Frase de Newton Jayme
 | “ VENTOS E VELAS O amor é vento — não nasce das mãos humanas, nem obedece aos mapas que traçamos sobre mesas iluminadas por lamparinas tardias. Ele sopra sobre campos vastos, onde o trigo se curva como se rezasse, e atravessa cidades onde janelas fechadas escondem corações que fingem não esperar. Há quem o negue, como se negar o vento impedisse a tempestade. Há quem o tema, como se amar fosse lançar-se a um mar sem margens. Mas o amor não pede licença. Ele toca primeiro o silêncio — esse lugar profundo onde guardamos nossas verdades mais nuas. E então compreendemos: não se trata de invocá-lo, mas de estar desperto quando ele vier. Porque o vento pode passar por um barco ancorado para sempre no medo. Pode inflar velas esquecidas, ou encontrar mastros partidos pela descrença. É preciso ajustar as velas. Não as velas da vaidade, que rasgam ao primeiro vendaval, mas as velas tecidas com paciência, com perdão, com a humilde coragem de quem aceita que amar é também sofrer e ainda assim permanecer. O instante exato não é anunciado por sinos. Ele chega como chegam as estações: imperceptível no começo, inevitável quando já mudou a paisagem. E se estivermos atentos — se tivermos aprendido com as perdas, se tivermos reconciliado nossas sombras — o vento encontrará em nós direção. Então o barco parte. Não porque domina o mar, mas porque aceita sua vastidão. Não porque sabe o destino, mas porque confia na travessia. E nesse movimento — entre o sopro que vem do invisível e as mãos que ajustam as cordas — o amor deixa de ser acaso e torna-se escolha.” |
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