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Newton Jayme
Coleção de Frases e Pensamentos de
Newton Jayme
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1.974 frases
“
DOM PEDRO II, INJUSTO EXÍLIO
Espavorida agita-se a criança,
de noturnos fantasmas com receio;
mas, se abrigo lhe dá materno seio,
fecha os doridos olhos e descansa.
Assim também minh’alma, peregrina,
carrega em silêncio a despedida;
perdeu-se no caminho desta vida
a esperança que outrora era divina.
Ó amada Pátria, longe de teus braços,
guardo no peito a terra que me deste;
um punhado de chão, último enlace,
onde meu sonho enfim encontre paz.
Se o sono vier sereno ao meu jazigo,
e a noite apagar minhas lembranças,
como a criança no colo amigo,
dormirei embalado por esperanças.
Perdido é para mim todo o desejo
de voltar ao Brasil que me acolheu;
mas a terra querida que me deu
será meu abrigo na bonança.
E entre visões de paz, de luz e glória,
sem medo das sombras do caminho,
ouvirei a canção da eterna história
como um pássaro cantando baixinho.
E entre visões de paz, de luz, de glória,
sereno aguardarei no meu jazigo;
Deus escreverá na história humana
a sentença final dos meus algozes.
Na voz do tempo, clara e soberana,
quando a verdade romper toda a escuridão,
Deus escreverá na história humana
a última palavra da redenção.
”
―
Newton Jayme
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“
A GEOGRAFIA DA PELE
Eu vim de longe do meu próprio cais,
trazendo mares que eu não atravessei,
carregando os nomes dos meus temporais
e as cicatrizes que eu nunca contei.
Você chegou sem pedir morada,
como a manhã invade o quintal,
tirou poeira da minha estrada
com uma delicadeza quase mineral.
Teu olhar tem a cor das coisas raras,
das pedras que o rio escolhe lapidar,
é uma pergunta acesa nas águas claras
que o meu silêncio aprende a escutar.
Eu sou um mapa feito de enganos,
você é o caminho que eu não desenhei,
meu coração, velho artesão de danos,
fez uma casa onde eu nunca morei.
E se o amor for essa chama estranha
que ilumina sem querer possuir,
eu quero ser a terra que acompanha
a semente que decide florir.
Não quero o tempo preso em fotografia,
nem juramento escrito sobre o chão,
quero a vertigem da nossa alquimia
misturando céu, barro e coração.
Que a vida passe com suas marés,
que leve o medo que aprendi a guardar,
porque amar é deixar que os pés
encontrem outro jeito de caminhar.
”
―
Newton Jayme
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“
O sol acordou no meio da noite,
trazendo ao quarto a luz que faltava,
era um amor perdido no tempo,
uma saudade que ainda brilhava.
A lua guardava segredos antigos,
nas águas calmas do meu olhar,
e o vento escrevia teu nome baixinho
nas folhas cansadas do meu caminhar.
Eu te encontrei quando tudo dormia,
quando o silêncio beijava a solidão,
você era estrela descida do céu,
morando escondida no meu coração.
O sol acordou no meio da noite,
só para ver teu rosto amanhecer,
como se o mundo parasse um instante
para aprender novamente a viver.
E quando teus olhos tocaram os meus,
o tempo perdeu sua direção,
a noite virou jardim de delícias,
e a sombra virou canção.
Se amar é carregar um infinito,
eu carrego você sem medo de ir,
porque há luzes que nascem no escuro
só para ensinar a alma a sorrir.
O sol acordou no meio da noite,
porque encontrou onde descansar:
no calor dos teus braços, meu amor,
no lugar onde sempre quis morar.
O sol acordou no meio da noite,
porque encontrou onde descansar:
no calor dos teus braços, meu amor,
no lugar onde sempre quis morar.
”
―
Newton Jayme
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“
Quando o silêncio veste a madrugada,
E o céu se acende em luz celestial,
Abro a janela, a alma iluminada,
Buscando um sonho eterno e imortal.
