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Newton Jayme
Coleção de Frases e Pensamentos de
Newton Jayme
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“
FOTOSSÍNTESE DO AMOR
Alimento a vida que respira,
como quem reconhece no chão
o destino do próprio corpo,
e ainda assim acende manhãs
com as mãos abertas ao tempo.
Há uma alma silenciosa
aprendendo a respirar claridade...
Faz do amor sua fotossíntese,
transmuta a ausência em seiva,
faz raiz do que era efêmero,
e floresce onde a dor passeia.
Ah, eu devoro os dias devagar,
antes que o instante se desfaça,
vou modelando o invisível em mim
como quem transforma a vida em graça.
Eu bebo os dias devagar,
como quem prova o instante
antes que se desfaça,
e em cada gesto guardo o mundo
no mármore bruto da existência.
E o tempo adormece paciente,
mas eu insisto em ser claridade...
Faz do amor sua fotossíntese,
transmuta a ausência em seiva,
faz raiz do que era efêmero,
e floresce onde a dor passeia.
Ah, eu devoro os dias devagar,
antes que o instante se desfaça,
vou moderando o invisível em mim
como quem transforma a vida em graça.
Não pra deter o fim que vem,
nem pra negar o que se apaga,
mas pra deixar na curva do tempo
um gesto vivo que não se acaba...
Faz do amor sua fotossíntese,
mesmo quando o mundo cansa,
faz do instante eternidade
no sopro breve da esperança.
Ah, que reste no beijo um traço,
mesmo quando o corpo for memória,
pois viver é esculpir no tempo
um sopro breve de história.
E quando a última tarde fechar os olhos
sobre os telhados do mundo,
quero partir como árvore madura,
derrubando sementes no vento.
Porque o amor que se fez luz em silêncio
não morre na ferrugem das horas:
permanece respirando
em outros corações,
feito sol escondido na aurora.
E se um dia
perguntarem quem fui,
digam apenas:
alguém que atravessou a noite
acendendo estrelas e vida
naquilo que parecia ruína.
”
―
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“
VARANDA
Eu te aguardei
na virada morna do rio,
onde a tarde desata
os cabelos no capim,
e o vento, bêbado de folhas,
batia nas janelas do horizonte,
como quem pede abrigo
pra uma saudade sem nome.
Eu te esperei
com a paciência das pedras,
que guardam chuva antiga
no fundo escuro do musgo,
e cada minuto teu
era um pássaro cego,
ferindo devagar
os vidros do meu silêncio.
Ah, meu amor,
há mares que cabem
dentro de um copo vazio,
e há pessoas
que atravessam a vida da gente
como lua atravessa água:
sem nunca se partir.
Teu corpo tinha
o cheiro das casas acesas
quando a noite começa
a doer nas cidades,
e tua voz —
essa varanda
de sal sobre o abismo —
fazia o mundo parecer
menos exílio.
Hoje caminho
pelas ruas do teu esquecimento,
como quem colhe estrelas
num jardim incendiado,
porque amar você
foi aprender
que algumas flores
nascem apenas
para sangrar perfume.
”
―
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“
BENDITAS SEJAIS, MAMÃES!
No fundo da panela
o dia principia,
teu silêncio temperando
a fome e a ventania.
A casa era pequena,
mas cabia o mundo inteiro
quando tua voz surgia
feito água em fevereiro.
Teu amor nunca fez festa,
nunca pediu atenção,
era um lampião aceso
na varanda da aflição.
Enquanto o tempo corria
feito bicho assustadiço,
tu bordavas esperança
no avesso do serviço.
Benditas sejais,
mulheres de barro e clarão,
que aprendem o peso exato
de sustentar um coração.
Benditas sejais,
rio fundo sem alarde,
que atravessa nossas noites
e amanhece em toda tarde.
Quando a vida me feriu
com seus dentes de cansaço,
foi teu colo — terra úmida —
me ensinando outro compasso.
Nem sermão, nem profecia,
nem palavra decorada:
só teu jeito de esquecer-se
pra deixar minha alma inteira.
Há um país dentro das mães
que ninguém fotografou:
uma república de afetos
que o mundo ainda não nomeou.
Onde o pão divide a culpa,
onde o medo vira canto,
onde até o desespero
dorme um pouco no acalanto.
Benditas sejais,
mulheres de barro e clarão,
que aprendem o peso exato
de sustentar um coração.
Benditas sejais,
rio fundo sem alarde,
que atravessa nossas noites
e amanhece em toda tarde.
E quando o tempo levar
tuas mãos da minha mesa,
vai ficar no ar da casa
uma espécie de beleza.
Como um café passando lento,
como chuva no quintal,
como Deus andando descalço
pelos cômodos do final.
Benditas...
as mães que ninguém percebe
até faltar sua luz.
