Coleção de Frases e Pensamentos de Newton Jayme


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Newton Jayme
ALMA DA ALMA

Se o mundo é pedra bruta em noite cega,
teu nome é faísca que a matéria nega;
um punhal de aurora rasga o infinito,
quando a carne aprende o idioma do rito.

Não és ideia — és febre que desata
as correntes do verbo na voz que me mata;
és maré que devora a costa do ser,
e ensina o vazio a também florescer.

No fundo do peito onde o tempo se encerra,
há um sino enterrado debaixo da terra;
e o amor — não palavra, mas incêndio em segredo —
acorda esse sino sem língua nem medo.

Se a alma é um navio sem porto nem chão,
tu és tempestade a rasgar-lhe a direção;
e ele aprende, ao ser partido em naufrágio,
que o abismo também pode ter miragem.

Não te nomeio com flores de vitrine,
nem verso que a doçura fácil determine;
te canto em aço, em vertigem e espinho,
em sangue que pensa e se faz caminho.

Porque amar não é calma, nem doce paisagem —
é faca que escreve na própria paisagem;
é quando o ser, em chama desobediente,
descobre que existe por ser continente.

E se a alma é só noite sem mão que a conduza,
o amor é a espada que a breu-absoluto traduz;
não para ferir — mas para abrir passagem
àquilo que dorme além da linguagem.

Assim te digo, sem véu e sem asa:
o amor é a alma que a própria alma arrasa;
e, ao arrasá-la, lhe dá nova altura —
como fogo que inventa a própria ventura.

E ao fim, quando a linguagem cai de joelhos,
e o mundo já não se sustenta em seus espelhos,
fica a verdade sem cortina, sem disfarce, sem trama:
o amor é a essência — não é o álcool da alma.

Newton Jayme
Não me dês a voz dos astros,
nem a língua azul dos mares,
nem o ouro das trombetas
que acordam povos e altares.

Se em meu peito o amor não arde,
serei vento entre ruínas,
um sino perdido à tarde
gemendo em torres vazias.

Posso erguer da noite os véus,
decifrar estrelas frias,
conversar com os velhos rios
que atravessam as idades;
posso ao verbo das montanhas
ordenar: “Move-te, pedra!”
— sem amor, minhas façanhas
são poeira sobre a treva.

Ainda que eu dê aos pobres
o pão último da mesa,
e transforme a própria carne
em fogueira de beleza,
nada fica. Tudo passa
como um barco sem memória,
se o amor não põe sua asa
sobre a cinza transitória.

O amor não traz espadas
nem coroas de vaidade;
anda humilde pelas casas
como a luz da tarde invade.

Tem o passo silencioso
das mães velando o sono,
e um perfume misterioso
de jardim depois do outono.

Ele sofre e não acusa.
Ele espera sem cansaço.
Quando o ódio ergue seus muros,
abre lírios pelo espaço.

Não recolhe as ofensas
como um rei juntando impostos;
faz das dores mais imensas
ponte branca entre os destroços.

Ama a verdade desnuda,
sem teatro e sem aplauso.
É água pura e profunda
sob a febre do cansaço.

Quando tudo cai no abismo
— impérios, nomes e glórias —
o amor permanece aceso
como um sol dentro da história.

Hoje vemos sombras turvas
no cristal das horas breves;
mas virá manhã mais lúcida
sobre os homens e seus medos.

E então, face contra face,
como rios no oceano,
todo enigma se desfaça
nas mãos claras do Eterno.

Ficam fé e esperança
como estrelas sobre o mundo;
mas o amor — ave imensa —
voa além do céu profundo.

Porque Deus, quando fez a alma
e acendeu seus firmamentos,
deu ao amor sua própria chama
para viver nos sentimentos...

Newton Jayme
Newton Jayme

Membro desde: 12/03/2013

Frase do Dia

Você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais.

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