Coleção de Frases e Pensamentos de Newton Jayme


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Newton Jayme
RIO SUBTERRÂNEO

Quando o tempo cai devagar…
feito verso no chão do mar…

Quando o tempo derrama versos
sobre os trilhos do horizonte
e o vento em sinos recolhe
os pássaros da tarde em fuga

descubro um rio subterrâneo
correndo sob a existência
onde tudo que não se diz
ainda pulsa em transparência

Chamam de amor…
mas o nome é curto demais

praquilo que atravessa o infinito
como um fogo que não se desfaz

Te encontrei no sal da tarde
quando a montanha engolia o sol
e o mundo virava silêncio
na borda dourada do farol

Teu olhar não era espelho
era vertigem sem chão
dessas que abrem na alma
um abismo de iluminação

E eu, cheio de desertos
sem saber o que esperar
vi nascerem oceanos
onde só sabia secar

Amor não cabe na razão
nem no mapa do navegante
é relâmpago virando raiz
em pleno ar vibrante

é jangada de vento em fogo
cruzando pedra e mar
é um silêncio que arde fundo
sem nunca se explicar

Nós não fomos caça ao acaso
nem busca de ilusão
fomos tempestade e calma
no mesmo coração

Enquanto o mundo contava cifras
nós contávamos lua
enquanto erguiam muralhas
nossa maré continuava nua

E cada abraço era ponte
sobre o que ninguém vê
entre viver e existir
entre eu e você

Amor não cabe na razão
nem no mapa do navegante
é relâmpago virando raiz
em pleno ar vibrante

é jangada de vento em fogo
cruzando pedra e mar
é um silêncio que arde fundo
sem nunca se explicar

E quando a última tarde cair
como cobre sobre o chão
não me busquem em retratos
nem na poeira do verão

me procurem no clarão
que sobra depois da chama
porque o amor não morre nunca
ele apenas se derrama

e segue como meteoro
riscando o próprio destino
até que o tempo entenda
que o infinito é divino.

Newton Jayme
Quando o tempo cai devagar…
feito verso no chão do mar…

Quando o tempo derrama versos
sobre os trilhos do horizonte
e o vento em sinos recolhe
os pássaros da tarde em fuga

descubro um rio subterrâneo
correndo sob a existência
onde tudo que não se diz
ainda pulsa em transparência

Chamam de amor…
mas o nome é curto demais
para esse mistério
que atravessa o infinito
como um fogo que não se desfaz

Te encontrei no sal da tarde
quando a montanha engolia o sol
e o mundo virava silêncio
na borda dourada do farol

Teu olhar não era espelho
era vertigem sem chão
dessas que abrem na alma
um abismo de iluminação

E eu, cheio de desertos
sem saber o que esperar
vi nascerem oceanos
onde só sabia secar

Amor não cabe na razão
nem no mapa do navegante
é relâmpago virando raiz
em pleno ar vibrante

é jangada de vento em fogo
cruzando pedra e mar
é um silêncio que arde fundo
sem nunca se explicar

Nós não fomos caça ao acaso
nem busca de ilusão
fomos tempestade e calma
no mesmo coração

Enquanto o mundo contava cifras
nós contávamos lua
enquanto erguiam muralhas
nossa maré continuava nua

E cada abraço era ponte
sobre o que ninguém vê
entre viver e existir
entre eu e você

Amor não cabe na razão
nem no mapa do navegante
é relâmpago virando raiz
em pleno ar vibrante

é jangada de vento em fogo
cruzando pedra e mar
é um silêncio que arde fundo
sem nunca se explicar

E quando a última tarde cair
como cobre sobre o chão
não me busquem em retratos
nem na poeira do verão

me procurem no clarão
que sobra depois da chama
porque o amor não morre nunca
ele apenas se derrama

e segue como meteoro
riscando o próprio destino
até que o tempo entenda
que o infinito é divino

Newton Jayme
A fumaça da tarde
mastiga os edifícios
e o céu pende torto
como um santo bêbado
dentro da moldura.

Teu silêncio
tem o barulho metálico
de elevadores vazios.

Andamos sobre avenidas úmidas
onde os postes derramam luz
feito leite estragado.

Não me pergunta nada.
As perguntas envelhecem primeiro.

No fundo dos bares
os homens alinham seus copos
como quem organiza
pequenos túmulos transparentes.

E eu —
funcionário do incêndio
invisível das horas —
medi minha vida
em colheres de café,
cinzas de cigarro
e recibos amassados no bolso do paletó.

Teu rosto passava nos vidros dos ônibus
misturado à chuva e anúncios de remédio;
parecia que a cidade inteira
tentava esquecer alguém.

Às vezes penso
que o amor é um relógio afogado:
continua funcionando
mesmo depois do naufrágio.

Os garçons recolhem a noite pelas mesas,
empilhando pratos
como luas quebradas.

E nós aqui,
dois animais educados pela fumaça,
fingindo elegância
enquanto o coração lateja
feito tubulação antiga atrás da parede.

Não me toca ainda.
A tristeza tem dentes pequenos
e mastiga devagar.

Lá fora,
o último bonde risca a madrugada
como uma navalha em fotografia antiga.

E amanhã
voltaremos às xícaras,
às gravatas,
às notícias mornas,
como quem retorna
ao próprio aquário incendiado.

Vamos então, tu e eu,
pois quando a tarde
se estende contra o céu
somos pacientes
anestesiados sobre uma mesa de bar,
como dois retratos amarelados pela solidão...

Então bebemos.
Porque há noites
em que amar alguém
é apenas dividir
o mesmo naufrágio
iluminado e mal terminado.

Newton Jayme
Newton Jayme

Membro desde: 12/03/2013

Frase do Dia

Você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais.

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