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Bernardino Bernardo
Coleção de Frases e Pensamentos de
Bernardino Bernardo
131 frases
“
NOITES MAL DURMIDAS
As lágrimas quentes banhando o rosto.
A dor brota como as flores da primavera.
E a alma tristonha encontra-se dividida, sem consolo.
Com o coração excomungado e desterrado da sua própria terra.
Sinto o cheiro da morte a vir devagar nos meus sonhos medonhos.
Os velhos demónios rugem como lobos famintos nos meus pesadelos.
E eu estou gemendo sem ter o que fazer.
O coração já não palpita: apenas grita!
Já nem me lembro quem fui e nem sinto as puras brisas.
Sinto-me no mundo dos mortos sem ter morrido.
O sensacionalismo é gritante para os vivos.
Prefiro ser o ladrão moribundo que chorou as últimas lágrimas de sangue ao deixar o mundo.
A tristeza da morte não é apenas ser enterrado; se vives internado com os problemas da vida, tens uma morte garantida ao teu lado.
Queria poder escrever-vos uma carta feliz!
Porque tanto ser triste parece o mesmo que ser feliz...
Tive o desejo de sorrir, porém as lágrimas travaram-me de repente.
Meu Deus!
Os dias maus são inumeráveis como os cabelos da minha cabeça.
Já não durmo, não sorrio, não me alegro como os mancebos virgens na sua mocidade.
Porque estou parado no penhasco rodeado de flechas.
Todavia... sempre que olho para o céu azul,
conto as estrelas na minha tristeza;
dou os meus olhos às nuvens brancas.
Desejo andar sobre as neves.
Escondo-me na tua sombra santa.
Cansado, agoniado, fatigado,
sinto-me renascido com a alma leve.
E deito-me sem temor na tua palavra.
Porque é ali que o meu pobre coração encontra bonança.
”
―
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“
DE QUEM É A CULPA?
Preferiste dormir e chorar nos teus braços, solitária,
em vez dos meus, que estavam estendidos para te envolver
e te abraçar como o vento abraça o ar.
A tua almofada sentiu cada gota de lágrima
brotando nostalgicamente no teu rosto.
E eu escrevi numa sombra que: vai passar.
Às vezes dói, mas escondo; eu não sei quem sou.
Ver-te angustiada e deprimida causa-me desconforto;
ouvir a tua voz sussurrante e triste nos meus sonhos
quebra-me a alma.
De quem é a culpa?
Talvez seja do nosso orgulho, que nos faz pensar
que não dependemos um do outro.
Ou talvez do nosso egoísmo, que nos faz usar o silêncio como castigo.
Isso me estrangula até nas entranhas,
esfolando toda a minha alma.
Talvez a culpa seja minha;
ou talvez a culpa nos torne uma dupla.
Porque Amo-te!
”
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“
METANOIA
Se o passado fosse o destino do homem, eu estaria ausente no presente.
Mas o passado não determina o destino do homem.
A vida oferece três páginas em branco: passado, presente e futuro.
E eu escrevi uma delas nas madrugadas, com a alma dividida.
Uma está em branco, e a outra molho com lágrimas!
A dor e o sofrimento despertaram o homem que está dentro de mim.
Mostrou-me quem sou sem ter de pintar todas as páginas.
Durmo e sonho todas as noites frias e enfado-me com os sonhos medonhos.
Quem me dera que os desejos se realizassem como a gente quer.
Quem me dera que tudo fosse como a gente quer.
Nas madrugadas frias, as lágrimas quentes molham a minha alma.
E seguro com uma voz rouca, sem destino.
A pele se arrepia com uma presença sinistra.
O vazio flutua dentro do meu ser, com o medo navegando no meu peito.
A lua me garante a noite, e o sol me presenteia o dia.
O resultado depende tangivelmente da minha ação.
Fico estagnado, não me encontro, necessito de mim, perco-me na ilha da minha própria imaginação.
Sinto-me covarde, sem rumo, imprestável como uma folha seca levada pelo vento do norte.
Numa estrada longa para o paradeiro da morte.
Mas, enquanto tudo parecia estar perdido sem direção,
encontrei uma curva estreita dentro do coração,
uma metanoia impensável na bússola da vida,
levando-me para os braços do Autor da vida.
Pensei que fosse um sonho sonhado por vistas lindas,
que desvaneceram a tristeza vivida.
Mas era um panorama diante de mim.
Vi a origem da ópera, da serenata, que esfolavam toda mágoa.
Meu Deus!