Porque amor, às vezes,
é só alguém
carregando o mundo
sem fazer barulho.
”
―
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“
ÀS MÃES
Ó mães! — estrelas trêmulas da terra,
Ânforas vivas de divina entrega e dor!
Quando passa a tormenta sobre os homens,
sois vós quem ficais, imóveis, no labor.
Há no vosso olhar qualquer coisa de abismo,
qualquer coisa de céu depois do mar;
como se Deus, cansado de infinito,
vos desse os filhos para descansar.
Vós tendes mãos de aurora e de batalha.
No vosso peito o mundo vai bater.
Se o século levanta as suas forcas,
sois vós que ensinais a renascer.
Mãe! — nome breve como um sino à tarde,
mas dentro dele dormem multidões:
o pão repartido entre a miséria,
o fogo aceso contra os vendavais,
e essa coragem muda, essa presença
que faz do pranto um campo de trigais.
Eu vos contemplo à luz das cozinhas pobres,
rainhas sem coroa e sem brasão,
curvadas sobre a roupa e sobre os sonhos,
lavando o medo do pequeno irmão.
Há epopeias no rumor das panelas,
há catedrais no barro de vossas mãos.
Oh! benditas sejais, mulheres insondáveis,
que atravessais a noite sem dormir,
guardando o sono frágil das crianças
como quem guarda um país por construir.
E quando o mundo — velho barco ébrio —
rompe os mastros na fúria dos trovões,
é vosso amor que fica iluminando
as ruínas, os portos, os clarões.
Porque mãe não é apenas quem gera:
é quem sustenta o sol dentro do peito
para que os filhos, mesmo em pleno inverno,
não desaprendam nunca o rumo e o leito.
Ó mães! — se existe um Deus acima das nuvens,
decerto aprende convosco a perdoar...
Pois só vós sabeis transformar a carne
na mais difícil forma de se domar e amar.
”
―
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“
O POÇO
As mulheres chegam
com latas, panos e cansaços,
deixando na borda
o peso inteiro da tarde.
Há uma tristeza mansa
morando naquele poço:
água parada
que conhece pelo nome
todas as secas.
Mas quando vieste,
meu amor,
até a lama brilhou.
Teus pés desceram o barranco
como quem entra
numa igreja antiga,
e tua voz tocou a superfície escura
como chuva inaugurando agosto.
Então compreendi:
há pessoas
que não matam a sede —
cavam.
E depois partem,
deixando dentro da gente
uma cacimba funda
onde a saudade
aprende a beber.
”
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“
Alimento a vida que respira,
como quem reconhece no pó
o destino do próprio corpo,
e ainda assim acende manhãs
com as mãos abertas ao tempo.
Há uma alma — silenciosa —
que aprende a respirar luz,
fazendo do amor sua fotossíntese:
transmuta a ausência em seiva
e o efêmero em raiz.
Bebo os dias devagar,
como quem prova o instante
antes que se desfaça,
e em cada gesto talho o invisível
no mármore bruto da existência.
Não para deter o fim —
que vem, paciente —
mas para que reste, no toque,
a curva de algo que viveu
como arte, antes de ser memória.
”
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“
Cada dia me forma
e me desfaz na mesma medida.
”
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“
Todo amanhecer me reorganiza;
todo anoitecer me diminui.
”
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“
Cada dia é mais um amanhecer que me constrói,
e menos um pôr do sol que me consome.
”
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O amor começa onde
o ego aprende a morrer.
”
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Quem se encontra com o amor
se divorcia das próprias ilusões.
”
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O amor não nos liberta de nós mesmos;
ao contrário, abre o caminho
para o nosso próprio encontro.
”
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O amor não é fuga de si, mas travessia —
e, ao fim dela, estamos nós.
”
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“
Amar não é buscar no outro
o que já habita em mim.
”
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O amor não nasce da falta,
mas daquilo que já vive em mim
e deseja ser partilhado.
”
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O espírito nutre-se do silêncio,
como a alma se alimenta de eternidade.
”
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“
Quem caminha em direção a Deus
transforma-se em luz que recria o mundo.
”
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Se o amor tivesse forma visível,
seria o contorno do teu existir:
um milagre cotidiano
que insiste em me reconstruir.
E eu te amo não como quem diz —
mas como quem respira sem perceber.
”
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“
Eu sou o mapa sem rota do meu próprio cais,
maré que me inventa antes de tocar ninguém,
sou o silêncio que aprende a dizer “tudo bem”
quando o peito é embarcação sem paz.
Carrego em mim um candeeiro sem idade,
luz que se acende sem pedir permissão,
e descubro que o outro é extensão
do que cultivo em minha intensidade.
Se eu me derramo em vidro quebrado e dor,
como ofereço água sem me ferir?
Se eu me perco antes de me construir,
que cuidado é esse que se chama amor?