As estrelas contam seus segredos,
Em notas leves que o coração traduz.
Quem vive preso ao medo e aos enredos
Nunca verá a força dessa luz.
Há quem diga que é ilusão,
Que o infinito nunca fala.
Mas quem escuta o coração
Encontra a voz que nunca cala.
Ouço estrelas quando o amor me guia,
Cada brilho canta uma canção.
Na imensidão renasce a poesia,
Feita de esperança e emoção.
Só quem ama entende o firmamento,
Lê no céu o que ninguém vê.
Pois o universo guarda, a todo momento,
Mil respostas para quem sabe crer.
Quando o sol desperta o horizonte,
Leva consigo o encanto da visão.
Mas fica acesa, além do monte,
A luz eterna dentro do coração.
Mesmo escondidas pela claridade,
Sei que elas continuam a brilhar.
Como o amor, que vence a saudade
E nunca deixa de nos acompanhar.
Se perguntarem por que conversamos,
Se há palavras perdidas no luar,
Direi que apenas
quando verdadeiramente amamos
Aprendemos, enfim, a escutar.
Ouço estrelas quando o amor me guia,
Cada brilho canta uma canção.
Na imensidão renasce a poesia,
Feita de esperança e emoção.
Só quem ama entende o firmamento,
E transforma a noite em claridade.
Pois ouvir estrelas é, no sentimento,
Descobrir o infinito da verdade.
Feche os olhos... ouça o céu cantar.
As estrelas sempre falaram.
Era o amor que ainda faltava para escutar.
”
―
Newton Jayme
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“
INTERVALO
Havia um nome
que o tempo tentou apagar,
como quem escreve na areia
antes da maré chegar.
Mas o coração,
teimoso,
errante,
navegante,
guardou em silêncio
o que a memória já não alcançava.
Esquecer
era apenas uma névoa
sobre o espelho do rio;
o amor permanecia,
respirando o invisível.
Procurei-te
em retratos sem voz,
nas estações do inverno,
nos verões de nós.
E cada olhar,
mesmo sem reconhecer,
abria uma janela
por onde o sol voltava a nascer.
Porque a paixão
não habita apenas a lembrança;
aprende também
a florescer na esperança.
Se o mundo apagar
cada página da história,
que a alma escreva de novo
o que fugiu da memória.
Há amores
que o tempo não desfaz;
adormecem no esquecimento,
mas despertam
ao primeiro abraço de paz.
E quando teu nome
voltar a florescer em mim,
descobriremos, sorrindo,
que esquecer
jamais foi o fim.
Foi apenas
o intervalo
entre dois corações
que nunca,
nem por um instante,
deixaram de se encontrar.
”
―
Newton Jayme
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“
Quando o silêncio veste a madrugada,
E o céu se acende em luz celestial,
Abro a janela, a alma iluminada,
Buscando um sonho eterno e imortal.
As estrelas contam seus segredos,
Em notas leves que o coração traduz.
Quem vive preso ao medo e aos enredos
Nunca verá a força dessa luz.
Há quem diga que é ilusão,
Que o infinito nunca fala.
Mas quem escuta o coração
Encontra a voz que nunca cala.
Ouço estrelas quando o amor me guia,
Cada brilho canta uma canção.
Na imensidão renasce a poesia,
Feita de esperança e emoção.
Só quem ama entende o firmamento,
Lê no céu o que ninguém vê.
Pois o universo guarda, a todo momento,
Mil respostas para quem sabe crer.
Quando o sol desperta o horizonte,
Leva consigo o encanto da visão.
Mas fica acesa, além do monte,
A luz eterna dentro do coração.
Mesmo escondidas pela claridade,
Sei que elas continuam a brilhar.
Como o amor, que vence a saudade
E nunca deixa de nos acompanhar.