Deixa-me assentar sobre as nuvens mais uma vez,
em teus braços, em teus ombros, para afogar no abismo esse velho cansaço.
”
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“
POR QUE?
Por que nem tudo é como a gente quer?
Por que a vida parece ter mais tempos infelizes e menos tempos felizes?
Quando olho para o vasto mar, vejo muito mais ondas indomáveis.
Caminho pelo deserto, me deito nas florestas e tudo o que escuto são vozes e gritos de bestas.
Digo basta, subo nas montanhas e choro bem alto, para o vento levar a Deus o meu pranto.
Por que as histórias não são todas verdadeiras?
Por que as lendas, as fábulas e os contos têm meias-verdades? E se tornam desconhecidas entre os homens?
Reescrevo mitos enterrados no passado e descubro que são mentiras com as roupas da verdade.
Busco os fatos tangíveis nas memórias do subsolo e encontro restos mortais.
Mudos, sem voz.
Por quê?
Será que me deito no mar do esquecimento? Ou reescrevo na areia e as histórias são levadas pelo vento?
Por que as verdades são meio nubladas e as mentiras, transparentes?
Por que os homens se contentam com a falsidade e não com a verdade?
Me deito na sombra do futuro e vejo destinos errantes de seres inocentes.
Nunca tive tanta certeza como tenho hoje.
Não choro por fora, não lamento por dentro e muito menos atavio os trajos do arrependimento.
Apenas me indago... por quê?
Por que as línguas são excêntricas umas com as outras?
Por que a cor da pele importa mais do que a origem da nossa existência?
No crepúsculo da minha paisagem, me assento devagar em busca das respostas.
Sou um menino que pergunta ao pai, que me olha com lágrimas.
E disse-me: — As suas perguntas têm uma única resposta.
Com a curiosidade dentro da inocência, eu disse:
— Qual é, pai?
E ele disse:
— Deus.
”
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“
UMA JOIA RARA
Escondida nas memórias eternas de Deus!
Enquanto dormes e sonhas, eu te escrevo nos teus sonhos como um anjo sobrenatural. Caminho contigo nos teus pesadelos para não te sentires só. As muralhas, as montanhas e os pesadelos não estarão diante de ti. Sabes por quê? Porque, antes que chegues a eles, eu já os terei derrubado.
Amo-te!
Se para os outros tu és uma mulher qualquer, para mim tu és a minha joia raríssima, mulher, porque depois do arrebatamento tu és a segunda felicidade que flui dentro do meu peito: meu presente, meu dia, minha noite estrelada, meu verão na primavera e minha primavera no verão... A minha climatologia do coração.
Amar-te-ei!
Para sempre... Aliás, para sempre parece pouco tempo.
Amo-te eternamente!
Sonho contigo enquanto tu sonhas comigo.
”
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A VIRGEM DOS MEUS SONHOS
A virgem que sonha e ora!
Que se entristece e implora.
Se magoa, mas não vai embora.
Nos lençóis vai e chora.
Me espera altas horas.
Me ama, me deseja!
Mas tenho medo dos sonhos errantes que me assombram piedosamente.
Por isso ajo como um pobre de sentimentos, com prazeres desvanescentes.
Fiz de mim um príncipe encantador na fluidez das palavras.
Entre os desertos sem folhas e jardins sem rosas, semeei um viveiro de gargalhadas!
Te faço feliz do meu jeito.
Por isso escrevi o seu nome dentro do meu peito.
Sempre que choras, te nino no meu berço.
O teu sorriso alegra os meus momentos.
Mas duvido se vai dar certo entre a gente,
porque vivemos em duas realidades diferentes.
Enquanto os teus olhos veem o oeste, os meus pés estão parados no oriente.
Te deixo ir embora para não te fazer sofrer emocionalmente.
Foi apenas um sonho sonhado no presente.
Oxalá, no futuro vindouro, Deus te dê um presente.
Ó virgem minha!
Nas noites escuras, te sonho feliz quando caminhas.
Os teus olhares, os teus risos, são delicados como a vinha fermentada.
Com teu vestido de noiva e o véu cobrindo o teu rosto, quando vinhas.
Mas foi apenas um sonho e nada mais.
Por isso digo: malditos grilhões em que me tranquei.
Pensei que feliz fosse ficar; todavia... triste fico só de pensar?
Vai passar. Não queria que passasse, mas mesmo assim vai passar.
Desfruta a tua mocidade...
Vive a tua juventude ao lado de quem te ame de verdade.
