Frase de Newton Jayme
 | “ ALMA DA ALMA Se o mundo é pedra bruta em noite cega, teu nome é faísca que a matéria nega; um punhal de aurora rasga o infinito, quando a carne aprende o idioma do rito. Não és ideia — és febre que desata as correntes do verbo na voz que me mata; és maré que devora a costa do ser, e ensina o vazio a também florescer. No fundo do peito onde o tempo se encerra, há um sino enterrado debaixo da terra; e o amor — não palavra, mas incêndio em segredo — acorda esse sino sem língua nem medo. Se a alma é um navio sem porto nem chão, tu és tempestade a rasgar-lhe a direção; e ele aprende, ao ser partido em naufrágio, que o abismo também pode ter miragem. Não te nomeio com flores de vitrine, nem verso que a doçura fácil determine; te canto em aço, em vertigem e espinho, em sangue que pensa e se faz caminho. Porque amar não é calma, nem doce paisagem — é faca que escreve na própria paisagem; é quando o ser, em chama desobediente, descobre que existe por ser continente. E se a alma é só noite sem mão que a conduza, o amor é a espada que a breu-absoluto traduz; não para ferir — mas para abrir passagem àquilo que dorme além da linguagem. Assim te digo, sem véu e sem asa: o amor é a alma que a própria alma arrasa; e, ao arrasá-la, lhe dá nova altura — como fogo que inventa a própria ventura. E ao fim, quando a linguagem cai de joelhos, e o mundo já não se sustenta em seus espelhos, fica a verdade sem cortina, sem disfarce, sem trama: o amor é a essência — não é o álcool da alma.” |
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