, porém as lágrimas travaram-me de repente.
Meu Deus!
Os dias maus são inumeráveis como os cabelos da minha cabeça.
Já não durmo, não sorrio, não me alegro como os mancebos virgens na sua mocidade.
Porque estou parado no penhasco rodeado de flechas.

Todavia... sempre que olho para o céu azul,
conto as estrelas na minha tristeza;
dou os meus olhos às nuvens brancas.
Desejo andar sobre as neves.
Escondo-me na tua sombra santa.
Cansado, agoniado, fatigado,
sinto-me renascido com a alma leve.
E deito-me sem temor na tua palavra.
Porque é ali que o meu pobre coração encontra bonança.
”
Bernardino Bernardo
“METANOIA


Se o passado fosse o destino do homem, eu estaria ausente no presente.
Mas o passado não determina o destino do homem.
A vida oferece três páginas em branco: passado, presente e futuro.
E eu escrevi uma delas nas madrugadas, com a alma dividida.
Uma está em branco, e a outra molho com lágrimas!
A dor e o sofrimento despertaram o homem que está dentro de mim.
Mostrou-me quem sou sem ter de pintar todas as páginas.

Durmo e sonho todas as noites frias e enfado-me com os sonhos medonhos.
Quem me dera que os desejos se realizassem como a gente quer.
Quem me dera que tudo fosse como a gente quer.
Nas madrugadas frias, as lágrimas quentes molham a minha alma.
E seguro com uma voz rouca, sem destino.
A pele se arrepia com uma presença sinistra.

O vazio flutua dentro do meu ser, com o medo navegando no meu peito.
A lua me garante a noite, e o sol me presenteia o dia.
O resultado depende tangivelmente da minha ação.
Fico estagnado, não me encontro, necessito de mim, perco-me na ilha da minha própria imaginação.
Sinto-me covarde, sem rumo, imprestável como uma folha seca levada pelo vento do norte.
Numa estrada longa para o paradeiro da morte.

Mas, enquanto tudo parecia estar perdido sem direção,
encontrei uma curva estreita dentro do coração,
uma metanoia impensável na bússola da vida,
levando-me para os braços do Autor da vida.
Pensei que fosse um sonho sonhado por vistas lindas,
que desvaneceram a tristeza vivida.
Mas era um panorama diante de mim.
Vi a origem da ópera, da serenata, que esfolavam toda mágoa.
Meu Deus!
Deixa-me assentar sobre as nuvens mais uma vez,
em teus braços, em teus ombros, para afogar no abismo esse velho cansaço.
”
Bernardino Bernardo
“POR QUE?


Por que nem tudo é como a gente quer?
Por que a vida parece ter mais tempos infelizes e menos tempos felizes?
Quando olho para o vasto mar, vejo muito mais ondas indomáveis.
Caminho pelo deserto, me deito nas florestas e tudo o que escuto são vozes e gritos de bestas.
Digo basta, subo nas montanhas e choro bem alto, para o vento levar a Deus o meu pranto.

Por que as histórias não são todas verdadeiras?
Por que as lendas, as fábulas e os contos têm meias-verdades? E se tornam desconhecidas entre os homens?
Reescrevo mitos enterrados no passado e descubro que são mentiras com as roupas da verdade.
Busco os fatos tangíveis nas memórias do subsolo e encontro restos mortais.
Mudos, sem voz.
Por quê?
Será que me deito no mar do esquecimento? Ou reescrevo na areia e as histórias são levadas pelo vento?

Por que as verdades são meio nubladas e as mentiras, transparentes?
Por que os homens se contentam com a falsidade e não com a verdade?
Me deito na sombra do futuro e vejo destinos errantes de seres inocentes.
Nunca tive tanta certeza como tenho hoje.
Não choro por fora, não lamento por dentro e muito menos atavio os trajos do arrependimento.
Apenas me indago... por quê?

Por que as línguas são excêntricas umas com as outras?
Por que a cor da pele importa mais do que a origem da nossa existência?
No crepúsculo da minha paisagem, me assento devagar em busca das respostas.
Sou um menino que pergunta ao pai, que me olha com lágrimas.
E disse-me: — As suas perguntas têm uma única resposta.
Com a curiosidade dentro da inocência, eu disse:
— Qual é, pai?
E ele disse:
— Deus.
”
Bernardino Bernardo
“A VIRGEM DOS MEUS SONHOS


A virgem que sonha e ora!
Que se entristece e implora.
Se magoa, mas não vai embora.
Nos lençóis vai e chora.
Me espera altas horas.
Me ama, me deseja!
Mas tenho medo dos sonhos errantes que me assombram piedosamente.
Por isso ajo como um pobre de sentimentos, com prazeres desvanescentes.

Fiz de mim um príncipe encantador na fluidez das palavras.
Entre os desertos sem folhas e jardins sem rosas, semeei um viveiro de gargalhadas!
Te faço feliz do meu jeito.
Por isso escrevi o seu nome dentro do meu peito.
Sempre que choras, te nino no meu berço.
O teu sorriso alegra os meus momentos.

Mas duvido se vai dar certo entre a gente,
porque vivemos em duas realidades diferentes.
Enquanto os teus olhos veem o oeste, os meus pés estão parados no oriente.
Te deixo ir embora para não te fazer sofrer emocionalmente.
Foi apenas um sonho sonhado no presente.
Oxalá, no futuro vindouro, Deus te dê um presente.