Se perguntarem por que conversamos,
Se há palavras perdidas no luar,
Direi que apenas quando verdadeiramente amamos
Aprendemos, enfim, a escutar.
Ouço estrelas quando o amor me guia,
Cada brilho canta uma canção.
Na imensidão renasce a poesia,
Feita de esperança e emoção.
Só quem ama entende o firmamento,
E transforma a noite em claridade.
Pois ouvir estrelas é, no sentimento,
Descobrir o infinito da verdade.
Feche os olhos... ouça o céu cantar.
As estrelas sempre falaram.
Era o amor que ainda faltava para escutar.
”
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“
Não sei por que teu nome em mim floresce,
Qual luz que insiste ao fim da tarde fria;
Na frase que um caderno em vão oferece,
Renasce a antiga e doce melodia.
Na voz do mar, que as duras rochas beija,
E deixa à praia um cântico profundo,
Meu peito, em sua solidão, deseja
Buscar teu vulto pelos céus do mundo.
Nos bares, pelas ruas e nas flores,
No canto em que o casal de aves se chama,
Vejo surgir teus gestos, teus fulgores.
E quando a prece o coração derrama,
Descubro, entre saudades e clamores:
A ausência é o outro nome de quem ama.
”
―
Newton Jayme
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“
Não sei por que de ti me vem lembrança,
Qual astro a fulgurar na noite escura;
Nas folhas de um caderno a doce esperança
Revive em sonhos de celeste alvura.
Na voz do mar, que as penhas beija e chora,
Banhando a praia em lânguido lamento,
Escuto a tua voz, que se evapora
Nas asas fugitivas do silêncio.
Nas flores que o caminho ainda enfeitam,
Nos bares onde a noite acende a vida,
E nas canções que os passarinhos deitam,
Vejo passar tua alma enternecida.
E a prece, oculta, aos céus de amor se eleva:
Quem perde um grande amor jamais o esqueça.
”
―
Newton Jayme
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“
Por que, Senhor, se em tudo te diviso,
Se o mundo inteiro teu perfil encerra?
Teu nome é a luz que desce ao paraíso,
Teu vulto é a flor que perfuma a terra.
Se abro um caderno, a página suspira;
Se leio o amor, teu rosto vem sorrindo;
Se o mar nas rochas seu clamor atira,
É tua voz que escuto ao longe, vindo.
À noite, à luz das lâmpadas da rua,
Nos velhos bares de canções e vinho,
Vejo passar a sombra branca e tua.
E quando um pássaro, em saudoso ninho,
Chama o seu par sob a amplidão da lua,
Meu peito chora o teu deserto caminho.
Então compreendo a prece que se eleva
Dos corações feridos pela sorte:
Quem ama traz consigo a eterna treva,
Mas faz do amor um sol mais forte que a morte.
”
―
Newton Jayme
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“
Olhei teu rosto.
Nada disse.
A tarde ficou suspensa no ar.
Teu sorriso respondeu por dentro,
como um rio que aprende o mar.
Não foi destino.
Nem foi acaso.
Foi uma porta sem dobradiça,
abrindo espaço entre dois silêncios
onde a vida perdeu o rumo da pressa.
Não éramos metades perdidas,
nem peças de um velho desenho.
Éramos duas almas acesas,
reconhecendo o mesmo desejo
e pensamento.
Desde aquele instante breve,
a solidão fez as malas sem falar.
Dois inteiros dividiram o infinito,
sem que um precisasse se anular.
Teu piscar me vestiu de horizonte,
me despiu do que era medo e temor.
Fez da ausência uma roupa antiga,
fez da espera uma flor.
Se o tempo é um carpinteiro cego
que entorta portas e corrimãos,
o amor é madeira de rio:
quanto mais navega, mais cria emoções.
E quando a noite fechar as janelas,
que ela encontre luz no que ficou.
Porque há encontros que não fazem barulho,
mas mudam para sempre quem os abraçou.
Porque amar talvez seja isto:
não salvar, não possuir, não prender.
