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Newton Jayme
Coleção de Frases e Pensamentos de
Newton Jayme
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1.919 frases
“
Não me dês a voz dos astros,
nem a língua azul dos mares,
nem o ouro das trombetas
que acordam povos e altares.
Se em meu peito o amor não arde,
serei vento entre ruínas,
um sino perdido à tarde
gemendo em torres vazias.
Posso erguer da noite os véus,
decifrar estrelas frias,
conversar com os velhos rios
que atravessam as idades;
posso ao verbo das montanhas
ordenar: “Move-te, pedra!”
— sem amor, minhas façanhas
são poeira sobre a treva.
Ainda que eu dê aos pobres
o pão último da mesa,
e transforme a própria carne
em fogueira de beleza,
nada fica. Tudo passa
como um barco sem memória,
se o amor não põe sua asa
sobre a cinza transitória.
O amor não traz espadas
nem coroas de vaidade;
anda humilde pelas casas
como a luz da tarde invade.
Tem o passo silencioso
das mães velando o sono,
e um perfume misterioso
de jardim depois do outono.
Ele sofre e não acusa.
Ele espera sem cansaço.
Quando o ódio ergue seus muros,
abre lírios pelo espaço.
Não recolhe as ofensas
como um rei juntando impostos;
faz das dores mais imensas
ponte branca entre os destroços.
Ama a verdade desnuda,
sem teatro e sem aplauso.
É água pura e profunda
sob a febre do cansaço.
Quando tudo cai no abismo
— impérios, nomes e glórias —
o amor permanece aceso
como um sol dentro da história.
Hoje vemos sombras turvas
no cristal das horas breves;
mas virá manhã mais lúcida
sobre os homens e seus medos.
E então, face contra face,
como rios no oceano,
todo enigma se desfaça
nas mãos claras do Eterno.
Ficam fé e esperança
como estrelas sobre o mundo;
mas o amor — ave imensa —
voa além do céu profundo.
Porque Deus, quando fez a alma
e acendeu seus firmamentos,
deu ao amor sua própria chama
para viver nos sentimentos...
”
―
Newton Jayme
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“
A FLOR E O ABISMO
Na mão, eu trouxe a flor das madrugadas,
A flor febril dos pálidos vergéis;
Trazia o sangue rúbeo das romãs
E o incêndio triste dos ocasos fiéis.
Era a tua cor! — A mesma, a mesma
Que eu via arder nos céus do teu olhar,
Quando tua alma, em cânticos submersa,
Fazia a noite inteira soluçar.
Abriam-se os balcões da ventania...
Dormia a lua em túnicas de gás...
E eu caminhava — espectro da saudade —
Levando o coração como um rapaz
Leva aos altares a primeira espada
Antes da guerra lhe rasgar a paz.
Ó minha amada! Quantos cemitérios
Cabem na sombra de uma despedida?
Quantas auroras morrem silenciosas
No breve espaço de uma mão perdida?
Teu nome, outrora, era um sino de ouro
Banhando a tarde em vibrações de mel;
Hoje é apenas ave ensanguentada
Batendo as asas pelas grades do céu.
Eu te encontrei.
Teu rosto era mais pálido que a névoa
Que sobe aos montes quando o inverno vem.
Havia em teus cabelos a tristeza
Das catedrais que não recebem ninguém.
Então calei.
Porque há dores que possuem templos
Onde a palavra humana não entrou.
E a própria lágrima, cansada e fria,
Ajoelha-se aos pés de quem amou.
Deixei a flor sobre a madeira escura.
Tu não sorriste.
Mas teus dedos lentos
Tocaram suas pétalas cansadas
Como quem toca ruínas e fragmentos.
Depois parti.
A noite abriu as asas sobre a rua;
Os lampiões tremiam de terror...
E eu fui sozinho, carregando o destino
Como um navio afunda o próprio amor.