Mas quando me rego em chão de presença,
quando me escuto sem me abandonar,
o mundo inteiro começa a caber
no gesto simples de olhar e se doar.
O próximo não nasce longe — é espelho em movimento,
é rio que aprende a ser ponte no próprio leito,
é atmosfera que só conhece o caminho direito
quando entende o próprio vento por dentro.
E eu descubro, sem pressa e sem dono:
amar o outro não é fuga de mim —
é quando eu me torno começo e fim
da mesma utopia que sonho e me torno.
E quando o deserto enfim me decanta inteiro,
descubro: o amor não me começa nem me termina —
ele me atravessa, me transforma, rio primeiro,
que só aprende o mar quando já é nascente e sina:
um lugar onde a existência vive tudo o que o tempo ensina.
”
―
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TODO DIA VOCÊ
Há dias em que acordo feito estrada vazia,
Um lamento longo dentro do peito a me chamar.
Carrego nuvens no olhar, maresia,
E um silêncio difícil de atravessar.
Em outros, sou farol aceso ao vento,
Rasgando a noite sem pedir razão.
Mas mesmo no auge do meu firmamento,
Falta um nome pra caber na imensidão.
É quando o mundo perde o contorno,
E tudo insiste em não ficar…
A saudade traz teu nome
Como um jardim
que se recusa a morrer…
Há dias em que sou sol inteiro,
Em outros, tempestade sem aviso.
Às vezes, transbordo felicidade —
Mas é você quem nasce em mim todo dia.
É você quem rompe a madrugada fria,
E reacende o que eu não sei dizer…
Mesmo quando eu me perco de mim,
É você quem me encontra em você.
Já fui inverno em pleno verão,
Já me escondi de tudo que quis.
Mas quando teu riso invade a escuridão,
Até o caos aprende a ser feliz.
Se o tempo me dobra em incertezas,
E o medo me veste de solidão,
Teu amor é chama acesa na noite
Cortando a sombra da indecisão.
Há dias em que sou sol inteiro,
Em outros, tempestade sem aviso.
Às vezes, transbordo felicidade —
Mas é você quem nasce em mim todo dia.
É você quem rompe a madrugada fria,
E reacende o que eu não sei dizer…
Mesmo quando eu me perco de mim,
É você quem me encontra em você.
E se eu for noite sem estrelas no céu,
Se eu me esquecer de onde estou…
Seja o amanhecer que insiste em mim,
Como quem nunca se cansou de amar.
É no teu corpo que encontro o caminho,
Onde começa o nome do amor.
”
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“
Meu silêncio não nasceu de repente,
foi se deitando aos poucos em mim,
como um céu que aprende o caminho da terra,
sem ferir nem mentir, mas também sem ceder.
Você falou — e as palavras vinham
com o peso leve das coisas que são:
ora tão rasas que nem molham a pele,
ora profundas demais pra alcançar com a mão.
Fiquei entre as margens de um rio,
sem pressa, sem riso, sem ponte,
ouvindo o que falta ao horizonte
no som da conversa.
Se nada me disse, foi vento sem nome,
passando por dentro sem me atravessar;
mas, se disse tudo, foi queda d’água,
tão clara que eu tive medo de olhar
e de me molhar.
Porque há verdades que pedem silêncio,
como a noite pede pra não ser tocada;
existem frases que chegam tão inteiras
que a voz se perde antes da estrada.
E eu, que sempre fui feito de versos,
me vi sem retorno, sem tradução:
um desejo suspenso no meio do peito,
esperando um corpo pra ser canção.
Então calei — não por ausência,
nem por excesso que não sei conter,
mas porque, às vezes, o que é mais inteiro
só cabe no espaço de não dizer ou reter.
E, se um dia você estranhar minha calma,
não pense que o mundo deixou de existir:
é só que, por dentro, tudo é tão vasto
que qualquer palavra seria diminuir.
”
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DOÇURA DE MOENDA
Inspiração: Dom Helder Câmara
No dorso da tarde cansada,
o vento aprende a chorar;
carrega folhas rasgadas
de quem não quis se curvar.
E eu vi, na curva do mundo,
um coração sem lugar,
batendo em silêncio profundo,
sem nunca deixar de amar.
Há criaturas como a cana:
mesmo postas na moenda,
esmagadas de todo,
reduzidas a bagaço,
só sabem doar doçura.
Só sabem…
só sabem se doar.
Doçura no corte mais frio,
no gesto que fere sem ver,
no escuro do desafio,
ainda insistem em ser.
Como um rio que sangra claro,
por entre as pedras do não,
transforma o peso mais raro
em leveza de louvação.
Há criaturas como a cana:
mesmo postas na moenda,
esmagadas de todo,
reduzidas a bagaço,
só sabem doar doçura.
