Frases de Memória (adicionadas pelos usuários)


Marcelo Monteiro
CAPÍTULO XX
A NOITE NUPCIAL DA CONSCIÊNCIA.
Do Livro: Não Há Arco-íris No Meu Porão.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
A noite não chegou como ameaça
veio como véu.
Camille não a esperou
apenas ficou
e o escuro reconheceu nela aquilo que sempre foi seu.
Não houve testemunhas
pois toda união verdadeira acontece fora do mundo
a consciência não pediu permissão à razão
nem explicou-se à memória
ela apenas desceu até onde não havia mais nome.
O porão tornou-se câmara nupcial
não de carne mas de sentido
ali a sombra não foi negada
foi acolhida
como quem recebe enfim o rosto que sustentou a vida inteira.
Camille não lutou contra si
pois já sabia
toda guerra interior é atraso
a maturidade começa quando o eu depõe as armas
e consente em ser inteiro”
“Nessa noite não houve promessa
porque prometer é ainda temer
houve entrega
e na entrega a consciência deixou de se fragmentar
o que era dor tornou-se forma
o que era medo tornou-se escuta.
A sombra não lhe pediu absolvição
pediu presença.
Camille respondeu ficando
e ao ficar selou a união
não com palavras
mas com silêncio suficiente para sustentar o real.
Desde então ela não busca luz
pois a luz que se busca cansa
ela carrega dentro de si o escuro reconciliado
e caminha
não para fora
mas a partir do centro.
E assim a noite nupcial não termina
pois tudo o que é verdadeiro continua
e aquele que ousa unir-se a si mesmo
ergue no íntimo um reino que não desmorona jamais.

Maria Luz
Hoje foi um dia perfeito: Abri os olhos, inspirei vida e expirei gratidão pela mesma... Amei o meu marido e filho como todos os dias da minha vida... Disse-lhes o quanto os amo, e embora eles o saibam, para mim dizê-lo inúmeras vezes nunca é demais... Tomei o pequeno almoço, vesti-me, preparei-me e saí para a rua... Fui ter com as minhas verdadeiras Amigas que são como minhas irmãs... Já juntas na esplanada a ver o mar e com um sol quentinho, abrimos o livro de memórias relembrando os dias e anos que passamos juntas, nos momentos menos bons e bons... E enquanto púnhamos a conversa em dia, tomamos um café com chocolate, e disse-lhes o quanto elas são preciosas para mim e quanto lhes desejo e quero bem... E que o meu coração as guarda com muito Amor, e o meu pensamento, traz-me inúmeras vezes os momentos que juntas passamos, trazendo alegria á minha alma e fazendo-me rir de satisfação... E como o tempo passa enquanto o diabo esfrega um olho, quando estou com elas, chega a hora da despedida, e as saudades já começam a apertar, por isso entre abraços apertados e beijinhos oferecemos umas ás outras um ramo de flores, com diversas espécies e cores... Junto vai um postal onde palavras sentidas demonstram que a nossa Amizade nunca será dividida e esquecida.
Cada uma segue seu caminho, até uma próxima vez que dê para estarmos todas unidas de novo... Até lá eternizo o tempo que com elas passei com alegria, paz, satisfação , prazer e a intensidade com que foi vivida... Eternizar o tempo é viver, estando com os que amamos e nos amam, aceitando cada maneira de ser e estar de cada um... Um dia perfeito, com a maneira perfeita de cada uma com as suas imperfeições!

Juciane Afonso
Eu quis, você quis, nós quisemos, e o mundo aprovou!"

Esta frase foi escrita há mais de 40 anos num pedaço de papel que se perdeu no tempo, mas nunca das nossas lembranças.

Ah, quanta verdade há nestas simples palavras!
Para nós, tem uma magia em torno de cada letra.
Foi um marco em nossas vidas, uma passagem, um portal se abriu para um novo momento, o início de uma outra fase.

Já se passaram 40 anos. O amor esmaeceu, diluiu-se como uma aquarela. Da ferida, nem cicatriz há mais.
Daquele casal de jovens sonhadores, só restaram as lembranças e uma bonequinha Fofolete de roupinha laranjada.
Tanta coisa aconteceu, outras histórias, amores, romances, e também dissabores.

Hoje fui eu quem quis, o universo conspirou e Deus aprovou!
Após quatro décadas sem uma notícia, sem sabermos se estávamos vivos ou não, nos resgatamos e estamos tentando em tão curto tempo recuperar o que o tempo não nos permitiu.

A alegria nos invade, a emoção aflora a cada lembrança compartilhada.
O passado se faz presente, e hoje, somente o hoje nos importa.
Estamos nos reconhecendo novamente, tateando, sentindo, observando um ao outro.

Observando aquelas fotografias, vemos que não reconhecemos o jovem casal naquelas imagens amareladas que o tempo marcou. São imagens distorcidas de um tempo que se perdeu.

Hoje, queremos apenas trazer à memória o que vivemos e não iremos permitir que nada estrague o que o tempo não apagou.

Amanhã, é outro dia, outros sonhos, outras emoções.
E quem sabe, se logo ali, naquela esquina o destino caprichoso nos reencontre, com uma nova carta em mãos, (escrita com uma caligrafia familiar), nos revele que ainda é possível vermos outras imagens naquelas velhas fotos."

Por Juciane Afonso