Frase de Newton Jayme

Frase adicionada por Newton-Jayme em 23/02/2026

Newton Jayme
VENTOS E VELAS

O amor é vento —
não nasce das mãos humanas,
nem obedece aos mapas que traçamos
sobre mesas iluminadas por lamparinas tardias.

Ele sopra sobre campos vastos,
onde o trigo se curva como se rezasse,
e atravessa cidades onde janelas fechadas
escondem corações que fingem não esperar.

Há quem o negue,
como se negar o vento impedisse a tempestade.
Há quem o tema,
como se amar fosse lançar-se
a um mar sem margens.

Mas o amor não pede licença.
Ele toca primeiro o silêncio —
esse lugar profundo onde guardamos
nossas verdades mais nuas.

E então compreendemos:
não se trata de invocá-lo,
mas de estar desperto quando ele vier.

Porque o vento pode passar
por um barco ancorado para sempre no medo.
Pode inflar velas esquecidas,
ou encontrar mastros partidos pela descrença.

É preciso ajustar as velas.

Não as velas da vaidade,
que rasgam ao primeiro vendaval,
mas as velas tecidas com paciência,
com perdão,
com a humilde coragem de quem aceita
que amar é também sofrer
e ainda assim permanecer.

O instante exato não é anunciado por sinos.
Ele chega como chegam as estações:
imperceptível no começo,
inevitável quando já mudou a paisagem.

E se estivermos atentos —
se tivermos aprendido com as perdas,
se tivermos reconciliado nossas sombras —
o vento encontrará em nós direção.

Então o barco parte.

Não porque domina o mar,
mas porque aceita sua vastidão.
Não porque sabe o destino,
mas porque confia na travessia.

E nesse movimento —
entre o sopro que vem do invisível
e as mãos que ajustam as cordas —
o amor deixa de ser acaso

e torna-se escolha.


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VENTOS E VELAS

O amor é vento —
não nasce das mãos humanas,
nem obedece aos mapas que traçamos
sobre mesas iluminadas por lamparinas tardias.

Ele sopra sobre campos vastos,
onde o trigo se curva como se rezasse,
e atravessa cidades onde janelas fechadas
escondem corações que fingem não esperar.

Há quem o negue,
como se negar o vento impedisse a tempestade.
Há quem o tema,
como se amar fosse lançar-se
a um mar sem margens.

Mas o amor não pede licença.
Ele toca primeiro o silêncio —
esse lugar profundo onde guardamos
nossas verdades mais nuas.

E então compreendemos:
não se trata de invocá-lo,
mas de estar desperto quando ele vier.

Porque o vento pode passar
por um barco ancorado para sempre no medo.
Pode inflar velas esquecidas,
ou encontrar mastros partidos pela descrença.

É preciso ajustar as velas.

Não as velas da vaidade,
que rasgam ao primeiro vendaval,
mas as velas tecidas com paciência,
com perdão,
com a humilde coragem de quem aceita
que amar é também sofrer
e ainda assim permanecer.

O instante exato não é anunciado por sinos.
Ele chega como chegam as estações:
imperceptível no começo,
inevitável quando já mudou a paisagem.

E se estivermos atentos —
se tivermos aprendido com as perdas,
se tivermos reconciliado nossas sombras —
o vento encontrará em nós direção.

Então o barco parte.

Não porque domina o mar,
mas porque aceita sua vastidão.
Não porque sabe o destino,
mas porque confia na travessia.

E nesse movimento —
entre o sopro que vem do invisível
e as mãos que ajustam as cordas —
o amor deixa de ser acaso

e torna-se escolha. (Newton Jayme)
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