Frase de Newton Jayme

Frase adicionada por Newton-Jayme em 16/04/2026


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Meu silêncio não nasceu de repente,
foi se deitando aos poucos em mim,
como um céu que aprende o caminho da terra,
sem ferir nem mentir, mas também sem ceder.

Você falou — e as palavras vinham
com o peso leve das coisas que são:
ora tão rasas que nem molham a pele,
ora profundas demais pra alcançar com a mão.

Fiquei entre as margens de um rio,
sem pressa, sem riso, sem ponte,
ouvindo o que falta ao horizonte
no som da conversa.

Se nada me disse, foi vento sem nome,
passando por dentro sem me atravessar;
mas, se disse tudo, foi queda d’água,
tão clara que eu tive medo de olhar 
e de me molhar.

Porque há verdades que pedem silêncio,
como a noite pede pra não ser tocada;
existem frases que chegam tão inteiras
que a voz se perde antes da estrada.

E eu, que sempre fui feito de versos,
me vi sem retorno, sem tradução:
um desejo suspenso no meio do peito,
esperando um corpo pra ser canção.

Então calei — não por ausência,
nem por excesso que não sei conter,
mas porque, às vezes, o que é mais inteiro
só cabe no espaço de não dizer ou reter.

E, se um dia você estranhar minha calma,
não pense que o mundo deixou de existir:
é só que, por dentro, tudo é tão vasto
que qualquer palavra seria diminuir. (Newton Jayme)
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