É ver no outro uma alma acesa
onde também se aprende a viver.
E se amanhã o mundo nos dispersa
em suas ruas de pressa e solidão,
fica o instante em que dois infinitos
couberam dentro de uma só visão.
Porque amar talvez seja isto:
não salvar, não possuir, não prender.
É ver no outro uma alma acesa
onde também se aprende a viver.
”
―
Newton Jayme
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“
ALLAHU MAHABBA
(Deus é Amor)
No silêncio antigo das areias,
onde o vento escreve sua canção,
há uma voz escondida nas pedras,
batendo no peito da criação.
Não é trovão que fere o deserto,
nem fogo que exige temor;
é um sopro atravessando a vida,
um nome sussurrado: Amor.
Allahu Mahabba...
diz a alma quando aprende a escutar,
que o céu não é feito de muros,
mas de portas abertas ao amar.
Quem carrega a dor do irmão
carrega um pouco da eternidade;
quem recolhe uma lágrima caída
ergue um templo de humanidade.
Não há fronteira entre os corações
quando a compaixão vem florescer;
um pão repartido na mesa da vida
é uma prece que começa a viver.
Allahu Mahabba...
não é palavra perdida no ar;
é a mão que sustenta o cansado,
é a luz que insiste em ficar.
Vi reis construindo seus tronos,
vi impérios virarem pó;
mas o amor que habita um humilde
permanece de pé, nunca só.
Porque Deus não cabe em bandeiras,
nem se prende ao nome de alguém;
Ele mora onde a justiça floresce,
onde alguém faz o bem a alguém.
E quando a noite cobrir os caminhos,
quando o medo tentar dominar,
haverá sempre uma chama escondida
no coração que escolhe amar.
Allahu Mahabba...
Deus é Amor, não é solidão;
é a ponte entre almas feridas,
é o abraço da reconciliação.
Se existe um altar para o Eterno,
se existe um lugar para o Criador,
é no peito que vence o ódio
e aprende a nascer para o amor.
Allahu Mahabba...
que o mundo consiga lembrar:
antes de qualquer palavra humana,
Deus já sabia amar.
”
―
Newton Jayme
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“
O sol acordou no meio da noite,
trazendo ao quarto a luz que faltava,
era um amor perdido no tempo,
uma saudade que ainda brilhava.
A lua guardava segredos antigos,
nas águas calmas do meu olhar,
e o vento escrevia teu nome baixinho
nas folhas cansadas do meu caminhar.
Eu te encontrei quando tudo dormia,
quando o silêncio beijava a solidão,
você era estrela caída do céu,
morando escondida no meu coração.
O sol acordou no meio da noite,
só para ver teu rosto amanhecer,
como se o mundo parasse um instante
para aprender novamente a viver.
E quando teus olhos tocaram os meus,
o tempo perdeu sua direção,
a noite virou jardim de esperança,
e a sombra virou canção.
Se amar é carregar um infinito,
eu carrego você sem medo de ir,
porque há luzes que nascem no escuro
só para ensinar a alma a sorrir.
O sol acordou no meio da noite,
porque encontrou onde descansar:
no calor dos teus braços, meu amor,
no lugar onde sempre quis morar.
O sol acordou no meio da noite,
porque encontrou onde descansar:
no calor dos teus braços, meu amor,
no lugar onde sempre quis morar.
”
―
Newton Jayme
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“
Os Sonhadores Não Podem Ser Domados
Há um rumor de asas dentro do peito,
uma tempestade querendo nascer;
quem carrega horizontes no leito
não aprende o ofício de desaparecer.
Podem cercar de silêncio a estrada,
podem erguer muralhas de sal,
mas a alma que foi incendiada
faz do próprio abismo um portal.
Os sonhadores não podem ser domados,
não cabem em jaulas de ferro ou papel;
são rios secretos, por dentro talhados,
rasgando a pedra em procura do céu.