Eu sou apenas um mancebo solitário viciado na solidão que te traz ansiedade e te deixa angustiada.
”
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ALMEJO O LUXO
Quem disse que o pobre não é vaidoso? Precipitou-se...
Ele é, mas a sua vaidade se esconde na sua humildade.
O desejo do luxo não é tão tenso como o desejo da paz.
O que almejo é uma gota de alegria com os centavos no bolso para matar a saudade.
Sorrir no meu escuro, vendo os meus filhos no luxo com pouca idade.
Viver é viver quando se vive com quem se deveria viver.
Vencer ao lado de quem se gloria com suas vitórias e se entristece com suas derrotas: isso é excepcional.
O luxo é incultural na minha pátria; a ganância é gigante, mas a ambição é uma migalha.
Mas não me dou a esse luxo,
porque o lixo do luxo que se vive é repelente quando o colírio da salvação não está nos olhos e na alma.
Apenas quero um presente que vem de ti; vendi os meus erros para comprar a felicidade que tive no dia em que nasci.
Sou vaidoso e orgulhoso,
mas depende daquilo de que me orgulho, e a minha vaidade é temporal.
Sempre quis viajar pelo mundo, pisar na areia e ser soprado pelo vento das praias da Grécia.
Pisar nas catacumbas de Roma, onde os mártires morreram com destreza!
Pisar nas ruas de Jerusalém e nos rios da Galileia.
Ajoelhar no Gólgota, onde as lágrimas de liberdade caíram em gotas.
Dou-me a esse luxo por completo, até a morte me levar ao regresso.
Importo-me menos com os jardins de fantasias.
Necessito de um paraíso que não tem calendário de dias,
para me sentir aquilo que nunca fui, mas desejo ser.
”
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SE EU SENTISSE O QUE SENTES?
O que me dirias?
O que farias?
Será o inverso disso?
Será que sentes e pensas que sentes aquilo que sinto?
Nós dois fomos guiados pela mesma razão, pela mesma paixão.
Escalamos juntos as montanhas do medo na nossa decisão.
Foste inexpugnável por um tempo.
Mas não quis te induzir com a sedução perversa.
Deixei-te só, para que o silêncio na solidão te guiasse a fazer o certo.
Tive dó de mim; fui visitado pelo medo o tempo todo.
Mas ouvi que sentiste o mesmo que sinto.
Vivi momentos felizes por causa disso.
Roubei o seu coração e colhi alegria com seus risos.
Nunca tive lembranças marcantes de ti,
Memórias marcantes de ti,
Passado que falasse de ti.
Mas lembro-me da manhã em que te vi.
Senti a sensação de que o destino nos apresentaria para vivermos juntos um amor eterno.
Os grandes amores, às vezes, se cruzam uma vez na vida.
Não se falam, não se cumprimentam, apenas se olham à distância, sentindo uma paralisia de choque no peito.
Portanto, eu te procurei, e você também me procurou, e nós nos encontramos.
Então, para que fugir?
Para que fingir?
Deixa o amor nos perfumar antes que o vento leve os nossos sentimentos
”
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“
ENFIM!
Nem todas as histórias têm um final feliz!
Como nos sonhos errantes que tive de mim no poente da minha tristeza.
Só a solidão que me resta nos rios das lágrimas que saíram de mim.
Com os olhos esfolados como um caminheiro da liberdade.
Desterrado da pátria que tanto amei com um coração puro e justo.
Escrevo no meu peito.
Sou viajante na estrada espinhosa e pedregosa.
Os amores, as paixões, os desejos intensos, são todos passageiros.
Alguns amigos se vão e outros vêm pra preencher o lado vazio de nós.
Mas nem todos deixam saudades, alguns deixam sequelas. Mas, enfim... sempre foi assim.
Se no passado fui ausente, no presente desejo ser presente.
Que o futuro seja lembrado para sempre.
Se for para estar só, é assim que tinha que ser.
Não tenho medo de amar, tenho medo de mim.
Porque sinto um vazio que me leva para um fundo vazio, e me torna um vazio no vazio.
Enfim!
Estou pagando a promessa que fiz.
”
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PRECISO DORMIR
Ainda vivo como quem vive sem risos.
Como quem já viveu todas as vidas num só momento.
Porque, quando olho em mim, só vejo um homem cansado que precisa dormir.
Preciso dormir.
Sem dúvida alguma que quero tudo,
como alguma vez desejei só um minuto.
Mas, contudo, eu preciso dormir.
A minha consciência está mui exausta.
