Frase de Newton Jayme
 | “ Teu nome ainda mora na quina da minha boca, como um copo esquecido na mesa depois da festa O tempo varreu as pegadas da sala, mas não levou o peso do teu riso Tem dias que a ausência faz barulho feito um trem cruzando uma ponte de ferro, e eu fico ali, parado, vendo o nada passar, carregado de você Se tudo é rio, por que esse amor é pedra? Se tudo voa, por que ele finca raiz no vento? Eu já tentei te desaprender nos detalhes, trocar tua voz por uma canção de rádio, mas teu silêncio tem um gosto antigo que nenhuma novidade consegue dissolver É como um incêndio manso, ardendo sem fumaça dentro do peito E quanto mais o mundo gira e desmente, mais esse resto de nós insiste Se tudo passa, por que você não vai? Por que teu semblante escolheu me habitar? Se o tempo é estrada que nunca retorna, quem foi que ensinou o amor a ficar? Te levo em mim sem corpo, sem tempo, feito mar que não precisa do cais Se tudo passa, me explica agora: por que é que você ainda não passa? Te procurei nos cantos improváveis, numa xícara trincada, num livro esquecido Mas você não cabe em lugar nenhum, porque virou tudo que eu vejo Saudade é bicho sem anatomia: não sangra, não morre, não pede licença Só deita comigo toda noite e acorda antes de mim Talvez o amor seja erro do tempo, um defeito bonito na lógica do fim, uma chuva que cai ao contrário, molhando o que já não está aqui Se tudo passa, por que você não vai? Por que teu semblante escolheu me habitar? Se o tempo é estrada que nunca retorna, quem foi que ensinou o amor a ficar? Te levo em mim sem corpo, sem tempo, feito mar que desaprendeu de secar Se tudo passa… então me diz, embora: por que é que você insiste em ficar?” |
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