Se a noite lhes pede que baixem a fronte,
respondem com rios de luz e trovão;
pois quem traz uma estrela guardada na fonte
nunca negocia a própria imensidão.
Vi homens plantando manhãs impossíveis
com mãos calejadas de barro e de dor;
faziam jardins sobre campos hostis,
regando a esperança com o próprio suor.
Vi vozes pequenas rompendo o granito,
feito a raiz que levanta o chão;
porque há uma força no grito contido
que move montanhas sem pedir permissão.
Os sonhadores não podem ser domados,
não são propriedade do medo ou da lei;
são pássaros livres, por dentro forjados
no fogo invisível que nunca abandonei.
E quando lhes roubam a sombra e o caminho,
quando lhes negam o direito de flor,
eles fazem do pranto um novo destino
e do espinho ferido, uma espécie de amor.
Não tentem medir a chama do vento,
nem prender o oceano num velho tonel;
há mundos inteiros no pensamento
de quem conversa com luas e fel.
Porque o sonho é um povo sem fronteira,
uma língua que a tirania não diz;
é a mão que desenha na pedra mais dura
o mapa secreto de um mundo feliz.
E se um dia a noite cobrir a montanha
e a última estrela parecer se calar,
haverá sempre alguém com uma pequena chama
inventando um sol para recomeçar.
”
―
Newton Jayme
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“
Quem apagou a luz da praça
não viu nascer o luar;
quem fechou a porta da casa
não soube o sonho entrar.
Puseram grades no horizonte,
tentaram calar o trovão;
mas toda semente da fonte
carrega uma revolução.
Os sonhadores não podem ser domados,
não se ajoelham diante do chão;
são rios que rompem os diques levantados,
são ventos mudando a direção.
Podem prender as mãos do tempo,
podem ferir a voz da canção;
mas ninguém acorrenta o pensamento
quando ele aprende a voar na escuridão.
Há olhos que enxergam manhãs
onde a fumaça escondeu o sol;
há braços que erguem oceanos
com a força de um girassol.
E aqueles que vendem silêncio
por moedas de medo e poder
não sabem que o sonho é um incêndio
que começa no peito e quer crescer.
Os sonhadores não podem ser domados,
não têm dono, bandeira ou senhor;
são sementes de mundos guardados
na palma invisível do amor.
Se a noite disser: “acabou”,
se a sombra mandar desistir,
há sempre uma voz que restou
fazendo a esperança florir.
Porque o povo que sonha acordado
não perde o direito de lutar;
um coração acorrentado
ainda aprende a se libertar.
”
―
Newton Jayme
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“
Não há grilhão que alcance o pensamento,
nem ferro que aprisione a vastidão;
o sonho é um oceano em movimento
nascendo no silêncio de um vulcão.
Que tentem sepultar as primaveras,
que lancem sobre a aurora o seu véu;
as raízes que dormem sob as pedras
já conversam secretas com o céu.
Ó homens que levantam fortalezas
contra a marcha invisível do porvir,
não vedes que as maiores grandezas
começam onde alguém ousou florir?
Os sonhadores não podem ser domados,
são filhos da chama e da amplidão;
trazem nos olhos mundos inacabados
e nos passos a fúria da criação.
Não se curva a estrela ao peso da noite,
não se cala o mar diante do rochedo;
há uma voz ancestral em cada açoite
que transforma a cicatriz em segredo.
Vi Prometeus sem nome caminhando
com brasas escondidas pelo chão;
vi mãos humildes, trêmulas, lavrando
novos mapas para a libertação.
Pois o sonho é a espada sem lâmina,
é o clarão que antecede o trovão;
é a palavra que rasga a tirania
antes mesmo de erguer-se em multidão.
E quando a última sombra anunciar
que morreu a esperança e a rebeldia,
haverá um coração a recordar
que toda noite se rende à luz do dia.
