Frase de Newton Jayme
 | “ A FLOR E O ABISMO Na mão, eu trouxe a flor das madrugadas, A flor febril dos pálidos vergéis; Trazia o sangue rúbeo das romãs E o incêndio triste dos ocasos fiéis. Era a tua cor! — A mesma, a mesma Que eu via arder nos céus do teu olhar, Quando tua alma, em cânticos submersa, Fazia a noite inteira soluçar. Abriam-se os balcões da ventania... Dormia a lua em túnicas de gás... E eu caminhava — espectro da saudade — Levando o coração como um rapaz Leva aos altares a primeira espada Antes da guerra lhe rasgar a paz. Ó minha amada! Quantos cemitérios Cabem na sombra de uma despedida? Quantas auroras morrem silenciosas No breve espaço de uma mão perdida? Teu nome, outrora, era um sino de ouro Banhando a tarde em vibrações de mel; Hoje é apenas ave ensanguentada Batendo as asas pelas grades do céu. Eu te encontrei. Teu rosto era mais pálido que a névoa Que sobe aos montes quando o inverno vem. Havia em teus cabelos a tristeza Das catedrais que não recebem ninguém. Então calei. Porque há dores que possuem templos Onde a palavra humana não entrou. E a própria lágrima, cansada e fria, Ajoelha-se aos pés de quem amou. Deixei a flor sobre a madeira escura. Tu não sorriste. Mas teus dedos lentos Tocaram suas pétalas cansadas Como quem toca ruínas e fragmentos. Depois parti. A noite abriu as asas sobre a rua; Os lampiões tremiam de terror... E eu fui sozinho, carregando o destino Como um navio afunda o próprio amor.” |
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