Frase de Newton Jayme

Frase adicionada por Newton-Jayme em 12/03/2026


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O cheiro de café invade a cozinha
antes mesmo que a cidade desperte.
Ela molha as mãos na terra da varanda,
sente a vida escorrer entre os dedos,
e já planta sementes de perdão
como quem semeia a própria alma.

O ônibus treme, o calor cola a pele,
e ela segura firme a mão do menino
que acabou de perder o medo de sorrir.
O suor do cobrador escorre,
ela enxuga com um lenço velho,
e deixa cair no gesto um riso que é abrigo.

No mercado, frutas maduras escorregam das mãos,
ela oferece a quem não tem tempo de escolher.
O cheiro doce da manga,
o toque firme do pão na palma aberta,
o riso tímido do vizinho,
tudo dança numa revolução silenciosa.

No hospital, alguém arruma cobertor,
murmura histórias de infância,
sente a febre do outro,
e percebe que o mundo pode caber
em cada gesto de cuidado.

E à noite, na rede da varanda,
o vento traz cheiro de mato e de chuva,
ela fecha os olhos e sente:
a revolução é feita de toque e cheiro,
de suor e riso, de olhos que encontram olhos,
e ninguém precisa explodir nada para mudar tudo.

O mundo se transforma
quando alguém escolhe amar
antes de temer ou fenecer,
e essa escolha — 
pequena, 
humana, 
inteira —
é a maior das revoluções. (Newton Jayme)
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