”
―
Newton Jayme
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“
ONLINE PRA VOCÊ, MEU AMOR
Quero viver de esperança
Como quem espera o “online”
Na fumaça azul da tela
Quando teu nome reluz enfim
Quero tremer no teu toque
Quando o celular vibrar
Como a janela na chuva
Quando o vento vem chamar
Teu cabelo solto à noite
Tem cheiro de pôr do sol
E entre luzes da avenida
Teu olhar me deixa só
Moça feita de mistério
Filtro, fumaça e neon
Teu silêncio tem a calma
De uma canção em lo-fi bom
Quando apareces na timeline
O mundo inteiro desfaz
Até a lua perde o brilho
Só pra te seguir em paz
Teus dedos no velho teclado
São constelações no ar
Cada mensagem que escreves
Faz meu coração te amar
E quando mandas um áudio
Com essa voz de verão
As flores morrem de inveja
Dos carinhos da tua mão
Ah, se um dia teus lábios
Parassem sobre os meus
Eu trocava mil futuros
Pela febre desse adeus
Porque amar virou incêndio
No visor da solidão
Difícil é sobreviver
Depois da última conexão
Quero viver de esperança
Mesmo sabendo perder
Pois quem já dormiu nos teus braços
Não consegue esquecer
E se a vida me apagasse
Como um story no clarão
Teu nome ainda bateria
Notificação no coração.
”
―
Newton Jayme
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“
Sinto falta de você
não da ausência comum
dessas que o tempo dissolve
entre copos e domingos.
Sinto falta
do jeito exato
como teu silêncio
encostava no meu peito
sem pedir tradução.
A casa continua inteira,
mas os objetos perderam
a utilidade da alegria.
O corredor guarda gemidos,
o lençol desaprendeu
a linguagem das manhãs,
e o café esfria sozinho
na metade da conversa.
Sinto falta dos seus braços
não como abrigo —
abrigo qualquer inverno oferece —
mas como quem segura o mundo
sem apertar demais.
Havia uma calma rara
na curva do teu abraço:
fé e vertigem
dividindo o mesmo corpo.
Agora a noite cresce
pelos cantos da sala,
e eu caminho dentro dela
como quem procura mar
numa cidade sem vento.
Se você voltasse hoje,
não haveria discurso.
Só esse silêncio imenso
ajoelhado entre nós
feito música
esperando coragem.
Sinto falta de você,
dos seus braços
que ainda moram
na memória do meu corpo.
”
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“
A verdadeira Escritura é gravada
pelo Espírito Santo nas tábuas do coração.
”
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“
Quem se entrega ao amor
também sangra poesia,
faz do peito um abrigo
contra a noite fria.
Carrega nos olhos
tempestades e luz,
cai mil vezes no mundo,
mas o afeto conduz.
E canta —
mesmo quando a dor desafina,
mesmo quando o silêncio domina.
Canta,
porque amar é revolução,
é fogo aceso na escuridão.
Quem tece o amor
não vive pela metade,
rasga muros com flores,
vence a brutalidade.
Transforma lágrimas
em rios de resistência,
faz do abraço um abrigo,
da palavra, permanência.
E canta —
com a força de quem não recua,
com a alma inteira, crua.
Canta,
porque o amor quando vira canção
faz tremer o chão do coração.
No fim,
ficam os versos no vento,
o eco de um sentimento
que ninguém conseguiu calar.
Porque quem se entrega ao amor
nunca canta sozinho —
leva o mundo inteiro
dentro da voz e do caminho.
”
―
Newton Jayme
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“
Quem tece o amor
não trabalha apenas com fios —
costura ausências,
remenda medos,
e borda esperança
no peito do tempo.
Cada gesto é um verso escondido,
cada silêncio, uma rima suave
que só os corações atentos conseguem ler.
Há poesia nas mãos que esperam,
nos olhos que permanecem,
na ternura que insiste
mesmo depois das tempestades.
Porque amar
é escrever sem tinta,
é deixar poemas vivos
na memória de alguém.
