Frase de Newton Jayme
 | “ Ó mulher, teu nome sobe à noite escura como um sino partido sobre o mar! E eu, pobre alma em febre e desventura, fico à margem do mundo a te chamar. Não esse amor de renda e porcelana, feito pra salões, perfumes e vitrais — mas este amor de carne soberana, que sangra, sua e não dorme jamais. Eu te amo assim: nas horas devastadas, quando o céu pesa em chumbo sobre os ombros e as cidades parecem condenadas a mastigar seus próprios escombros. Amo-te quando o riso te abandona e a beleza se despe sem defesa; quando a vida, brutal e monotona, te acorrenta à vulgar tristeza. Porque há no teu cansaço uma grandeza que os anjos não conheceriam ter. Eles não sabem dessa natureza de continuar vivendo sem vencer. Ah! deixa os poetas de jardim e lua cantarem bocas, flores e cetins — eu quero a humanidade amarga e nua que há nos teus olhos fundos de ruins. Quero teu pranto áspero, incontido, teu medo do futuro e da manhã, o teu sonho já quase demolido pela engrenagem cega e cotidiana. E se eu morrer — porque os amantes morrem como morrem soldados e navios — há de ficar nos quartos por onde correm nossos silêncios fundos e tardios um resto da fumaça dos abraços, um sussurro da tua voz entre os lençóis, como ficam nas igrejas os pedaços da oração que ninguém termina após. Ó mulher! Amar-te é isto: não alcançar o céu — mas impedir o inferno.” |
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