Frase de Newton Jayme “
Eu tentei te guardar num canto de silêncio, como quem fecha uma porta sem ruído; mas você ficou no movimento da minha respiração, feito luz que não sabe ser desligada ou esquecida. Meu corpo aprendeu teu nome em linguagem de brisa, e agora qualquer esquina me soletra você, como se o mundo fosse um mapa mal resolvido que insiste em me levar pro mesmo lugar. Eu falo que sigo, mas desminto os meus caminhos. Meus pés têm memória própria e te desenham no chão antes de eu decidir o próximo passo. Teu rastro não é ausência — é gravidade: me puxa sem tocar, me dobra sem pedir licença; e eu, feito estrela cansada, giro em torno de um sol que já não me aquece inteiro. Se eu fujo, você me inventa destino; se eu paro, você vira lembrança que delira. Sou barco que aprende teu cais na maré e esquece o porto que jurou ser abrigo. Te busco até quando não te procuro, porque você mora no intervalo do meu andar, onde o amor não acaba — só muda de forma e me atravessa sem nunca ir embora. Eu quis te esquecer na disciplina dos dias, mas a saudade tem mãos invisíveis e reescreve teu rosto nas horas vazias, como quem insiste numa verdade sem nome. E se um dia eu enfim me calar de você, vai ser só pra ouvir melhor o barulho que você faz dentro de mim, quando o mundo fica quieto demais. ”
Imagem da Frase:
Mais frases de Newton Jayme
Newton Jayme