Frase de Newton Jayme
 | “ Meu silêncio não nasceu de repente, foi se deitando aos poucos em mim, como um céu que aprende o caminho da terra, sem ferir nem mentir, mas também sem ceder. Você falou — e as palavras vinham com o peso leve das coisas que são: ora tão rasas que nem molham a pele, ora profundas demais pra alcançar com a mão. Fiquei entre as margens de um rio, sem pressa, sem riso, sem ponte, ouvindo o que falta ao horizonte no som da conversa. Se nada me disse, foi vento sem nome, passando por dentro sem me atravessar; mas, se disse tudo, foi queda d’água, tão clara que eu tive medo de olhar e de me molhar. Porque há verdades que pedem silêncio, como a noite pede pra não ser tocada; existem frases que chegam tão inteiras que a voz se perde antes da estrada. E eu, que sempre fui feito de versos, me vi sem retorno, sem tradução: um desejo suspenso no meio do peito, esperando um corpo pra ser canção. Então calei — não por ausência, nem por excesso que não sei conter, mas porque, às vezes, o que é mais inteiro só cabe no espaço de não dizer ou reter. E, se um dia você estranhar minha calma, não pense que o mundo deixou de existir: é só que, por dentro, tudo é tão vasto que qualquer palavra seria diminuir.” |
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