O cansaço me definha lentamente, sem piedade, com sensações maléficas.
Sinto-me como uma jumenta fatigada, pois a sua viagem foi por terras longínquas.
Quero dormir.
Mas onde dormir?
Onde quero dormir?
No sótão?
Onde as velhas ferramentas do passado não esquecido estão guardadas?
Ou no estábulo?
Com os meus cavalos roncando?
Talvez seja no quintal ao lado.
Ao lado do quintal onde enxergo melhor o céu estrelado.
Sensações excêntricas pairam perante os meus olhos cansados.
E eu não as vejo, apenas as sinto com os meus olhos fechados.
Quando se dorme de verdade?
Sem vozes, sem pensamentos fúteis, apenas dormindo como quem pensa só com os olhos abertos.
Meu Deus!
Nessa noite escura,
que os sonhos se escandalizem de mim.
Que os pesadelos se arrepiem e morram.
Porque preciso dormir.
Apenas dormindo como um bebê nos braços da mãe, como se o amanhã viesse, mas não amanhã, talvez depois de amanhã.
Porque o sono que está nos meus olhos está em dobro.
”
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JÁ FAZ TEMPO
Que não dou as mesmas gargalhadas como na infância.
Já faz tempo que não me lembro da última vez que caí da árvore abaixo por causa de uma manga.
A minha mocidade, internada na minha consciência como as lembranças de quem pensa,
leva-as nas trilhas da vida e pede aos dias vindouros que as lamentem.
Correr já não corro.
Não pulo, apenas sigo cada degrau da escada abaixo.
Já não me importo com as borboletas e nem faço castelos arenosos.
Não vou a festas, nem jogo, nada me arranca o sorriso do nada, porque as mãos da minha mãe sentem um peso enorme de me fazer cócegas.
Sou um velho adulto menos infeliz.
Já não choro por falta de amigos.
Nem corro nos braços da mamãe, entristecido, sem motivos.
Com rosto tristonho e desejos ambíguos.
Era pura felicidade na noite escura; os abraços da mamãe eram abrigo.
Tinha-me todo, e eu a tinha toda.
Não me lembro de ter chorado sem ser consolado por ela.
O amor dela era uma janela por onde eu espreitava o céu e via flores belas.
Faz tanto tempo
que até o tempo circula em minha volta e eu não vejo.
Como não sei, só sei que faz tempo que não sinto o mesmo.
”
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“
EU
Eu sou a luz dos meus pesadelos na noite escura e tenebrosa.
Eu sou o mar ondulante entre as praias do que sonhei de mim.
Não sei sentir...
E nem sei se sinto ou não.
Só sei que derramo lágrimas no vale e choros na montanha que escondo dentro de mim.
Se sou infeliz ou feliz, isso é natural, porque sou carbonático.
Eu considero a tristeza como a felicidade num momento impróprio.
Dou gargalhadas no abatimento do meu fracasso e desespero.
Eu amo isso... mas, às vezes, abomino, porque é insuportável.
Nasci no berço de lágrimas que a minha mãe derramou na sua feliz tristeza.
Vivo com elas dentro de mim como o meu irmão gêmeo não nascido.
Eu não sou nada, muito menos ninguém... além de uma planta tentando dar frutos dignos.
Eu me olho nos meus olhos e me vejo dentro deles como qualquer um.
Um ser falho, miserável, que luta para ser bom; talvez essa seja a única diferença.
Eu não sou forte como muitos me pintam; só Deus conhece o eu que está em mim.
Tenho sede dele mais do que qualquer homem que já viveu debaixo da terra.
Eu sou o filho da desobediência, renascido como o filho da obediência por Cristo.
Sempre que falo isso, derramo lágrimas na conta dos rios, montanhas, ventos e de tudo aquilo que chora e que ninguém vê.
Quem sou?
E quem fui?
Nem sei...
Ah, meu Deus...
Tenho tantas saudade daquele que nunca fui, mas desejo ser...!
”
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“
NÃO SOU PESSIMISTA, SOU MENOS MENTALISTA.
Não me faça de uma planta absinto,
nem pintem os meus desejos nos céus cinzentos.
O incerto demandou-me na bonança do meu silêncio.
Foi o meu galho cortado em pedaços desonestos.
Não me senti rejeitado, senti-me reencontrado.
Certa vez, um amigo meu caiu sobre as lamas repugnantes; eu não tive náusea, estendi a mão e o levantei. Magoou-me, mas o perdoei. E o outro amigo zangou-se comigo, e eu zanguei-me, mas também passou.