Ó virgem minha!
Nas noites escuras, te sonho feliz quando caminhas.
Os teus olhares, os teus risos, são delicados como a vinha fermentada.
Com teu vestido de noiva e o véu cobrindo o teu rosto, quando vinhas.
Mas foi apenas um sonho e nada mais.
Por isso digo: malditos grilhões em que me tranquei.
Pensei que feliz fosse ficar; todavia... triste fico só de pensar?
Vai passar. Não queria que passasse, mas mesmo assim vai passar.

Desfruta a tua mocidade...
Vive a tua juventude ao lado de quem te ame de verdade.
Eu sou apenas um mancebo solitário viciado na solidão que te traz ansiedade e te deixa angustiada.
”
Bernardino Bernardo
“ANTES QUE ME VÁ, PARA NUNCA MAIS VOLTAR.


Não sei para onde o vento vai, mas eu só quero ir junto com ele.
Para nunca mais voltar.
Para nunca mais.
Navegar no alto mar sem olhar para trás.
Levar as minhas raízes e plantá-las noutro lugar, talvez na beira do mar.
Ver as raízes de novas flores no olhar.
Fechar os olhos e deixar as águas me levarem.
Para mais longe, para nunca mais voltar.

Sumir para um planeta que só Deus conhece o nome.
Sorrir infinitamente, sem ter que me preocupar com o tédio.
Andar nas profundezas do oceano sem fim.
Beijar a terra e fazê-la sorrir!
Banhar-me nas fragrâncias rosas de um complexo jardim.
E deixar a felicidade fluir dentro de mim,
como as águas que escorrem nas pedras de zimbro no oásis.

Vou esquecer tudo pouco a pouco.
Vou apagar as velhas lembranças.
Enquanto vejo o meu reflexo sobre as águas, sinto que há uma esperança.
O coração chora granizos, e os olhos, lágrimas.
E o barco flutua sobre as águas.

Sinto a voz de Deus trovejar no mar na noite silenciosa.
As ondas noturnas balançando o barco da direita para a esquerda, suavemente, sem pressa.
As estrelas cantam um hino de ninar no espaço.
E os anjos tocam a flauta, as andorinhas o tamborim, e as borboletas dançam e pousam no barco enquanto eu durmo nos teus braços.
E a lua me olha do alto.

As nuvens negras me cobrem,
enquanto o vento sopra nas minhas costas.
Vejo as baleias nos meus olhos,
sereias nos meus sonhos.
E o barco continua flutuando para um destino desconhecido.
Para nunca mais voltar.
Para nunca mais.
Mas antes que eu me vá, quero que saibas a verdade: amei-te ontem, amo-te hoje, e amar-te-ei para sempre.
”
Bernardino Bernardo
“O PERDÃO (O cego e o surdo)


Diz a lenda: Dois amigos destinados a viverem juntos.
Um companheirismo inseparável num mundo coberto de mentiras e verdades.

O surdo mente e manobra nas costas do cego,
induzindo-o para as ruas lamacentas,
manchando todas as suas roupas.
E o cego sente-se humilhado.
Sem nada a dizer, chora como quem nunca chorou.

O surdo vê as lágrimas banharem o rosto do seu companheiro.
Sente-se mal pelo ato que fez!
Com o rosto inclinado ao chão,
pede desculpas com uma voz tristonha.
E o cego, mesmo não vendo a cara tristonha do amigo,
sente pela voz que ele está arrependido e o perdoa.

Ambos continuaram a jornada felizes,
tocando nas costas um do outro,
e chegaram numa vila cercada de gentes civilizada,
onde o linguajar era tão elogiável.
E o cego ouvia e conhecia a língua,
interagia com todos em sua volta,
conversando, rindo, deixando o seu amigo solitário,
descartando-o sem perceber.

E o surdo saiu dali sem se despedir, humilhado, desprezado,
vai-se como um vento úmido
e assenta nas bancadas da praça,
com o rosto inclinado em terra.

E o cego apercebe-se da dor que causou no amigo.
Sai correndo, sem guia, sem noção do lugar que pisa,
esbarrando pessoas e sendo insultado, caluniado e empurrado ao chão.

O surdo vê a agitação, sai correndo para ver o que se passa.
Vê o amigo caído no chão, tateando o chão.
Ele o levanta e fala, suspirando:
— O que aconteceu?

E o cego fala chorando e diz:
— Eu senti a tua ausência. Eu sei que você tem raiva de mim.
Por isso eu saí correndo, tentei seguir o teu cheiro, mas não te localizei.
Eu apenas queria pedir perdão. Você me perdoa?

E o surdo, mesmo não ouvindo as palavras, mas pelas lágrimas e o gesto,
sem nada a dizer, abraça o amigo e diz:
— Eu te perdoo.

(Quem sabe entende, e quem entende sabe.)
”
Bernardino Bernardo
Bernardino Bernardo

Membro desde: 26/09/2024

Biografia: Membro desde: 26/09/2024 Bibliografia: Pregador do evangelho completo. Escritor e pensador.

Frase do Dia

“Eu sou quem você não procura.”

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