Frase de Newton Jayme
 | “ INTERIOR DA GENTE Procurei-te nas arquiteturas do murmúrio, nos tetos altos onde a voz sobe e volta menor. Procurei-te na multidão — no atrito dos ombros, na soma das respirações, no rumor de pedidos que não eram meus. Ergui os olhos para a natureza como quem espera um gesto: o vento moveu as folhas, mas não assinou teu nome. Então suspeitei do erro: talvez eu te buscasse como se fosses objeto perdido, e não presença. Havia um quarto fechado em mim. Não trancado por ti — por medo. Medo de silêncio, porque o silêncio não aplaude. Medo de olhar para dentro e encontrar apenas pó e perguntas. Sentei-me no chão desse quarto. Fiquei. Sem promessa, sem música, sem plateia. E algo começou não como clarão, mas como brasa discreta que não pede espetáculo para aquecer. Não era um outro. Era um dentro vivo. Quando levantei, o templo ainda era pedra, a multidão ainda era ruído, a árvore ainda era árvore — mas eu já não estava vazio. E foi assim que te encontrei em tudo: não porque tudo gritasse teu nome, mas porque meu coração, finalmente aceso, sabia reconhecê-lo na respiração do irmão, na falha do dia, no peso e na ternura de existir. Descobri, então, que o lugar mais sagrado do mundo não é o que se visita — é o que se torna.” |
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