Frase de Newton Jayme
 | “ VARANDA Eu te aguardei na curva morna do rio, onde a tarde desata os cabelos no capim, e o vento, bêbado de folhas, batia nas janelas do horizonte, como quem pede abrigo pra uma saudade sem nome. Eu te esperei com a paciência das pedras, que guardam chuva antiga no fundo escuro do musgo, e cada minuto teu era um pássaro cego, ferindo devagar os vidros do meu silêncio. Ah, meu amor, há mares que cabem dentro de um copo vazio, e há pessoas que atravessam a vida da gente como lua atravessa água: sem nunca se partir. Teu corpo tinha o cheiro das casas acesas quando a noite começa a doer nas cidades, e tua voz — essa varanda de sal sobre o abismo — fazia o mundo parecer menos exílio. Hoje caminho pelas ruas do teu esquecimento, como quem colhe estrelas num jardim incendiado, porque amar você foi aprender que algumas flores nascem apenas para sangrar perfume.” |
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