Subi ao assoalho para acender a lareira que estava dentro de mim, e a raiva vazou.
A vida me ensinou que nem tudo é para mim.
Nem tudo que tive foi para estar ao meu lado eternamente.
Há coisas que se vão e vêm como se viessem, e se vão como se não fossem.
Aprendi a deixar o passado como o sol deixa o dia.
Já não choro pelas perdas nem sinto agonia pelas derrotas.
Cada perda é uma experiência.
O passado já não me importa, o futuro menos me importa, e o presente não desejo viver tanto.
Minha ambição é única: viver em simbiose com Jesus Cristo. O resto é vaidade que escorre pela minha consciência.
São desejos impuros.
Odeio a convicção antiga das palavras.
Quem atira pedra primeiro destrói a sua muralha.
Não sou pessimista, sou mentalista.
Sou quem olha e não diz nada.
”
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INCENSO NA LÍNGUA FRAUDULENTA
Ela precisa ser feita de olíbano e mirra.
Para emendar os seus erros como o gonzo segura a porta quebrada.
Língua coscuvilheira que afoga no ribeiro das suas palavras.
Curta como a raposa, mais venenosa que a serpente.
Que furta a verdade e a esconde em trajes de suas mentiras.
Livra-me, Deus, dessa linguareira.
Faço incenso até o cheiro chegar nas janelas de suas narinas.
Cubro os meus lábios com verdade, para que as fábulas se sintam excomungadas.
Não quero o mar ondulante nos meus lábios, não desejo peçonha nas minhas palavras.
Que desvaneça todos os discursos torpes nesse incenso.
Achego-me a ti com lágrimas de arrependimento.
Me entrego por completo nessa banheira de bronze que o perdão prega-se no meu peito.
Não desejo voltar ao mesmo lodo.
Purifica-me como as nuvens na queda das neves.
O órfão chora por pão, e a viúva suplica por marido.
Eu ando acabrunhado necessitando da purificação.
Ouve-me, Senhor!
Os meus rivais meneiam a cabeça atrás de mim, me fazendo lembrar do meu passado fraudulento,
que vivi dissipadamente, como o nada que era nada.
”
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“
INSÔNIA
Te escrevo esta carta nesta noite fria e congelante.
Não consigo dormir como antes.
Sinto um frio de solidão e saudades.
Apaguei a lareira e todas as luzes de vela, porque estou perto da lua minguante.
Cada segundo sem te ver é uma eternidade.
É desagradável quando o sol nasce apenas uma parte.
Apenas uma parte.
Porque a outra parte eras tu que completava antes,
com o teu olhar leve e um sorriso viciante.
Eu sei que não vais ler esta carta.
Não me faz mal!
Você sabe o lugar onde guardo as minhas lágrimas:
é nas palavras tristonhas e amargas.
Estou cansado, estou farto e pesado, sinto-me fatigado e preciso dormir, mas não posso.
Porque o meu descanso depende dos teus braços.
Há um sono que vem defronte da minha janela; não é sono de dormir.
É um convite das estrelas para as nuvens de lembranças do passado que não se pode remir.
Às vezes, enquanto durmo a sorrir, lembro-me da diferença entre rir e sorrir:
que os teus lábios se debruçaram uma vez, quando sorrias, e eu pensei que rias.
Quando os segundos passam silenciosamente toda a noite até o amanhecer, sinto um pouco de sono.
Convido-te para os meus sonhos e levo-te nos meus pensamentos.
Mas já não durmo; apenas penso em ti quando estavas perto de mim.
Eu sei que não te perdi, porém a tua ausência dividiu-me em mil.
Quando voltas?
Voltarás quando?
Não te quero às vezes; quero-te sempre.
Até o sempre parece pouco tempo.
Preciso-te eternamente.
”
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TU NÃO VAIS QUERER DO MEU SILÊNCIO, ACREDITA.
É sombrio.
Paira na minha consciência como um pão que vive há séculos na beira das águas.
Carrega um olhar destemido na abertura das pálpebras sem palavras.
Semeia todos os ressentimentos malévolos diante de um desprezo.
Não importa o que vais pensar a meu respeito; tuas opiniões são doxa quando não ouves a minha versão primeiro.
Durmo na beira das águas.
Alimento-me daquilo que o mar traz nas marés da primavera.
Distancio-me de ti como o oriente está longe do ocidente.
Escondo-me como a víbora e fujo com passos silenciosos.
Chamo a escuridão sobre mim para que os teus olhos não me vejam.