E quem aprende a amar assim
transforma a própria existência
num livro de delicadezas eternas.
”
―
Newton Jayme
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“
Alegra-te… Alegra-te…
Luz da manhã de Deus…
Alegra-te… Alegra-te…
Santa Mãe do Senhor…
Jesus de Nazaré,
Deus encarnado,
meu Libertador!
Tu és mais bendita
entre todas as mulheres,
e mais bendito é ainda
o fruto santo do teu ventre.
Jesus! Jesus! Jesus!
De onde me vem
tamanha graça e honra:
vir ao meu encontro
a Mãe do meu Senhor?
Jesus! Jesus! Jesus!
Porque, como bem vês,
desde que tua saudação
tocou meus ouvidos,
a vida estremeceu de alegria
dentro do meu seio,
em minha história,
em meu eterno viver…
Bem-aventurada és tu,
que acreditaste no impossível,
pois o Senhor fez florescer
a promessa em teu silêncio,
em tua adoração,
em teu servir.
Bem-aventurada és tu,
morada viva do Eterno,
aurora onde o céu
beijou a terra.
Tua voz chegou
como rio de paz
atravessando o deserto,
e o menino oculto
dançou no ventre
ao reconhecer o Salvador.
Teu “sim”
abriu janelas na história
e fez do mundo
um berço para a Luz.
Jesus! Jesus! Jesus!
Ó Maria…
Filha amada de Sião,
tabernáculo de Jesus,
templo do Espírito,
jardim fechado de Deus…
Em ti, a esperança
aprendeu a ter rosto,
e o Verbo Criador
vestiu nossa humanidade.
Jesus! Jesus! Jesus!
Glória ao Pai,
fonte do Amor.
Glória ao Filho,
Jesus Salvador.
Glória ao Espírito Santo,
fogo que gera a vida.
Como era no princípio,
agora e sempre,
pelos séculos eternos.
Amém…
Amém…
Amém…
Aleluia!
Louvai a Javé!
Grande Eu Sou!
Deus É!
”
―
Newton Jayme
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“
ESTOU COM SAUDADE DO AMOR
Teu perfume ficou suspenso
Nas linhas sensíveis do cobertor
Como a noite demorando
Pra aceitar que te levou
Teu olhar atravessava
As lembranças da rotina
E o relógio desaprendia
A pressa triste dos dias
Estou com saudade do amor,
não da falta que ele faz,
mas da delicadeza absurda
de existir na tua paz.
De dormir e acordar
nos teus cuidados,
como se o mundo inteiro
coubesse no teu abraço.
Estou com saudade do amor
Do mundo perdendo a pressa
Quando tua boca inventava
Outra forma de ternura
Teu vestido no corredor
Era quase uma canção
Dessas que ninguém entende
Mas mudam a respiração
E havia um mar invisível
Debaixo da tua pele
Eu mergulhava devagar
Só pra não ferir a noite
Estou com saudade do amor
Da luz pousada no rosto
Do instante em que teus olhos
Desarmavam o meu desalento
Estou com saudade do amor
Do teu afeto sem ruído
Como chuva fina na madeira
Como domingo depois do vinho
Volta sem anúncio
Sem promessas pra cumprir
Só traz teu coração cansado
Que o meu ainda sabe abrir
E se o tempo perguntou por nós
Eu digo sem me esconder:
Alguns amores permanecem
Mesmo depois de desaparecer.
”
―
Newton Jayme
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“
Ó mulher, teu nome sobe à noite escura
como um sino partido sobre o mar!
E eu, pobre alma em febre e desventura,
fico à margem do mundo a te chamar.
Não esse amor de renda e porcelana,
feito pra salões, perfumes e vitrais —
mas este amor de carne soberana,
que sangra, sua e não dorme jamais.
Eu te amo assim: nas horas devastadas,
quando o céu pesa em chumbo sobre os ombros
e as cidades parecem condenadas
a mastigar seus próprios escombros.
