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Newton Jayme
Coleção de Frases e Pensamentos de
Newton Jayme
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1.919 frases
“
Não importa se a treva se estende infinita,
Como um manto de luto sobre a terra sofrida!
Nem se os medos se erguem — espectros da dor —
A noite é tirana... mas há sempre o fulgor!
Lá no alto — nas dobras do céu tão profundo —
Cintilam estrelas, faróis deste mundo,
Que acendem nas almas feito centelha bendita,
Os sonhos de paz que a sombra jamais precipita!
Oh, coração que se curva à tormenta,
Levanta-te, audaz, que o sol te alimenta!
A cada pegada, o espírito exsurge,
Na brisa que canta, na fé que não urge...
Ainda que o véu da noite caia espesso,
E o mundo pareça sem rumo, sem endereço,
Surge o alvorecer — promissora alvorada —
Fazendo da aurora a trombeta sagrada!
Na luta, o homem não cede, não chora,
Ergue os braços à tempestade que estoura!
Mesmo em dores, na escuridão, sem guarida,
A coragem flameja! A coragem é vida!
E, ao romper de cada novo arrebol,
Gritamos ao tempo: “Erguei-vos ao sol!”
Somos bravos! Seguimos, de pé, de punho erguido,
Com a luz nos olhos e o peito estendido!
Que nunca se apague a esperança ardente,
Que em nossos passos viva eternamente!
Pois mesmo no abismo mais obscuro e profundo,
Somos lampejos, clarão deste mundo!
E se o céu nos desafia — vasto e sem fim —
Respondemos com fé:
“A luz potente renasce em mim!.
”
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É um ir sem voltar.
Viver: é seguir, sem parar...
Quem parte, renasce
em outro mundo — a festejar!
”
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Solta na amplidão,
ó lua de São Jorge,
risca o céu da roça,
alumia o meu sertão...
”
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“
Não importa o veneno,
O amor sempre se destila em poesia.
”
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“
Quando o corpo adormece e a noite se ajoelha,
A alma — alada beija-flor — ao céu se lança!
Nas sombras do repouso, a essência é centelha,
Mas o espírito ascende, livre em sua dança.
Estrelas, como círios no véu do firmamento,
Se acendem — é o alvorecer da consciência!
E o sonho, clarim do eterno pensamento,
Rompe as grades do ser e voa em existência.
Oh! No silêncio imponente do sono profundo,
A alma liberta eleva-se além do mundo...
Ela não vagueia: voa, arde e ensina!
Enquanto repousa o corpo em leito fatal,
O espírito sobe num trilho imortal,
E beija os astros como um anjo que alucina!
”
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“
Queria pôr na realidade meus desejos,
Fazer deles voz, fazer deles festa,
Fugir desses medos, desses lampejos,
De um amor que escapa e que se manifesta.
Queria desenhar meus passos no chão,
Com sonhos que navegam na maré,
Jogar fora a pedra, a solidão,
Seguir o que o silêncio me disser.
Queria soltar meus segredos, enfim,
Como quem joga a rede no mar,
Deixar pra trás o peso, o motim,
Que insiste em não querer me largar.
Queria contar a minha história,
Sem medo do tempo, da dor ou do vão,
Fazer do erro a minha memória,
E da queda, o passo da canção.
”
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“
Queria escrever meus anseios,
Tecê-los em névoa e luar,
Fugir dos antigos receios,
Ver o amor sem se revelar.
Queria bordar meus caminhos
Com sonhos de branda maré,
Lançar ao vento os espinhos,
Seguir onde o silêncio é.
Queria esculpir meus segredos
Em vidro, sombra e canção,
Soltar os antigos enredos
Que dormem no coração.
Queria inventar minha história,
Sem medo da noite ou do chão,
Fazer do vazio riso e memória,
E do fim, uma transfiguração.
”
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RITUAL DE PERMANÊNCIA
I – O Grito
Não quero, ó mestres, que me ensinem a morrer!
— Pois a dor, no berço, já me veio por destino...
Do ventre ardente, ergue-se o ser — desde menino —
Do viver que sangra, mas insiste em florescer.
II – A Luta
Cortai-me os ramos! Cada golpe é um clarim:
A árvore geme... e mais se cobre de esperança.
Na cova escura, onde o silêncio nada alcança,
A semente explode em frutos — contra o fim!
III – A Noite Interior
Nas noites mudas, onde a alma se derrama,
Sonho que a morte vem suave — e não reclama...
Só beija a fronte pálida da dor que a chama.
IV – O Esquecimento
Flor que desfolha ao vento, em vão me espero:
Sou vulto errante, preso ao mundo que venero,
Mas que me esquece — e passa, frio e sincero.
V – O Tempo Sussurra
Há um vento antigo nas folhas caídas,
Que fala de coisas que nunca foram ditas
E dormem nas sombras das horas perdidas.
