Frases de Memória (adicionadas pelos usuários)


Juciane Afonso
Eu quis, você quis, nós quisemos, e o mundo aprovou!"

Esta frase foi escrita há mais de 40 anos num pedaço de papel que se perdeu no tempo, mas nunca das nossas lembranças.

Ah, quanta verdade há nestas simples palavras!
Para nós, tem uma magia em torno de cada letra.
Foi um marco em nossas vidas, uma passagem, um portal se abriu para um novo momento, o início de uma outra fase.

Já se passaram 40 anos. O amor esmaeceu, diluiu-se como uma aquarela. Da ferida, nem cicatriz há mais.
Daquele casal de jovens sonhadores, só restaram as lembranças e uma bonequinha Fofolete de roupinha laranjada.
Tanta coisa aconteceu, outras histórias, amores, romances, e também dissabores.

Hoje fui eu quem quis, o universo conspirou e Deus aprovou!
Após quatro décadas sem uma notícia, sem sabermos se estávamos vivos ou não, nos resgatamos e estamos tentando em tão curto tempo recuperar o que o tempo não nos permitiu.

A alegria nos invade, a emoção aflora a cada lembrança compartilhada.
O passado se faz presente, e hoje, somente o hoje nos importa.
Estamos nos reconhecendo novamente, tateando, sentindo, observando um ao outro.

Observando aquelas fotografias, vemos que não reconhecemos o jovem casal naquelas imagens amareladas que o tempo marcou. São imagens distorcidas de um tempo que se perdeu.

Hoje, queremos apenas trazer à memória o que vivemos e não iremos permitir que nada estrague o que o tempo não apagou.

Amanhã, é outro dia, outros sonhos, outras emoções.
E quem sabe, se logo ali, naquela esquina o destino caprichoso nos reencontre, com uma nova carta em mãos, (escrita com uma caligrafia familiar), nos revele que ainda é possível vermos outras imagens naquelas velhas fotos."

Por Juciane Afonso

Isabel Morais Ribeiro Fonseca
NUM DIA DE INVERNO

Num dia de inverno soalheiro caminho pela praia
Que eu tanto gosto, posso observar o sol e o vento
A brisa a acariciar-me o meu cabelo e a minha face
Brisa suave perfumada com cheiro a maresia
A areia massaja-me os pés, vagueio pelos pensamentos
Pelas memórias de todos os momentos vividos
Hoje ao passear pela praia sinto-me só
Sozinha neste areal, neste mundo, vazio e triste
Como se o meu coração estivesse secado de dor
Como se já não existisse sol, como se o mar estivesse seco
Ando pela praia sem saber onde vai dar, perdida e esquecida
Um caminho de solidão, no meio da tempestade de tristezas
De lágrimas, sonho acordado feito de gritos
Murmúrios, lamentos, choros de dor
Feitas em carne viva que deixam, uma cicatriz na alma
No corpo, como se eu chamasse a morte em vez da vida
Como se carregasse no peito, na mente, as mágoas
Deceções, frustrações, desilusões
Fecha-se as portas as janelas, da vida para ninguém entrar
Um poço fundo escuro, por mais que eu tente sair
Não consigo ler, escrever, rabiscar, publicar
É neste momento a minha terapia para secar a dor
Que atormenta-me para colocar em ordem a minha mente
Que sinto que está em desordem
Sim mostro o mais íntimo do meu ser
E muitas vezes sinto-me nua
Mas a quem o mostro primeiro é a mim mesma
Sim as minhas fraquezas
Mas também minha força a vontade
De quando isto passar terei vontade de rir
Tenho consciência que não sou perfeita
Sou apenas um ser humano
Com defeitos, manias e imperfeições
Que precisa de colocar as coisas cá dentro
Em ordem para melhor avançar, começar a viver sem medo
Sem dor, num dia frio soalheiro passeio pela praia
Que eu tanto gosto, seja de inverno ou verão
Onde molho os pés da minha solidão
Da escuridão da minha alma.

Maria Luz
Hoje, abri certas gavetas... Foi um dia de reviver memórias, lembranças... De rever objectos, brinquedos, roupas, livros de historias e pintar do meu filho.
Cheirei os babygrows, a chupeta que ele tanto adorava, peguei em seus bonecos de peluche, vi suas pinturas e riscos nos livros... Lembrei das curtas birras, e dos seus sorrisos repletos de felicidade... Revivi momentos de dias especiais que para mim foram todos... Revivi um tempo que não volta mais... Tempo que passou a correr, porque a vida assim o exigiu... Por bem, que eu algumas vezes esticasse as horas, elas eram sempre poucas... Ai o tempo, esse ladrão dos minutos, das horas... Quantas vezes eu já pensei que por falta de tempo perdi tantos momentos da infância do meu filho... Passou tão rápido o tempo!
Com a freima da vida, por vezes nem me apercebia, como o tempo corria... Deus, colocou na minha frente, aquele que era e é o mais importante na minha vida, e eu deixei que o tempo me roubasse o tempo que tinha...
Agora, entro na luta contra ele, e diariamente agarro todos os momentos com sofreguidão, tudo o que me faz bater o meu coração e a minha alma feliz... E isso, são os momentos, os lugares, os minutos ao telemóvel, cada palavra dita, cada vez que me chama de mãe, cada abraço, cada olhar, cada sorriso, cada beijinho, assim como as horas que passamos juntos eu e o meu filho...
Só quero saborear cada minudência do que a vida ainda me oferece junto dele... Sentir seu cheirinho, receber seu abraço e seu beijinho... Ás vezes dou por mim, "vestida" de uma tristeza e com o coração apertado de saudade, do passado, do tempo em que ele era só meu, o tempo todo... Agora só peço a Deus que me dê mais algum tempo, para o olhar com o Amor infinito de quem o ama e amará infinitamente!