Frase de Newton Jayme

Frase adicionada por Newton-Jayme em 25/05/2026

Newton Jayme
ALMA DA ALMA

Se o mundo é pedra bruta em noite cega,
teu nome é faísca que a matéria nega;
um punhal de aurora rasga o infinito,
quando a carne aprende o idioma do rito.

Não és ideia — és febre que desata
as correntes do verbo na voz que me mata;
és maré que devora a costa do ser,
e ensina o vazio a também florescer.

No fundo do peito onde o tempo se encerra,
há um sino enterrado debaixo da terra;
e o amor — não palavra, mas incêndio em segredo —
acorda esse sino sem língua nem medo.

Se a alma é um navio sem porto nem chão,
tu és tempestade a rasgar-lhe a direção;
e ele aprende, ao ser partido em naufrágio,
que o abismo também pode ter miragem.

Não te nomeio com flores de vitrine,
nem verso que a doçura fácil determine;
te canto em aço, em vertigem e espinho,
em sangue que pensa e se faz caminho.

Porque amar não é calma, nem doce paisagem —
é faca que escreve na própria paisagem;
é quando o ser, em chama desobediente,
descobre que existe por ser continente.

E se a alma é só noite sem mão que a conduza,
o amor é a espada que a breu-absoluto traduz;
não para ferir — mas para abrir passagem
àquilo que dorme além da linguagem.

Assim te digo, sem véu e sem asa:
o amor é a alma que a própria alma arrasa;
e, ao arrasá-la, lhe dá nova altura —
como fogo que inventa a própria ventura.

E ao fim, quando a linguagem cai de joelhos,
e o mundo já não se sustenta em seus espelhos,
fica a verdade sem cortina, sem disfarce, sem trama:
o amor é a essência — não é o álcool da alma.


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ALMA DA ALMA

Se o mundo é pedra bruta em noite cega,
teu nome é faísca que a matéria nega;
um punhal de aurora rasga o infinito,
quando a carne aprende o idioma do rito.

Não és ideia — és febre que desata
as correntes do verbo na voz que me mata;
és maré que devora a costa do ser,
e ensina o vazio a também florescer.

No fundo do peito onde o tempo se encerra,
há um sino enterrado debaixo da terra;
e o amor — não palavra, mas incêndio em segredo —
acorda esse sino sem língua nem medo.

Se a alma é um navio sem porto nem chão,
tu és tempestade a rasgar-lhe a direção;
e ele aprende, ao ser partido em naufrágio,
que o abismo também pode ter miragem.

Não te nomeio com flores de vitrine,
nem verso que a doçura fácil determine;
te canto em aço, em vertigem e espinho,
em sangue que pensa e se faz caminho.

Porque amar não é calma, nem doce paisagem —
é faca que escreve na própria paisagem;
é quando o ser, em chama desobediente,
descobre que existe por ser continente.

E se a alma é só noite sem mão que a conduza,
o amor é a espada que a breu-absoluto traduz;
não para ferir — mas para abrir passagem
àquilo que dorme além da linguagem.

Assim te digo, sem véu e sem asa:
o amor é a alma que a própria alma arrasa;
e, ao arrasá-la, lhe dá nova altura —
como fogo que inventa a própria ventura.

E ao fim, quando a linguagem cai de joelhos,
e o mundo já não se sustenta em seus espelhos,
fica a verdade sem cortina, sem disfarce, sem trama:
o amor é a essência — não é o álcool da alma. (Newton Jayme)
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