Frase de Newton Jayme
 | “ DITADURA NUNCA MAIS Vieram de madrugada, sem tocar a campainha. Trouxeram mapas, listas, medo em papel timbrado. E chamaram de futuro o barulho seco que fizeram na porta. Nas escolas, apagaram nomes. Nos jornais, cortaram palavras. Havia uma sombra sentada em cada mesa de jantar, e um país inteiro aprendendo a falar baixo. Quem discordava sumia. Quem perguntava, apanhava. Quem escrevia, rasgava o próprio verso antes que a noite chegasse. Mas havia sempre alguém guardando fósforos no bolso, um estudante, uma mãe, um operário, um padre, uma mulher na janela decorando rostos para que ninguém fosse esquecido. É preciso lembrar sempre, para o escuro não voltar. Toda vez que a farda manda, a liberdade vai sangrar. Quem faz do medo um governo faz da pátria uma prisão. Grava fundo, em cada peito: ditadura nunca mais. Não foi ordem. Não foi paz. Foi um país amordaçado olhando o próprio retrato sem conseguir se reconhecer. Disseram: “era preciso”. Mas também diziam isso as grades, os porões, os passos na escada às três da manhã. E ainda há quem confunda silêncio com harmonia, quando o silêncio, às vezes, é só o grito sem lugar para nascer. É preciso lembrar sempre, para o escuro não voltar. Toda vez que a farda manda, a liberdade vai sangrar. Quem faz do medo um governo faz da pátria uma prisão. Grava fundo, em cada peito: ditadura nunca mais. Se um dia outra vez vierem embrulhados em bandeiras, pedindo que a memória cale, responde alto, nas ruas: ninguém entrega o amanhã para quem roubou a voz de ontem. É preciso lembrar sempre...” |
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