Frase de Newton Jayme

Frase adicionada por Newton-Jayme em 11/03/2026

Newton Jayme
Hoje o mar acordou de mau humor,
servindo frio na xícara do tempo de agora.
O sol faltou ao turno de calor
e o Corcovado, tímido, se escondeu na hora.

Uma névoa ensaia teu nome
nas varandas de Copacabana —
sopro curto de sal e costume,
dessas saudades que a maré engana.

A cidade, viúva do Carnaval,
espreguiça confete na avenida;
recolhe no bolso banal
os sonhos gastos da vida.

Nos bares lavados da manhã,
cadeiras cochicham ressaca.
Meu silêncio senta na mesa
com tua falta, que não se disfarça.

Caminho rente à beira da areia
como quem procura um sinal —
mas o vento do sul soletra teu nome
num alfabeto de sal.

E o peito, barco cansado,
range no cais da lembrança;
maré que não chega a porto
nem desaprende a esperança.

Volta —
que o mar já gastou suas lágrimas
na pedra antiga do cais;
volta —
que a cidade inteira parece
prender o fôlego atrás.

Volta —
que o sol anda ensaiando nascer
no riso moreno que és.

Porque amar, veja bem,
é teimosia de rio:
mesmo quando a noite fecha a passagem,
ele inventa outro desvio.

Hoje o mar acordou onda fria,
mas guardo um resto de verso.
Se teu passo cruzar esta rua vazia,
talvez o verão atravesse o inverno.

E eu que jurava
que o tempo ensinava o esquecimento,
aprendo nas calçadas do Rio
que esquecer também é um tormento.

Nos jornais da manhã
não sai notícia da minha solidão;
mas teu nome ainda embarca e desembarca
na estação do meu coração.

Se a vida é viagem sem mapa nem porto,
por que teu adeus me deixou quase morto?
Se um dia voltares na brisa do mar,
talvez meu destino reaprenda a andar.

Volta —
que o mar já cansou de chorar,
e a cidade parece esperar.
Volta —
que o sol quer nascer outra vez
no teu riso moreno que és.


Imagem da Frase:



Hoje o mar acordou de mau humor,
servindo frio na xícara do tempo de agora.
O sol faltou ao turno de calor
e o Corcovado, tímido, se escondeu na hora.

Uma névoa ensaia teu nome
nas varandas de Copacabana —
sopro curto de sal e costume,
dessas saudades que a maré engana.

A cidade, viúva do Carnaval,
espreguiça confete na avenida;
recolhe no bolso banal
os sonhos gastos da vida.

Nos bares lavados da manhã,
cadeiras cochicham ressaca.
Meu silêncio senta na mesa
com tua falta, que não se disfarça.

Caminho rente à beira da areia
como quem procura um sinal —
mas o vento do sul soletra teu nome
num alfabeto de sal.

E o peito, barco cansado,
range no cais da lembrança;
maré que não chega a porto
nem desaprende a esperança.

Volta —
que o mar já gastou suas lágrimas
na pedra antiga do cais;
volta —
que a cidade inteira parece
prender o fôlego atrás.

Volta —
que o sol anda ensaiando nascer
no riso moreno que és.

Porque amar, veja bem,
é teimosia de rio:
mesmo quando a noite fecha a passagem,
ele inventa outro desvio.

Hoje o mar acordou onda fria,
mas guardo um resto de verso.
Se teu passo cruzar esta rua vazia,
talvez o verão atravesse o inverno.

E eu que jurava
que o tempo ensinava o esquecimento,
aprendo nas calçadas do Rio
que esquecer também é um tormento.

Nos jornais da manhã
não sai notícia da minha solidão;
mas teu nome ainda embarca e desembarca
na estação do meu coração.

Se a vida é viagem sem mapa nem porto,
por que teu adeus me deixou quase morto?
Se um dia voltares na brisa do mar,
talvez meu destino reaprenda a andar.

Volta —
que o mar já cansou de chorar,
e a cidade parece esperar.
Volta —
que o sol quer nascer outra vez
no teu riso moreno que és. (Newton Jayme)
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