Frase de Newton Jayme

Frase adicionada por Newton-Jayme em 17/03/2026

Newton Jayme
Teu nome ainda mora
na quina da minha boca,
como um copo esquecido
na mesa depois da festa

O tempo varreu as pegadas da sala,
mas não levou o peso do teu riso
Tem dias que a ausência faz barulho
feito um trem cruzando
uma ponte de ferro,
e eu fico ali, parado,
vendo o nada passar,
carregado de você

Se tudo é rio,
por que esse amor é pedra?
Se tudo voa, por que ele
finca raiz no vento?

Eu já tentei te desaprender nos detalhes,
trocar tua voz por uma canção de rádio,
mas teu silêncio tem um gosto antigo
que nenhuma novidade consegue dissolver
É como um incêndio manso,
ardendo sem fumaça dentro do peito

E quanto mais o mundo gira e desmente,
mais esse resto de nós insiste

Se tudo passa, por que você não vai?
Por que teu semblante escolheu me habitar?
Se o tempo é estrada que nunca retorna,
quem foi que ensinou o amor a ficar?
Te levo em mim sem corpo, sem tempo,
feito mar que não precisa do cais

Se tudo passa, me explica agora:
por que é que você ainda não passa?

Te procurei nos cantos improváveis,
numa xícara trincada, num livro esquecido
Mas você não cabe em lugar nenhum,
porque virou tudo que eu vejo

Saudade é bicho sem anatomia:
não sangra, não morre,
não pede licença
Só deita comigo toda noite
e acorda antes de mim

Talvez o amor seja erro do tempo,
um defeito bonito na lógica do fim,
uma chuva que cai ao contrário,
molhando o que já não está aqui

Se tudo passa, por que você não vai?
Por que teu semblante escolheu me habitar?
Se o tempo é estrada que nunca retorna,
quem foi que ensinou o amor a ficar?
Te levo em mim sem corpo, sem tempo,
feito mar que desaprendeu de secar

Se tudo passa… então me diz, embora:
por que é que você insiste em ficar?


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Teu nome ainda mora
na quina da minha boca,
como um copo esquecido
na mesa depois da festa

O tempo varreu as pegadas da sala,
mas não levou o peso do teu riso
Tem dias que a ausência faz barulho
feito um trem cruzando 
uma ponte de ferro,
e eu fico ali, parado,
vendo o nada passar, 
carregado de você

Se tudo é rio,
por que esse amor é pedra?
Se tudo voa, por que ele
finca raiz no vento?

Eu já tentei te desaprender nos detalhes,
trocar tua voz por uma canção de rádio,
mas teu silêncio tem um gosto antigo
que nenhuma novidade consegue dissolver
É como um incêndio manso,
ardendo sem fumaça dentro do peito

E quanto mais o mundo gira e desmente,
mais esse resto de nós insiste

Se tudo passa, por que você não vai?
Por que teu semblante escolheu me habitar?
Se o tempo é estrada que nunca retorna,
quem foi que ensinou o amor a ficar?
Te levo em mim sem corpo, sem tempo,
feito mar que não precisa do cais

Se tudo passa, me explica agora:
por que é que você ainda não passa?

Te procurei nos cantos improváveis,
numa xícara trincada, num livro esquecido
Mas você não cabe em lugar nenhum,
porque virou tudo que eu vejo

Saudade é bicho sem anatomia:
não sangra, não morre,
não pede licença
Só deita comigo toda noite
e acorda antes de mim

Talvez o amor seja erro do tempo,
um defeito bonito na lógica do fim,
uma chuva que cai ao contrário,
molhando o que já não está aqui

Se tudo passa, por que você não vai?
Por que teu semblante escolheu me habitar?
Se o tempo é estrada que nunca retorna,
quem foi que ensinou o amor a ficar?
Te levo em mim sem corpo, sem tempo,
feito mar que desaprendeu de secar

Se tudo passa… então me diz, embora:
por que é que você insiste em ficar? (Newton Jayme)
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