Frase de Newton Jayme
 | “ FOTOSSÍNTESE DO AMOR Alimento a vida que respira, como quem reconhece no chão o destino do próprio corpo, e ainda assim acende manhãs com as mãos abertas ao tempo. Há uma alma silenciosa aprendendo a respirar claridade... Faz do amor sua fotossíntese, transmuta a ausência em seiva, faz raiz do que era efêmero, e floresce onde a dor passeia. Ah, eu devoro os dias devagar, antes que o instante se desfaça, vou modelando o invisível em mim como quem transforma a vida em graça. Eu bebo os dias devagar, como quem prova o instante antes que se desfaça, e em cada gesto guardo o mundo no mármore bruto da existência. E o tempo adormece paciente, mas eu insisto em ser claridade... Faz do amor sua fotossíntese, transmuta a ausência em seiva, faz raiz do que era efêmero, e floresce onde a dor passeia. Ah, eu devoro os dias devagar, antes que o instante se desfaça, vou moderando o invisível em mim como quem transforma a vida em graça. Não pra deter o fim que vem, nem pra negar o que se apaga, mas pra deixar na curva do tempo um gesto vivo que não se acaba... Faz do amor sua fotossíntese, mesmo quando o mundo cansa, faz do instante eternidade no sopro breve da esperança. Ah, que reste no beijo um traço, mesmo quando o corpo for memória, pois viver é esculpir no tempo um sopro breve de história. E quando a última tarde fechar os olhos sobre os telhados do mundo, quero partir como árvore madura, derrubando sementes no vento. Porque o amor que se fez luz em silêncio não morre na ferrugem das horas: permanece respirando em outros corações, feito sol escondido na aurora. E se um dia perguntarem quem fui, digam apenas: alguém que atravessou a noite acendendo estrelas e vida naquilo que parecia ruína.” |
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