VI – O Voo
Não peço que fiques, nem peço que partas:
A vida é o voo de asas breves e tão fartas
Que não se contém sequer nas mãos que a resguardas.
”
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“
Mãos que se erguem —
puras, fraternas —
são preces vivas,
em gesto e calor...
Fé que não fala,
mas age serena,
germina em valor,
floresce em amor!
”
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“
Tudo o que ensina tem
o poder de mudar o que é sina.
”
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“
Você me deu um gole de veneno,
Fiz dele uma taça de vinho pleno!
”
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“
TRANSMUTAÇÃO
Você me deu um gole de veneno,
Fiz dele uma taça de vinho pleno!
Sorri com o amargo na garganta,
Minha dor, agora, é quem canta.
Plantei espinhos em solo ferido,
Floresceram liricamente, sem ruído.
Do fel, tirei o doce mais maduro,
Transformei pesadelo em chão seguro.
As lágrimas que escorriam em vão
Hoje irrigam minha libertação.
O que era queda, virou elevação,
Do fundo, fiz minha ascensão.
Você quis ver meu fim, eu vi recomeço.
Me dei afeto onde faltou apreço.
E nessa alquimia do meu próprio ser,
Aprendi: sofrer também é renascer.
”
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O que persigo?
Estive a me perguntar.
O amor que brota depois do jazigo,
A alma respondeu, num canto a soluçar.
Não é a juventude que o tempo ceifou,
Nem o delírio que a memória guardou.
É a pessoa de um nome que não cessou,
É o rastro da manhã que o bem ressuscitou.
Não é a saudade que a solidão envenena,
Nem a ausência que a noite reclama.
É a lembrança que incendeia o mar,
Um desejo ardente a não findar.
É a esperança, vestida de véu escuro,
No silêncio que a aurora vem revelar;
Mesmo sem toque, rosto ou escudo,
A alma busca — fiel, no além a se encontrar.
”
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Meus barcos... meus rios, meu leito,
Minha taça sedenta e vazia.
A dor atravessa um estreito,
Sozinho, encerrei meu dia.
O beijo sangra meus lábios...
São desejos ou desvarios?
Não sei — deixei meus ensaios.
Amar, onde ficaram seus brios?
Ah, nada entendo de remos,
Chego ao mar — tantas águas...
Eu e você... dois extremos,
Mas sem rancor, sem mágoas.
O amor — timoneiro em mares profundos,
Canoas vão, seguem, navegam por rumos...
Será o fim... ou o recomeço dos mundos?
”
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Meus barcos, meus rios...
Minha taça — ainda vazia.
A dor, os becos perdidos...
Na noite, sozinho, encerrei o meu dia.
O beijo, a sangrar meus lábios...
Seriam desejos? Ou meros delírios?
Não sei — calei os meus sonhos.
E o amor? Onde jazem seus brios?
Ah, não entendo de cenas, nem de remos,
mas chego ao mar — e ele me chama:
tanto desejo... eu e você, par sem drama.
O amor: timoneiro, bússola ou desatino?
As canoas seguem — tantos caminhos...
Será este o fim, ou só um novo destino?
”
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“
Os sonhos são resquícios da própria vida,
Devaneios que buscam seus complementos,
Essências que pairam na curva da despedida,
Desejos que acendem sentidos e sentimentos.
São rastros que dançam nas frestas da memória,
Delírios guardados em silêncios profundos,
Fragmentos dispersos de uma antiga história,
Clamando por luz nos breves segundos.
No sono silente, ressoam atos por viver,
Roteiros invisíveis que ousam voar,
Na penumbra, impulsos da alma a florescer,
Sombras em bailado no vazio a valsear.
E, entre névoas, os olhos do mundo a se perder,
Em cada instante, nenhum sonho quer cessar,
Ser vida que pulsa, corpo a se refazer,
Curando as dores do tempo a passar.
Quando o claro rasga o véu da ilusão,
Restam lágrimas de sonhos em expansão,
Na eterna viagem entre o ser e o querer,
Os sonhos vivem: suspensos, tentando vencer.
”
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Sonhos – Um Cântico à Alma Errante
Ó sonhos! Fulgentes vestígios da existência,
Soltos ventos da vida em brasa ardente,
Fantasmas suaves da pura essência,
Chamas que incendeiam o peito errante!
São sombras que bailam no teatro do ser,
Visões fugazes que a memória guarda,
Delírios profundos que vêm a florescer,
Na noite silente, a alma resguarda.
No leito do sono, o mundo se expande,
Roteiros invisíveis no infinito espaço,
E o espírito, em vôo, altivo, grande,
Busca o eterno no suave abraço.
Ó claros olhos que o mundo contemplam,
Em cada instante, um sonho se eleva,
Pois é vida que pulsa, que quer e que tenta,
E renasce em luz quando a noite leva.
Quando o dia rompe a céu da fantasia,
Só lágrimas restam da eterna quimera,
Mas o sonho vive — chama que alumia —
Na luta sem fim da dor derradeira!