Amo-te quando o riso te abandona
e a beleza se despe sem defesa;
quando a vida, brutal e monotona,
te acorrenta à vulgar tristeza.
Porque há no teu cansaço uma grandeza
que os anjos não conheceriam ter.
Eles não sabem dessa natureza
de continuar vivendo sem vencer.
Ah! deixa os poetas de jardim e lua
cantarem bocas, flores e cetins —
eu quero a humanidade amarga e nua
que há nos teus olhos fundos de ruins.
Quero teu pranto áspero, incontido,
teu medo do futuro e da manhã,
o teu sonho já quase demolido
pela engrenagem cega e cotidiana.
E se eu morrer — porque os amantes morrem
como morrem soldados e navios —
há de ficar nos quartos por onde correm
nossos silêncios fundos e tardios
um resto da fumaça dos abraços,
um sussurro da tua voz entre os lençóis,
como ficam nas igrejas os pedaços
da oração que ninguém termina após.
Ó mulher!
Amar-te é isto:
não alcançar o céu —
mas impedir o inferno.
”
―
Newton Jayme
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“
Porque amar, descobri tarde,
não é essa coragem de cinema.
É ficar.
Mesmo quando o corpo pede estrada,
mesmo quando a cidade inteira
parece chamar nosso nome errado.
Amar é aprender o horário
do outro silêncio.
E respeitar.
Tem noites em que você
dorme virada pra parede
e eu quase pergunto
se ainda somos nós.
Mas aí você ronca baixinho,
coisa mínima, desafinada, humana —
e eu lembro que o amor
talvez seja só isso:
duas pessoas exaustas
dividindo o mesmo inverno
sem deixar a janela bater.
”
―
Newton Jayme
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“
A mãe acorda o mundo
sem fazer barulho.
Move a manhã
com as mãos ainda cansadas,
como quem empurra o sol
devagar para dentro da casa.
Há nos seus gestos
uma ciência antiga:
dobrar o medo em quatro,
guardar a febre no bolso,
e inventar coragem
com restos de noite.
Mãe não é abrigo —
é a chuva inteira
aprendendo a cair mansa.
Tem olhos
de quem já perdeu coisas
que ninguém viu cair.
E mesmo assim
rega as plantas,
ri das pequenas tragédias do dia,
costura o tempo
com linha invisível.
Quando o filho parte,
ela fica pela casa
como uma luz acesa
em outro cômodo:
não chama,
não impede,
apenas permanece.
E há algo quase sagrado
na sua fadiga silenciosa —
esse jeito de amar
sem transformar o amor
em espetáculo.
As mães sabem desaparecer
dentro do que cuidam.
Mas deixam sinais:
o cheiro no travesseiro,
a fruta cortada sobre a mesa,
o nome da gente
dito como quem salva.
”
―
Newton Jayme
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“
FOTOSSÍNTESE DO AMOR
Alimento a vida que respira,
como quem reconhece no chão
o destino do próprio corpo,
e ainda assim acende manhãs
com as mãos abertas ao tempo.
Há uma alma silenciosa
aprendendo a respirar claridade...
Faz do amor sua fotossíntese,
transmuta a ausência em seiva,
faz raiz do que era efêmero,
e floresce onde a dor passeia.
Ah, eu devoro os dias devagar,
antes que o instante se desfaça,
vou modelando o invisível em mim
como quem transforma a vida em graça.
Eu bebo os dias devagar,
como quem prova o instante
antes que se desfaça,
e em cada gesto guardo o mundo
no mármore bruto da existência.
E o tempo adormece paciente,
mas eu insisto em ser claridade...
Faz do amor sua fotossíntese,
transmuta a ausência em seiva,
faz raiz do que era efêmero,
e floresce onde a dor passeia.
Ah, eu devoro os dias devagar,
antes que o instante se desfaça,
vou moderando o invisível em mim
como quem transforma a vida em graça.