Eu sei que vais chorar. Mas vai passar.
Também sei que vais sonhar comigo quando dormires magoada.
Vais implorar para que eu te visite nos teus sonhos, só que eu não estarei lá.
As águas dos teus olhos vão molhar o teu leito de madrugada,
Quando sentires o meu nome de lá para cá.
É nesse momento que tu descobrirás… que és um pedaço de mim.
Queria apenas ser bom marido, assim como fui bom amigo com os meus amigos.
Desejo te fazer feliz. Porém… não consigo.
Queria dar-te o meu amor, mas com tanta balbúrdia que fazes, fico tímido.
Sempre que te olho com o coração, deixo-te nos meus pensamentos.
Quando te digo não, não me seduzas, porque não regresso.
Queres fazer do meu amor um grilhão? Então suporta o meu silêncio.
”
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OS MEUS MARÉS
Tragam-me evidências palpáveis em meus ouvidos.
Fatos credíveis nas minhas crenças, que desde a mocidade vivi.
São muitos os meus marés; são direcionados pelo tempo que eu tenho comigo mesmo.
São indomáveis como os besouros no amanhecer.
Agitam-se como as gazelas fartas de vida.
Enchem durante a noite e se vão ao nascer do sol, esvaziam-se como um punhado de água que escorre pelas mãos.
Afundam-se e se vão pelo chão.
Sempre vêm com ondas gigantes dos mares medonhos.
Batem o coração e espalham todos os frutos do amor ao esquecimento.
Infamam a vida num curto momento e se deseja um silêncio.
E a boca debulha palavras tristonhas, como a rapariga desflorada nos seus desejos.
Comprei a felicidade, mas não a dei por venda.
Dou de graça a minha bondade.
Toda vez que ela vai, a trago de volta.
Sei onde a encontrar.
Fica em todas as virtudes que estão dentro de mim.
Se vão devagar, também voltam devagar.
Sempre será assim, e assim será sempre.
”
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ÁGAPI MU
Os rios e suas águas podem secar,
como trapos rotos envelhecerão.
Os céus com suas nuvens altas sumirão,
como uma folha seca levada ao vento.
E o tempo irá passar, definhando tudo que jaz debaixo da terra.
Mas a tua beleza irá permanecer a mesma,
como a primeira lua que deu à luz as trevas.
Se tu fosses uma estrela,
te cercaríamos com um muro de topázio ao redor.
E os portões seriam de ônix banhados de safira.
És eterna como o trono de Deus.
Os teus dois olhos são como os de dois filhinhos da pomba.
Os teus dentes são de pérolas e o teu sorriso de cristal.
Pareces uma das filhas de Jó depois da sua angústia.
Quem te gerou?
Andas delicadamente com passos que parecem um assalto.
Lábios que gotejam lírio de mirra e seu doce aroma.
O teu olhar me faz sentir um servo amnéstico que está perdido
e não encontra o seu palácio.
Tuas mãos são tão macias como um bebê recém-nascido.
Faria outro chão para andares, pois esse chão é indigno
para ser pisado com os teus pés.
Quem é como tu entre as mulheres?
Procurei com os meus olhos e não achei nenhuma.
Ágapi mu!
Minha paixão.
O seu corpo merece ser vestido de linho fino da Etiópia
e ser perfumado com o unguento do Egito.
Sem pulseira, nem colar, nem brincos.
Não precisas disso.
És tão natural como o dia, e bela como uma noite coberta de estrelas.
”
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ANTES QUE ME VÁ, PARA NUNCA MAIS VOLTAR.
Não sei para onde o vento vai, mas eu só quero ir junto com ele.
Para nunca mais voltar.
Para nunca mais.
Navegar no alto mar sem olhar para trás.
Levar as minhas raízes e plantá-las noutro lugar, talvez na beira do mar.
Ver as raízes de novas flores no olhar.
Fechar os olhos e deixar as águas me levarem.
Para mais longe, para nunca mais voltar.
Sumir para um planeta que só Deus conhece o nome.
Sorrir infinitamente, sem ter que me preocupar com o tédio.
Andar nas profundezas do oceano sem fim.
Beijar a terra e fazê-la sorrir!
Banhar-me nas fragrâncias rosas de um complexo jardim.
E deixar a felicidade fluir dentro de mim,
como as águas que escorrem nas pedras de zimbro no oásis.
Vou esquecer tudo pouco a pouco.
Vou apagar as velhas lembranças.