E quando o mundo desaba
em foices pelo chão,
há quem se faça palavra
pra adoçar a solidão.
Existe quem, no fim do caminho,
ainda estenda a mão,
feito um milagre baixinho
de açúcar no coração.
Só sabem…
só sabem doar doçura.
Há que endurecer,
mas sem deixar
a ternura ir embora,
porque é ela que faz
o amor nascer — sem demora.
Existe quem, no fim do caminho,
ainda estenda a mão,
feito um milagre baixinho
de açúcar no coração.
Só sabem…
só sabem doar doçura.
”
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“
Eu tentei te guardar
num canto de silêncio,
como quem fecha
uma porta sem ruído;
mas você ficou no movimento
da minha respiração,
feito luz que não sabe
ser desligada ou esquecida.
Meu corpo aprendeu teu nome
em linguagem de brisa,
e agora qualquer esquina
me soletra você,
como se o mundo fosse
um mapa mal resolvido
que insiste em me levar
pro mesmo lugar.
Eu falo que sigo,
mas desminto os meus caminhos.
Meus pés têm memória própria
e te desenham no chão
antes de eu decidir o próximo passo.
Teu rastro não é ausência —
é gravidade:
me puxa sem tocar,
me dobra sem pedir licença;
e eu, feito estrela cansada,
giro em torno de um sol
que já não me aquece inteiro.
Se eu fujo,
você me inventa destino;
se eu paro,
você vira lembrança que delira.
Sou barco que aprende
teu cais na maré
e esquece o porto
que jurou ser abrigo.
Te busco até quando
não te procuro,
porque você mora
no intervalo do meu andar,
onde o amor não acaba —
só muda de forma
e me atravessa
sem nunca ir embora.
Eu quis te esquecer
na disciplina dos dias,
mas a saudade
tem mãos invisíveis
e reescreve teu rosto
nas horas vazias,
como quem insiste
numa verdade sem nome.
E se um dia
eu enfim me calar de você,
vai ser só pra ouvir melhor
o barulho que você faz dentro de mim,
quando o mundo fica quieto demais.
”
―
Newton Jayme
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“
Num sereno aposento do peito,
onde o silêncio aprende a falar,
ser sozinho é um desencontro
de quem se perdeu sem notar.
É como um copo esquecido
à beira da mesa, ao sol forte,
transparente de tão vazio,
sem sede, sem rumo, sem norte.
Mas quando o afeto acontece,
feito chuva em telhado antigo,
cada gota reconhece
seu destino de abrigo.
E amar não é repartir
como pão em mesa alheia,
é crescer por dentro, unir
o que em nós ainda anseia,
silêncios mal resolvidos,
ausências sem direção—
amar é somar sentidos
até dar corpo ao coração.
Dois não são dois quando escutam
o intervalo do partilhar,
são margem e rio que lutam
pra no encontro se alargar.
E assim, sem jamais ausentar,
cada um inteiro dentro de si,
amar é também pertencer
e no outro ainda existir.
”
―
Newton Jayme
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“
Na sombra leve do último suspiro,
caminham vozes que o tempo não levou,
não são corpos — são ideias vivas,
são pensamentos que a morte não calou.
Sócrates diz baixinho ao ouvido:
“morrer é só continuar…”
E no silêncio do desconhecido,
a alma aprende a dialogar.
Platão sonha um outro horizonte,
feito de forma, verdade e luz,
onde o eterno se faz presente
e o ser, enfim, se conduz.
Epicuro ri do medo escondido:
“não há dor no não sentir”
Se a morte chega, já partimos —
se estamos, ela há de fugir.
E entre murmúrios e ressonâncias,
a vida insiste em cantar,
se a morte é só uma passagem,
pra onde o amor vai nos levar?
Entre o fim e o recomeço,
há um sopro de imensidão,
talvez morrer seja um verso
inacabado na canção.
Martin Heidegger olha o tempo nos olhos,
carrega o fim no coração,
é na certeza da despedida
que nasce a decisão.
Friedrich Nietzsche encara o abismo ardente,
faz da dor criação,
reinventa o próprio destino
como um eterno refrão.
E quando tudo silencia,
quando o medo já não diz,
surge uma voz que anuncia
algo além do que se quis…
Jesus Cristo vem como luz na noite:
“a vida nunca se desfaz,
quem crê não morre — renasce,
no amor que é sempre mais.”
E entre murmúrios e ressonâncias,
a eternidade vem falar,
se a morte é só uma travessia,
há um infinito a nos chamar.
Entre o fim e o recomeço,
Deus escreve sem cessar —
e o último acorde da vida
é o primeiro a despertar.
”
―
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Newton Jayme
Membro desde:
12/03/2013
Frase do Dia
“
Se alguém mente sobre você, faça o contrário para que ele se passe por mentiroso.
”
—
Sócrates
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