Não pra deter o fim que vem,
nem pra negar o que se apaga,
mas pra deixar na curva do tempo
um gesto vivo que não se acaba...
Faz do amor sua fotossíntese,
mesmo quando o mundo cansa,
faz do instante eternidade
no sopro breve da esperança.
Ah, que reste no beijo um traço,
mesmo quando o corpo for memória,
pois viver é esculpir no tempo
um sopro breve de história.
E quando a última tarde fechar os olhos
sobre os telhados do mundo,
quero partir como árvore madura,
derrubando sementes no vento.
Porque o amor que se fez luz em silêncio
não morre na ferrugem das horas:
permanece respirando
em outros corações,
feito sol escondido na aurora.
E se um dia
perguntarem quem fui,
digam apenas:
alguém que atravessou a noite
acendendo estrelas e vida
naquilo que parecia ruína.
”
―
Newton Jayme
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“
VARANDA
Eu te aguardei
na virada morna do rio,
onde a tarde desata
os cabelos no capim,
e o vento, bêbado de folhas,
batia nas janelas do horizonte,
como quem pede abrigo
pra uma saudade sem nome.
Eu te esperei
com a paciência das pedras,
que guardam chuva antiga
no fundo escuro do musgo,
e cada minuto teu
era um pássaro cego,
ferindo devagar
os vidros do meu silêncio.
Ah, meu amor,
há mares que cabem
dentro de um copo vazio,
e há pessoas
que atravessam a vida da gente
como lua atravessa água:
sem nunca se partir.
Teu corpo tinha
o cheiro das casas acesas
quando a noite começa
a doer nas cidades,
e tua voz —
essa varanda
de sal sobre o abismo —
fazia o mundo parecer
menos exílio.
Hoje caminho
pelas ruas do teu esquecimento,
como quem colhe estrelas
num jardim incendiado,
porque amar você
foi aprender
que algumas flores
nascem apenas
para sangrar perfume.
”
―
Newton Jayme
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“
BENDITAS SEJAIS, MAMÃES!
No fundo da panela
o dia principia,
teu silêncio temperando
a fome e a ventania.
A casa era pequena,
mas cabia o mundo inteiro
quando tua voz surgia
feito água em fevereiro.
Teu amor nunca fez festa,
nunca pediu atenção,
era um lampião aceso
na varanda da aflição.
Enquanto o tempo corria
feito bicho assustadiço,
tu bordavas esperança
no avesso do serviço.
Benditas sejais,
mulheres de barro e clarão,
que aprendem o peso exato
de sustentar um coração.
Benditas sejais,
rio fundo sem alarde,
que atravessa nossas noites
e amanhece em toda tarde.
Quando a vida me feriu
com seus dentes de cansaço,
foi teu colo — terra úmida —
me ensinando outro compasso.
Nem sermão, nem profecia,
nem palavra decorada:
só teu jeito de esquecer-se
pra deixar minha alma inteira.
Há um país dentro das mães
que ninguém fotografou:
uma república de afetos
que o mundo ainda não nomeou.
Onde o pão divide a culpa,
onde o medo vira canto,
onde até o desespero
dorme um pouco no acalanto.
Benditas sejais,
mulheres de barro e clarão,
que aprendem o peso exato
de sustentar um coração.
Benditas sejais,
rio fundo sem alarde,
que atravessa nossas noites
e amanhece em toda tarde.
E quando o tempo levar
tuas mãos da minha mesa,
vai ficar no ar da casa
uma espécie de beleza.
Como um café passando lento,
como chuva no quintal,
como Deus andando descalço
pelos cômodos do final.
Benditas...
as mães que ninguém percebe
até faltar sua luz.
Porque amor, às vezes,
é só alguém
carregando o mundo
sem fazer barulho.
”
―
Newton Jayme
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“
ÀS MÃES
Ó mães! — estrelas trêmulas da terra,
Ânforas vivas de divina entrega e dor!
