Frases de Memória (adicionadas pelos usuários)


Maria Luz
Tenho um ente querido com demência com quem falo frequentemente e às vezes pergunto-me se isso significa alguma coisa para ela... Minha tia paterna tem demência avançada. Ocasionalmente, quando falo com ela, uma palavra, música ou nome limpa o seu "nevoeiro" e ela parece ter alguns momentos de conversa feliz... Depois tudo volta ao mesmo, e é tão triste testemunhar a deterioração dela dia após dia... Ela adora as canções antigas e as da igreja... Ela não se lembra que eu a visito de longe a longe, mas sinto quando estou com ela que ela conhece-me, sabe quem sou, porque quando falo sobre os velhos tempos que vivi e passei com ela, o seu olhar fixo em mim e a faísca que às vezes vejo nos olhos dela significa tanto para mim... Fico com lágrimas a escorrer pela cara de dor e de tristeza, por ver como perdi a minha tia Maria, para um terrível ladrão de memórias e almas... Mas vou continuar sempre a tentar com a minha tia, sempre que possa e estiver com ela, mesmo que a mente dela me esqueça, em algum lugar no seu coração ela lembrar-se-á de mim, eu sei que sim,,, Eu sinto isso... Ela, nem ninguém merece esta doença... Viver por viver, sem sentido, sem vida...
Está viva, graças a Deus mas não vive a vida, apenas sobrevive a meu ver ... Que forma tão triste de viver... Qualquer forma de demência, ( porque também já perdi o meu sogro com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), e agora a minha tia Maria sinto que perdemos o nosso ente querido muito antes do corpo deles morrer... Demência e Alzheimer criam tanta dor para todos os envolvidos... Alzheimer é uma doença terrível, é um ladrão de mentes e almas cheias de vida e histórias, que ficam inacabadas
Deus abençoe aqueles que os amarão durante este tempo que cuidam deles, e eu peço a Deus uma cura para esta doença devastadora... Um Devorador de mentes e almas!

Marcelo Monteiro
Entre o Perdão e a Aurora do Amor.
Capítulo XV - Livro: Não Há Arco-íris No Meu Porão.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro. Ano: 2025.
Camille Marie Monfort caminhava por entre os corredores silenciosos de sua própria alma, onde ecos de antigas feridas insistiam em sussurrar lembranças. Cada passo era um diálogo com a ausência, cada suspiro, uma tentativa de reconciliar o ontem com o amanhã. Ao seu lado, Joseph Bevouir não era apenas presença; era horizonte, promessa e sombra. Ele carregava nos olhos a memória do que fora e a inquietação do que ainda poderia ser. O perdão, nessa trama delicada, surgiu como vento inesperado: não pediu licença, não exigiu razão. Libertou antes que o amor pudesse ousar manifestar-se. Camille sentiu nas mãos um vazio que já não queimava; Joseph percebeu que o coração, antes contido, agora respirava em espaço desobstruído. Entre eles, palavras não eram necessárias. Cada gesto era tradução de uma reconciliação íntima, um pacto silencioso com o tempo. O perdão abriu portais, revelou luz onde a sombra insistia e ofereceu o terreno fértil para que o amor, tímido e hesitante, florescesse com intensidade renovada. E assim, num instante suspenso entre o que foi e o que virá, compreenderam que a libertação interior precede toda forma de entrega. O amor, sem pesos nem correntes, é a aurora que nasce depois da noite profunda do rancor. Camille e Joseph descobriram que o perdão não é fim, mas a promessa de novos começos e que aqueles que se atrevem a liberar a alma encontram, inevitavelmente, a plenitude do sentir.
O perdão é a primeira semente da liberdade emocional. Quem se permite perdoar antes de amar, descobre que o coração não carrega apenas cicatrizes, mas a capacidade de florescer novamente, mais intenso, mais vasto, mais verdadeiro.

Remisson Aniceto
Porque ainda passo e ainda espero

Nasci e fui crescendo naturalmente,
como deve ser com toda gente que nasce.
Mas quando te conheci, aí sim, aprendi a viver! Contigo foi que me senti pleno, completo, feliz. Até que, um dia, te perdi. E assim que te perdi me esqueci de tudo,voltando a passar pela vida sem motivo, como qualquer coisa que passa por passar, como se a minha memória tivesse ficado oca. Sem ti nunca mais consegui
viver.
Fui passando e vou passando como coisa qualquer, sem identidade e sem nome. Não reaprendi a viver sem o teu abraço, sem o sabor da tua pele, sem acariciar os teus cabelos, sem dormir no calor do teu corpo, sem te ver acordar nas manhãs, sem ouvir aquele tom da tua voz...
Ainda te vejo, te ouço, te beijo no rosto,
ainda sinto de longe o cheiro da tua pele.
Ainda bem! Se, de repente, eu não puder mais te ver nem te ouvir, certamente não haverá nem mesmo razão pra continuar passando. Mas nunca mais saberei como não amar você, não sei como seria e nem quero saber. Há coisas que é melhor ignorar, nunca descobrir para não sofrer ainda mais. Não te ter e te amar é triste por não ter o teu amor, mas ainda é melhor, muito melhor do que não te ter e não te amar. É que te amando eu ainda consigo ir passando, passando pela vida mesmo sem viver. Sem te amar eu nem mesmo passaria, e assim não haveria qualquer possibilidade
de renascer.
E enquanto houver caminho pra passar,
poderei, de repente, reencontrar o teu amor
em alguma esquina da estrada. Imagino que, para eu continuar passando assim, com o dó por saber que completamente sem ti eu morreria, tu guardaste em algum cantinho da minha memória as imagens da lua entrando pela janela e passeando lentamente pelos nossos corpos e o brilho do teu sorriso refletido no sol de cada manhã.
Somente por isto é que ainda passo... e espero...