Frase de Newton Jayme

Frase adicionada por Newton-Jayme em 24/02/2026


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INTERIOR DA GENTE

Procurei-te nas arquiteturas do murmúrio,
nos tetos altos onde a voz sobe
e volta menor.

Procurei-te na multidão —
no atrito dos ombros,
na soma das respirações,
no rumor de pedidos 
que não eram meus.

Ergui os olhos para a natureza
como quem espera um gesto:
o vento moveu as folhas,
mas não assinou teu nome.

Então suspeitei do erro:
talvez eu te buscasse
como se fosses objeto perdido,
e não presença.

Havia um quarto fechado em mim.
Não trancado por ti —
por medo.

Medo de silêncio,
porque o silêncio não aplaude.
Medo de olhar para dentro
e encontrar apenas pó e perguntas.

Sentei-me no chão desse quarto.
Fiquei.
Sem promessa, sem música,
sem plateia.

E algo começou
não como clarão,
mas como brasa discreta
que não pede espetáculo para aquecer.

Não era um outro.
Era um dentro vivo.

Quando levantei,
o templo ainda era pedra,
a multidão ainda era ruído,
a árvore ainda era árvore —
mas eu já não estava vazio.

E foi assim que te encontrei em tudo:
não porque tudo gritasse teu nome,
mas porque meu coração, finalmente aceso,
sabia reconhecê-lo
na respiração do irmão,
na falha do dia,
no peso e na ternura de existir.

Descobri, então,
que o lugar mais sagrado do mundo
não é o que se visita —
é o que se torna. (Newton Jayme)
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