Enquanto vejo o meu reflexo sobre as águas, sinto que há uma esperança.
O coração chora granizos, e os olhos, lágrimas.
E o barco flutua sobre as águas.
Sinto a voz de Deus trovejar no mar na noite silenciosa.
As ondas noturnas balançando o barco da direita para a esquerda, suavemente, sem pressa.
As estrelas cantam um hino de ninar no espaço.
E os anjos tocam a flauta, as andorinhas o tamborim, e as borboletas dançam e pousam no barco enquanto eu durmo nos teus braços.
E a lua me olha do alto.
As nuvens negras me cobrem,
enquanto o vento sopra nas minhas costas.
Vejo as baleias nos meus olhos,
sereias nos meus sonhos.
E o barco continua flutuando para um destino desconhecido.
Para nunca mais voltar.
Para nunca mais.
Mas antes que eu me vá, quero que saibas a verdade: amei-te ontem, amo-te hoje, e amar-te-ei para sempre.
”
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SINTO TÉDIO DA VIDA
Pobre de mim!
Um menino com a inocência roubada.
Num mundo sem sombra e luz,
com ânsia nos olhos de dar parto às lágrimas,
quando se lembra da cruz.
Sempre que proclamo a paz, o assolador me sobrevém.
A vida me passou com a grossura do seu laço.
Tirou-me o amor que eu tinha pelos meus olhos.
Sempre que o ar sopra no meu defronte, a agonia também passa,
como a tempestade de ventos medonhos.
Me sinto um cavalo fatigado,
uma mula sedenta,
sem água e descanso,
com a grossura nos lábios,
precisando me banhar nas águas cristalinas do outro lado.
Sinto tédio da vida como uma mulher grávida, prestes a dar à luz,
que não ouve os seus gritos, mas sente a dor.
Deseja a morte com todo prazer em pavor.
Coloquei injúndia nas ilhargas; por isso o pecado me tornou pecador.
Terra escuríssima, cercada de trevas.
A escuridão vem como a morte,
quando os lobos cercam a serva.
A alma se desespera, precisando das águas bem longe.
O suspiro toma conta da alma, e o coração já não ama.
E a morte chama o homem para dormir na lama.
A vaidade dormiu, e o orgulho foi enterrado.
E a vida se foi.
”
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O PERDÃO (O cego e o surdo)
Diz a lenda: Dois amigos destinados a viverem juntos.
Um companheirismo inseparável num mundo coberto de mentiras e verdades.
O surdo mente e manobra nas costas do cego,
induzindo-o para as ruas lamacentas,
manchando todas as suas roupas.
E o cego sente-se humilhado.
Sem nada a dizer, chora como quem nunca chorou.
O surdo vê as lágrimas banharem o rosto do seu companheiro.
Sente-se mal pelo ato que fez!
Com o rosto inclinado ao chão,
pede desculpas com uma voz tristonha.
E o cego, mesmo não vendo a cara tristonha do amigo,
sente pela voz que ele está arrependido e o perdoa.
Ambos continuaram a jornada felizes,
tocando nas costas um do outro,
e chegaram numa vila cercada de gentes civilizada,
onde o linguajar era tão elogiável.
E o cego ouvia e conhecia a língua,
interagia com todos em sua volta,
conversando, rindo, deixando o seu amigo solitário,
descartando-o sem perceber.
E o surdo saiu dali sem se despedir, humilhado, desprezado,
vai-se como um vento úmido
e assenta nas bancadas da praça,
com o rosto inclinado em terra.
E o cego apercebe-se da dor que causou no amigo.
Sai correndo, sem guia, sem noção do lugar que pisa,
esbarrando pessoas e sendo insultado, caluniado e empurrado ao chão.
O surdo vê a agitação, sai correndo para ver o que se passa.
Vê o amigo caído no chão, tateando o chão.
Ele o levanta e fala, suspirando:
— O que aconteceu?
E o cego fala chorando e diz:
— Eu senti a tua ausência. Eu sei que você tem raiva de mim.
Por isso eu saí correndo, tentei seguir o teu cheiro, mas não te localizei.
Eu apenas queria pedir perdão. Você me perdoa?
E o surdo, mesmo não ouvindo as palavras, mas pelas lágrimas e o gesto,
sem nada a dizer, abraça o amigo e diz:
— Eu te perdoo.
(Quem sabe entende, e quem entende sabe.)
”
―
Bernardino Bernardo
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ERROS
Um inverso prazer
Deixado no soneto poético.
Longe e mais longe do viver.
