Frase de Newton Jayme

Frase adicionada por Newton-Jayme em 26/02/2026


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FÉ MENINA

A mulher acorda antes do universo
e acende o dia com o corpo 
ainda em sonho.
Não faz anúncio 
do que sustenta —
põe água no fogo,
organiza o invisível,
e o mundo começa.

Há uma coragem que não grita.
Ela passa roupa, passa raiva,
passa a mão no próprio medo
como quem diz: “fique manso”.
Depois atravessa a rua, a vida,
com a dignidade de quem carrega 
feira e destino no mesmo braço.

Suas conquistas não pedem palco.
São miúdas e imensas:
um diploma guardado entre receitas,
um salário que paga o gás e a esperança,
um “não” dito na hora exata
como quem fecha a porta ao que não presta.

Reza enquanto lava o quintal,
mas também duvida —
e nessa dúvida há fé suficiente
para mover a semana inteira.
Sabe que o erro existe,
mas não se ajoelha a ele;
aprende, respira, continua.

Quando ri, ilumina o azulejo gasto.
Quando chora, não é fraqueza —
é excesso de humanidade.
A mulher faz do cotidiano 
um território sagrado
sem precisar nomear milagre.

E no fim do dia,
quando se senta 
com os pés cansados,
há uma grandeza discreta 
em seus ombros:
ela não salvou o mundo —
mas o manteve vivo. (Newton Jayme)
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