Então saberão os reis e os impérios
que não governam a alma do sonhar:
quem traz dentro de si um universo
não nasceu para apenas obedecer ao mar.
”
―
Newton Jayme
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“
PASSAGEM SEM BILHETE
O amor me compra um bilhete sem estação,
carimba o peito, dispensa documento.
Cruzo trilhos desenhados pela mão
de um pensamento que desaprendeu o tempo.
Embarco num vagão de chuva mansa,
desembarco onde a saudade fez morada.
Cada janela inventa uma lembrança,
cada fumaça apaga uma estrada.
Viajo de trem, de avião, de barco e de navio,
mas nenhum cais conhece o meu destino.
O mapa dobra dentro do vazio,
e o horizonte aprende o meu caminho.
Não há fronteira quando o coração insiste;
o mundo é menor que um desejo aceso.
Quem ama atravessa o que não existe
e faz do impossível um simples endereço.
O avião costura nuvens rasgadas
com a linha fina de um olhar antigo.
O barco conversa em águas caladas,
como quem guarda um segredo consigo.
O navio leva o peso das marés,
eu levo apenas o rumor do teu nome.
Há portos que se escondem sob os pés,
há distâncias que a presença consome.
Se a bússola se perde, melhor assim:
há destinos que só cabem no escuro.
Toda chegada começa dentro de mim,
antes que o mundo levante seus muros.
Viajo sem sair do mesmo chão,
colecionando paisagens invisíveis.
A imaginação estende a própria mão
sobre os limites que julgavam impossíveis.
E quando a noite fecha suas cortinas,
o amor acende cidades no olhar.
Não é o corpo que atravessa as esquinas;
é o sonho que ensina o mundo a navegar.
”
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Newton Jayme
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O amor me leva a viajar de trem, de avião, de barco e de navio. Todas essas viagens acontecem na imaginação, onde não existem fronteiras para o coração.
”
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Newton Jayme
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“
Eu não procuro o tempo certo,
Nem conto os dias no calendário.
A vida escreve seus caminhos
Em silêncio, sem aviso.
E quando penso que é tarde,
Algo muda o coração.
Basta um olhar sincero
Pra nascer uma canção.
O amor não tem hora marcada;
Quando ele chega, é a minha hora.
Vem como o sol depois da chuva,
Faz a esperança ir embora... da demora.
O amor não pede licença,
Só entra e muda a nossa história.
Quando ele chega de verdade,
É a minha hora de viver,
É a minha hora de amar.
Já esperei por tantos sonhos
Que o vento levou sem falar.
Mas aprendi que o destino
Também sabe nos encontrar.
Quem ama nunca perde o brilho,
Nem deixa a fé adormecer.
O coração conhece o caminho
Mesmo antes de entender.
Se for hoje, eu estou pronto.
Se for amanhã, também vou esperar.
Porque quem acredita no amor
Sempre encontra um novo lugar.
O amor não tem hora marcada;
Quando ele chega, é a minha hora.
É como um abraço da vida,
É o começo de uma nova história.
O amor não escolhe o relógio,
Escolhe apenas o coração.
E quando bate à minha porta,
Eu abro a alma sem temor,
Pra viver esse amor.
”
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“
O amor não tem hora marcada;
quando ele chega, é a minha hora.
”
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MORRO DOS VENTOS UIVANTES
No alto do monte, onde a noite arqueja,
e o vento escreve salmos sobre a pedra,
vi duas almas desafiando o tempo,
como dois raios presos à mesma treva.
Ela era a flor que o inverno não vencia;
ele, a raiz ferida pela enxada.
Amaram-se com a força dos abismos,
e cada beijo abria uma alvorada.
Mas veio o mundo — velho carcereiro —
medindo o amor por ouro e por brasões;
e as mãos que o céu unira num relâmpago
foram partidas pelas convenções.
Então nasceu a sombra da vingança.
O coração, sem luz, tornou-se espada.
Quem faz da dor um trono e uma coroa
reina sozinho sobre a própria estrada.
