Coleção de Frases e Pensamentos de Newton Jayme


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Newton Jayme
Leva tempo...
mas o tempo leva...

Leva tempo pra entender o vento
que bagunça o que a gente guardou,
pra aceitar que nem todo momento
fica onde o coração deixou.

Leva tempo pra curar o grito
que ficou sem voz dentro de nós,
pra aprender que até o infinito
cabe inteiro num depois.

E o que pesa, aos poucos, se desfaz,
como a noite entregando a luz...

Leva tempo, mas o tempo leva,
leva a dor que a gente não esquece,
leva o medo que a alma carrega,
e devolve em forma de prece.

Leva o pranto, deixa o ensinamento,
faz do fim um recomeço novo,
leva tudo no seu movimento...
e devolve a paz, de novo.

Leva tempo pra soltar as mãos
do que nunca quis permanecer,
pra entender que certas direções
só existem pra gente perder.

Leva tempo pra florir por dentro
mesmo quando o inverno ficou,
pra perceber que o sofrimento
também mostra onde é o amor.

E o que fere também faz crescer,
quando a gente decide confiar...

Leva tempo, mas o tempo leva,
leva a dor que a gente não esquece,
leva o medo que a alma carrega,
e devolve em forma de prece.

Leva o pranto, deixa o ensinamento,
faz do fim um recomeço novo,
leva tudo no seu movimento...
e devolve a paz, de novo.

Se hoje pesa, amanhã já voa,
tudo passa, até o que ficou,
o que a vida nunca perdoa
é não ver o que o tempo ensinou.

Leva tempo, mas o tempo leva,
e no peito o que é verdadeiro fica,
leva a dor, mas revela
que a esperança nunca se complica.

Leva o pranto, rega o sentimento,
faz da queda um novo começo,
leva tudo no seu movimento...
mas não leva o amor que eu te peço.

Leva tempo...
e o tempo leva.
Vai levando quase tudo —
menos o que a gente é junto.
Só não leva você:
meu amor,
minha eterna saudade.

Newton Jayme
Antes da palavra,
um silêncio que chama,
um violão que tateia
a madrugada,
como quem procura,
na corda mais profunda,
um nome antigo
que ainda não se cala.

Vem manso o som, quase segredo,
feito saudade que aprende a ficar,
e no intervalo entre um acorde e outro
o amor ensaia o jeito de chegar.

O amor não é concordar com tudo,
nem rir das mesmas graças no bar,
não é só dividir o gosto e o passo,
nem se perder no outro sem se achar.

O amor é meio de lado, silêncio,
um acordo sem precisar se explicar,
é ceder sem perder o próprio rumo,
é no outro também se guardar.

Não é conta certa,
não fecha no papel,
é feito vento leve
que não se vê no céu…

Não é linha reta, é curva mansa,
é ficar quando o mundo quer levar,
dois desafinados, sem cobrança,
aprendendo o tempo de escutar.

E no tropeço, nasce a dança,
no desencontro, um novo lugar,
é pouco a pouco, é esperança,
é se ouvir… e se somar.

Tem dia em que a palavra pesa,
tem noite que não quer passar,
mas quem aprende o amor na mesa
não vai embora sem tentar.

E quando o orgulho grita alto,
e o coração quer se fechar,
o amor desarma o sobressalto,
faz dois caminhos se encontrar.

Não é linha reta, é curva mansa,
é ficar quando o mundo quer levar,
dois desafinados, sem cobrança,
aprendendo o tempo de escutar.

E no tropeço, nasce a dança,
no desencontro, um novo lugar,
é pouco a pouco, é esperança,
é se ouvir… e se somar.

E quando a canção já pede silêncio,
e a noite repousa no olhar,
fica um amor, simples e inteiro,
sem precisar dizer que vai se eternizar.