É a vida do negro desejo:
muito mais fascinante,
menos vital, assim que revejo.
Vejo apenas erros.
Erros conscientes,
erros inconscientes —
é tudo erro.
Mentais ou práticos, são erros.
Reconhecíveis ou irreconhecíveis, também são erros.
Erros perversos, entrelaçados com linha excêntrica.
Escorrem na mente, passam pelos lábios, e a boca se expressa.
Se for para julgar, que julguem com sentença.
Se for para condenar, condenem sem pressa.
A justiça é falha quando o pecado tomou conta dos seres humanos.
Falha no meio dos falhos: óbvio que o resultado é falho.
”
―
Bernardino Bernardo
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JOELHOLOGIA
Noite nublada.
Ouve-se um lamento no quarto
de um mancebo desesperado.
Enquanto a chuva cai do céu para a terra,
as palavras saem da terra para o alto.
Com o rosto molhado e joelhos dobrados,
indo o mais fundo para afogar os pecados,
mais fundo para enterrar o passado.
Na caverna de zimbro,
é de um minuto que preciso —
um tempinho necessito.
Verter, tornar o dia nítido.
Funestante? Nada disso.
Sinto, ouço o que digo.
Joelhos cicatrizados nunca foram vistos.
Nada de teologia,
nem doxologia na luz do dia.
Gritos vazios nos tímpanos esvazia.
É um dia que passa com analogia.
Muito insano!
Não preciso de doxologia supérflua,
muito menos teologia,
mas sim de joelhologia.
Na noite escura e na luz do dia.
Que as lágrimas contem a história vivida,
e o silêncio anuncie as boas-vindas.
Os dias tristonhos trazem uma profunda agonia.
Sentindo as lágrimas curvarem no rosto,
transpirando todo o corpo —
para que o sossego entre na alma,
e a brandura traga a calma.
Sem pressa, deslizando do mesmo jeito como as lágrimas.
”
―
Bernardino Bernardo
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AQUILO QUE A GENTE...
Aquilo que a gente pensa sem querer pensar é ansiedade.
Aquilo que a gente lembra sem querer lembrar é saudade.
Aquilo que a gente quer sem querer é vaidade.
Aquilo que a gente vê sem necessidade de ver é curiosidade.
Aquilo que a gente fala sem pensar ao falar é tolidade.
Quem sabe entende, e quem entende sabe.
Aquilo que a gente come sem querer comer é necessidade.
Aquilo que a gente faz fazendo com segundas intenções é falsidade.
Aquilo que a gente ama sem ser amado é caridade.
Aquilo que a gente bendiz sem maldizer é irmandade.
Tudo isso invade os nossos corações como ondas insondáveis.
Aquilo que a gente é leal a eles e eles não, é veracidade.
Aqueles que são os primeiros serão os últimos se faltar sagacidade.
Aqueles que são os últimos, logo, logo, serão os primeiros de verdade.
Essa é a essência da vida: levar os pequenos e os tornar grandes
”
―
Bernardino Bernardo
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O DUELO NOTURNO, A GENTE SE ACOSTUMA.
Porque às vezes dura quase a noite inteira.
Eu apago as luzes,
Fico no escuro,
Fecho os meus olhos num silencioso paraíso.
Fico deitado, escutando o barulho das bestas noturnas.
E o medo quase aparece.
Com raiva inteira do abismo para lutar com a minha paz.
Aí já não durmo.
Porque às vezes a paz vence o medo, mas a maioria das vezes é o medo que vence a paz.
E sinto minha cabeça balançando como um barco no alto-mar.
Encosto na parede e converso com ela por cinco segundos.
Sofro de insônia noturna.
O sonâmbulo aparece entre as quatro paredes do quarto.
Eu fico assustado como um menino no inverno sombrio.
Noites desassossegantes.
Luto com espíritos que nem sei de onde vieram.
Mas sei o que eles querem.
Eu não vou lhes dar; se for pra lutar toda noite, não faz caso nenhum: a gente luta e se acostuma.
O medo já foi e a paz também.
Agora só temos a guerra e a espada.
Assim como dizem: "Quem vive pela espada, morre pela espada."
Que a morte me encontre no meio da batalha.
”
―
Bernardino Bernardo
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Bernardino Bernardo
Membro desde:
26/09/2024
Biografia:
Membro desde: 26/09/2024 Bibliografia: Pregador do evangelho completo. Escritor e pensador.
Frase do Dia
“
Eu sou quem você não procura.
”
—
Gabriel García Marquez
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