Frase de Newton Jayme

Frase adicionada por Newton-Jayme em 23/07/2026


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Olhei teu rosto.
Nada disse.
A tarde ficou suspensa no ar.
Teu sorriso respondeu por dentro,
como um rio que aprende o mar.

Não foi destino.
Nem foi acaso.
Foi uma porta sem dobradiça,
abrindo espaço entre dois silêncios
onde a vida perdeu o rumo da pressa.

Não éramos metades perdidas,
nem peças de um velho desenho.
Éramos duas almas acesas,
reconhecendo o mesmo desejo
e pensamento.

Desde aquele instante breve,
a solidão fez as malas sem falar.
Dois inteiros dividiram o infinito,
sem que um precisasse se anular.

Teu piscar me vestiu de horizonte,
me despiu do que era medo e temor.
Fez da ausência uma roupa antiga,
fez da espera uma flor.

Se o tempo é um carpinteiro cego
que entorta portas e corrimãos,
o amor é madeira de rio:
quanto mais navega, mais cria emoções.

E quando a noite fechar as janelas,
que ela encontre luz no que ficou.
Porque há encontros que não fazem barulho,
mas mudam para sempre quem os abraçou.

Porque amar talvez seja isto:
não salvar, não possuir, não prender.
É ver no outro uma alma acesa
onde também se aprende a viver.

E se amanhã o mundo nos dispersa
em suas ruas de pressa e solidão,
fica o instante em que dois infinitos
couberam dentro de uma só visão.

Porque amar talvez seja isto:
não salvar, não possuir, não prender.
É ver no outro uma alma acesa
onde também se aprende a viver. (Newton Jayme)
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