Frase de Newton Jayme “
Não me dês a voz dos astros, nem a língua azul dos mares, nem o ouro das trombetas que acordam povos e altares. Se em meu peito o amor não arde, serei vento entre ruínas, um sino perdido à tarde gemendo em torres vazias. Posso erguer da noite os véus, decifrar estrelas frias, conversar com os velhos rios que atravessam as idades; posso ao verbo das montanhas ordenar: “Move-te, pedra!” — sem amor, minhas façanhas são poeira sobre a treva. Ainda que eu dê aos pobres o pão último da mesa, e transforme a própria carne em fogueira de beleza, nada fica. Tudo passa como um barco sem memória, se o amor não põe sua asa sobre a cinza transitória. O amor não traz espadas nem coroas de vaidade; anda humilde pelas casas como a luz da tarde invade. Tem o passo silencioso das mães velando o sono, e um perfume misterioso de jardim depois do outono. Ele sofre e não acusa. Ele espera sem cansaço. Quando o ódio ergue seus muros, abre lírios pelo espaço. Não recolhe as ofensas como um rei juntando impostos; faz das dores mais imensas ponte branca entre os destroços. Ama a verdade desnuda, sem teatro e sem aplauso. É água pura e profunda sob a febre do cansaço. Quando tudo cai no abismo — impérios, nomes e glórias — o amor permanece aceso como um sol dentro da história. Hoje vemos sombras turvas no cristal das horas breves; mas virá manhã mais lúcida sobre os homens e seus medos. E então, face contra face, como rios no oceano, todo enigma se desfaça nas mãos claras do Eterno. Ficam fé e esperança como estrelas sobre o mundo; mas o amor — ave imensa — voa além do céu profundo. Porque Deus, quando fez a alma e acendeu seus firmamentos, deu ao amor sua própria chama para viver nos sentimentos... ”
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