Frase de Newton Jayme

Frase adicionada por Newton-Jayme em 02/04/2026

Newton Jayme
DITADURA NUNCA MAIS

Vieram de madrugada,
sem tocar a campainha.
Trouxeram mapas,
listas,
medo em papel timbrado.
E chamaram de futuro
o barulho seco
que fizeram na porta.

Nas escolas, apagaram nomes.
Nos jornais, cortaram palavras.
Havia uma sombra sentada
em cada mesa de jantar,
e um país inteiro
aprendendo a falar baixo.

Quem discordava sumia.
Quem perguntava, apanhava.
Quem escrevia,
rasgava o próprio verso
antes que a noite chegasse.

Mas havia sempre alguém
guardando fósforos no bolso,
um estudante,
uma mãe,
um operário,
um padre,
uma mulher na janela
decorando rostos
para que ninguém fosse esquecido.

É preciso lembrar sempre,
para o escuro não voltar.
Toda vez que a farda manda,
a liberdade vai sangrar.
Quem faz do medo um governo
faz da pátria uma prisão.
Grava fundo, em cada peito:
ditadura nunca mais.

Não foi ordem.
Não foi paz.
Foi um país amordaçado
olhando o próprio retrato
sem conseguir se reconhecer.

Disseram: “era preciso”.
Mas também diziam isso
as grades,
os porões,
os passos na escada
às três da manhã.

E ainda há quem confunda
silêncio com harmonia,
quando o silêncio, às vezes,
é só o grito
sem lugar para nascer.

É preciso lembrar sempre,
para o escuro não voltar.
Toda vez que a farda manda,
a liberdade vai sangrar.
Quem faz do medo um governo
faz da pátria uma prisão.
Grava fundo, em cada peito:
ditadura nunca mais.

Se um dia outra vez vierem
embrulhados em bandeiras,
pedindo que a memória cale,
responde alto, nas ruas:
ninguém entrega o amanhã
para quem roubou a voz de ontem.

É preciso lembrar sempre...


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DITADURA NUNCA MAIS 

Vieram de madrugada,
sem tocar a campainha.
Trouxeram mapas,
listas,
medo em papel timbrado.
E chamaram de futuro
o barulho seco
que fizeram na porta.

Nas escolas, apagaram nomes.
Nos jornais, cortaram palavras.
Havia uma sombra sentada
em cada mesa de jantar,
e um país inteiro
aprendendo a falar baixo.

Quem discordava sumia.
Quem perguntava, apanhava.
Quem escrevia,
rasgava o próprio verso
antes que a noite chegasse.

Mas havia sempre alguém
guardando fósforos no bolso,
um estudante,
uma mãe,
um operário,
um padre,
uma mulher na janela
decorando rostos
para que ninguém fosse esquecido.

É preciso lembrar sempre,
para o escuro não voltar.
Toda vez que a farda manda,
a liberdade vai sangrar.
Quem faz do medo um governo
faz da pátria uma prisão.
Grava fundo, em cada peito:
ditadura nunca mais.

Não foi ordem.
Não foi paz.
Foi um país amordaçado
olhando o próprio retrato
sem conseguir se reconhecer.

Disseram: “era preciso”.
Mas também diziam isso
as grades,
os porões,
os passos na escada
às três da manhã.

E ainda há quem confunda
silêncio com harmonia,
quando o silêncio, às vezes,
é só o grito
sem lugar para nascer.

É preciso lembrar sempre,
para o escuro não voltar.
Toda vez que a farda manda,
a liberdade vai sangrar.
Quem faz do medo um governo
faz da pátria uma prisão.
Grava fundo, em cada peito:
ditadura nunca mais.

Se um dia outra vez vierem
embrulhados em bandeiras,
pedindo que a memória cale,
responde alto, nas ruas:
ninguém entrega o amanhã
para quem roubou a voz de ontem.

É preciso lembrar sempre... (Newton Jayme)
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