Frase de Newton Jayme

Frase adicionada por Newton-Jayme em 08/05/2026


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VARANDA

Eu te aguardei
na virada morna do rio,
onde a tarde desata
os cabelos no capim,

e o vento, bêbado de folhas,
batia nas janelas do horizonte,
como quem pede abrigo
pra uma saudade sem nome.

Eu te esperei
com a paciência das pedras,
que guardam chuva antiga
no fundo escuro do musgo,

e cada minuto teu
era um pássaro cego,
ferindo devagar
os vidros do meu silêncio.

Ah, meu amor,
há mares que cabem
dentro de um copo vazio,
e há pessoas
que atravessam a vida da gente
como lua atravessa água:
sem nunca se partir.

Teu corpo tinha
o cheiro das casas acesas
quando a noite começa
a doer nas cidades,

e tua voz —
essa varanda
de sal sobre o abismo —
fazia o mundo parecer
menos exílio.

Hoje caminho
pelas ruas do teu esquecimento,
como quem colhe estrelas
num jardim incendiado,

porque amar você
foi aprender
que algumas flores
nascem apenas
para sangrar perfume. (Newton Jayme)
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