Quando passa a tormenta sobre os homens,
sois vós quem ficais, imóveis, no labor.
Há no vosso olhar qualquer coisa de abismo,
qualquer coisa de céu depois do mar;
como se Deus, cansado de infinito,
vos desse os filhos para descansar.
Vós tendes mãos de aurora e de batalha.
No vosso peito o mundo vai bater.
Se o século levanta as suas forcas,
sois vós que ensinais a renascer.
Mãe! — nome breve como um sino à tarde,
mas dentro dele dormem multidões:
o pão repartido entre a miséria,
o fogo aceso contra os vendavais,
e essa coragem muda, essa presença
que faz do pranto um campo de trigais.
Eu vos contemplo à luz das cozinhas pobres,
rainhas sem coroa e sem brasão,
curvadas sobre a roupa e sobre os sonhos,
lavando o medo do pequeno irmão.
Há epopeias no rumor das panelas,
há catedrais no barro de vossas mãos.
Oh! benditas sejais, mulheres insondáveis,
que atravessais a noite sem dormir,
guardando o sono frágil das crianças
como quem guarda um país por construir.
E quando o mundo — velho barco ébrio —
rompe os mastros na fúria dos trovões,
é vosso amor que fica iluminando
as ruínas, os portos, os clarões.
Porque mãe não é apenas quem gera:
é quem sustenta o sol dentro do peito
para que os filhos, mesmo em pleno inverno,
não desaprendam nunca o rumo e o leito.
Ó mães! — se existe um Deus acima das nuvens,
decerto aprende convosco a perdoar...
Pois só vós sabeis transformar a carne
na mais difícil forma de se domar e amar.
”
―
Newton Jayme
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“
O POÇO
As mulheres chegam
com latas, panos e cansaços,
deixando na borda
o peso inteiro da tarde.
Há uma tristeza mansa
morando naquele poço:
água parada
que conhece pelo nome
todas as secas.
Mas quando vieste,
meu amor,
até a lama brilhou.
Teus pés desceram o barranco
como quem entra
numa igreja antiga,
e tua voz tocou a superfície escura
como chuva inaugurando agosto.
Então compreendi:
há pessoas
que não matam a sede —
cavam.
E depois partem,
deixando dentro da gente
uma cacimba funda
onde a saudade
aprende a beber.
”
―
Newton Jayme
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“
Alimento a vida que respira,
como quem reconhece no pó
o destino do próprio corpo,
e ainda assim acende manhãs
com as mãos abertas ao tempo.
Há uma alma — silenciosa —
que aprende a respirar luz,
fazendo do amor sua fotossíntese:
transmuta a ausência em seiva
e o efêmero em raiz.
Bebo os dias devagar,
como quem prova o instante
antes que se desfaça,
e em cada gesto talho o invisível
no mármore bruto da existência.
Não para deter o fim —
que vem, paciente —
mas para que reste, no toque,
a curva de algo que viveu
como arte, antes de ser memória.
”
―
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Cada dia me forma
e me desfaz na mesma medida.
”
―
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“
Todo amanhecer me reorganiza;
todo anoitecer me diminui.
”
―
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“
Cada dia é mais um amanhecer que me constrói,
e menos um pôr do sol que me consome.
”
―
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“
O amor começa onde
o ego aprende a morrer.
”
―
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“
Quem se encontra com o amor
se divorcia das próprias ilusões.
”
―
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“
O amor não nos liberta de nós mesmos;
ao contrário, abre o caminho
para o nosso próprio encontro.
”
―
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“
O amor não é fuga de si, mas travessia —
e, ao fim dela, estamos nós.
”
―
Newton Jayme
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Newton Jayme
Membro desde:
12/03/2013
Frase do Dia
“
As ações são corretas na medida em que tendem a promover a felicidade, erradas na medida em que tendem a promover o reverso da felicidade.
”
—
Stuart Mill
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