”
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Newton Jayme
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“
A vida é um profundo mistério,
Do útero ao fim, no cemitério...
Ó vida, enigma profundo e sagrado,
Do ventre oculto ao túmulo selado!
Nasce em pranto, entre luzes e sombras,
E finda em silêncio onde a alma assombra.
”
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AMORES BÍBLICOS
Ó, amor, que nas profundezas da alma ressoas,
Tens quatro faces — sagradas, sublimes, belas —
Como estrelas que no céu, formosas,
Brilham em versos, templos, cantos e janelas.
Ágape, chama que arde sem esperar,
Amor que Deus em Cristo nos doou,
Sacrifício eterno, luz a brilhar,
Que abraça o mundo e tudo perdoou.
Philia, laço firme da amizade,
Que une corações em terna aliança,
É a voz do amigo em leal verdade,
É o aperto de mão, é a esperança,
É elo que nasce e cresce desde a infância.
Storgē, amor de sangue, mãe e vida,
Terno abrigo no medo e na dor,
Em cada gesto, a afeição erguida,
Refúgio certo, eterno calor.
Colo materno: primeiro altar.
Eros, paixão, chama que incendeia,
Entre amantes, o desejo sutil,
Sublime tormento que a alma anseia,
O amor terreno, ardente e febril.
Início da família: em Deus crescei
E multiplicai-vos — semente do lar.
São esses os amores que a Bíblia entoa,
No céu, na terra, em verso e em prosa,
Em cada peito, a chama que ressoa,
Humilde e forte, suave e vigorosa.
Ó, alma humana, aprende a amar —
Na graça, na amizade, na ternura, na paixão —
Pois só no amor se pode a verdade encontrar:
A essência eterna da criação à ressurreição.
---
Ágape: ἀγάπη - Amor incondicional, divino - João 3,16; 1 Coríntios 13
Philia: φιλία - Amizade, fraternal - João 21; Romanos 12,10
Storgē: στοργή - Familiar, afeição - Romanos 1,31; 2 Timóteo 3,3
Eros: ἔρως - Romântico, sexual - Cântico dos Cânticos (conceito, não o termo)
Os autores cristãos enfatizam o amor ágape (incondicional, sacrificial), que reflete o amor de Deus por nós.
”
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Mãos que se erguem —
puras, fraternas —
são preces vivas, em gesto e calor...
Fé que não fala, mas age serena,
germina em valor, floresce em amor!
”
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“
Mãos estendidas, acolhedoras, revelam na prática a fé que floresce em solidariedade.
”
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A intensidade do amor pulsa em comunhão;
Nenhuma ausência desata do coração o enlace.
Jamais o vendaval apaga o impulso, a vocação —
O amor: centelha viva, acesa, sem disfarce.
Pelas trilhas íngremes, o amor traça atalhos;
Em vendavais, a cumplicidade é âncora.
Na noite dos dias, clareia passos falhos,
E, na incerteza, o céu sustém sua aurora.
Se o tempo enfraquece o corpo e a memória,
O amor resiste, intacto, além da história,
Morando onde o tempo cessa, mas não desfaz.
Pois quem ama enxerga o que não se vê,
Colhe flores mesmo sem saber o porquê,
Faz do peito seu abrigo, seu rumo, seu eterno cais.
”
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É mister tombar
no abismo da dor
para erguer-se
nas asas da liberdade.
Só quem morre em si mesmo
pode renascer pleno de eternidade.
”
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Newton Jayme
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“
Aqui...
A vida é imensa!
É vasto o céu!
É abissal a criação!
É chama acesa —
ardência que não cessa,
Semente viva a rasgar o chão!
Oh, vida intensa!
Luz de alvorada em riste,
Ainda que um sopro triste,
Ou um instante em agonia,
Um soluçar de poesia...
Ou um minuto, apenas,
De sofreguidão!
Seja lágrima ou riso,
Desalento ou solidão,
Seja dor que o peito encerra,
Ou saudade que aterra —
Ainda assim...
É vida em renovação!
E quando enfim
Nos vier a Morte,
Como estação que muda o vento,
Como outono que leva a flor,
Não será fim, não será dor...
Será renascimento!
Pois a Morte, ó viajante,
É apenas outra estrada,
É o nascer do dia palpitante —
Semente eternamente lançada
Na terra santa da Criação!
É manhã de esperança,
É sol nascente
em outra dimensão...
A Morte é a vida em dança!
É sempre aurora de ressurreição!
”
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Newton Jayme
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“
Flor com espinhos —
mesmo assim dá seu néctar
aos passarinhos.
Flor com espinhos —
dá seu néctar às abelhas
e aos passarinhos.
”
―
Newton Jayme
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Newton Jayme
Membro desde:
12/03/2013
Frase do Dia
“
As ações são corretas na medida em que tendem a promover a felicidade, erradas na medida em que tendem a promover o reverso da felicidade.
”
—
Stuart Mill
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