O vento uivava... E as árvores antigas
curvavam-se ao lamento dos amantes.
Nem mesmo a morte ousou romper o laço
que unia aqueles dois tão semelhantes.
Porque há amores feitos de eternidade:
não cabem nas paredes da existência.
São rios que atravessam os sepulcros,
são astros que ignoraram a distância.
E quando o último crepúsculo tombar
sobre os telhados frágeis deste mundo,
talvez o amor — despido da vingança —
renasça puro, luminoso e profundo.
Pois tudo passa: o orgulho, a dor, a ausência;
desfaz-se o império das paixões humanas.
Mas quem amou com a verdade da alma
deixa uma estrela acesa nas campanas do tempo.
E os ventos, que pareciam apenas chorar,
hão de aprender, enfim, a cantar:
que o amor não morre quando cessa a vida —
morre somente quando deixa de perdoar.
”
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O silêncio é o idioma
das montanhas,
do mar,
das estrelas
e das almas profundas.
”
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E na amplidão
do mar...
Cada gota d'água
é um desejo
de sempre
AMAR!
”
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“
ESCREVER COM A LUZ
Antes da tinta,
houve a alvorada.
Antes da palavra,
o clarão.
A luz já escrevia
nos rios,
na pupila dos pássaros,
na pele antiga das montanhas,
quando o homem
ainda soletrava
o próprio espanto.
Fotografar...
Que verbo extraordinário!
Escrever
com aquilo
que nunca
se deixa prender:
a luz.
Não a escraviza.
Não a possui.
Apenas lhe pede
que permaneça
o tempo suficiente
para virar memória.
Toda fotografia
é um diálogo
entre o instante
e a eternidade.
É o sol
assinando o rosto da criança.
É a tarde
confessando sua despedida
nas mãos enrugadas do velho.
É a chuva
traduzindo o silêncio
em cristal.
Quem fotografa
não caça imagens.
Escuta
o idioma invisível
que a claridade
pronuncia sobre as coisas.
Porque a luz
não ilumina apenas.
Ela revela.
Abre o véu
das pequenas eternidades
escondidas
na dobra de um sorriso,
na lágrima que ninguém viu,
na sombra
que protege a árvore
do excesso de si mesma.
Há retratos
que não cabem
num espelho.
Só a luz
consegue escrevê-los.
E quando o tempo
apaga nomes,
derruba casas,
envelhece retratos
e silencia vozes,
permanece,
como um evangelho
sem palavras,
aquilo
que a luz escreveu.
”
―
Newton Jayme
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“
E quando eu for saudade...
Não me procures
na pedra fria dos adeuses.
Estarei escondido
na claridade das manhãs,
no vento que atravessa as árvores,
na chuva que devolve perfume à terra.
Se um girassol
voltar os olhos para o sol,
lembra-te:
o amor também conhece
o caminho da luz.
E, quando uma lembrança
te visitar sem pedir licença,
não chores por mim.
Sorri.
Há afetos
que Deus escreve
de tal maneira
que nem o tempo
consegue apagar.
Porque a saudade
não é o fim do amor.
É o amor
que aprendeu
a morar
na eternidade.
”
―
Newton Jayme
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“
O amor!...
É a senha divina
que rompe as correntes,
que escancara as portas
do tempo e da carne!
Abre casulos!
e neles, a vida desperta.
Abre túmulos!
e neles, a alma ainda canta!
Abre corações!
e neles, o mundo recomeça!
Mas o segredo?...
Ah!... o segredo não se dá, nem se mostra,
esconde-se, como névoa, nos olhos do ser.
Cada alma o guarda em silêncio profundo,
como um astro que brilha sem querer ser sol!
”
―
Newton Jayme
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Imagem
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...
79
Newton Jayme
Membro desde:
12/03/2013
Frase do Dia
“
Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião. Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente sentimos.
”
—
Carlos Drummond de Andrade
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