Frases de Memória (adicionadas pelos usuários)


Maria Luz
Tenho um ente querido com demência com quem falo frequentemente e às vezes pergunto-me se isso significa alguma coisa para ela... Minha tia paterna tem demência avançada. Ocasionalmente, quando falo com ela, uma palavra, música ou nome limpa o seu "nevoeiro" e ela parece ter alguns momentos de conversa feliz... Depois tudo volta ao mesmo, e é tão triste testemunhar a deterioração dela dia após dia... Ela adora as canções antigas e as da igreja... Ela não se lembra que eu a visito de longe a longe, mas sinto quando estou com ela que ela conhece-me, sabe quem sou, porque quando falo sobre os velhos tempos que vivi e passei com ela, o seu olhar fixo em mim e a faísca que às vezes vejo nos olhos dela significa tanto para mim... Fico com lágrimas a escorrer pela cara de dor e de tristeza, por ver como perdi a minha tia Maria, para um terrível ladrão de memórias e almas... Mas vou continuar sempre a tentar com a minha tia, sempre que possa e estiver com ela, mesmo que a mente dela me esqueça, em algum lugar no seu coração ela lembrar-se-á de mim, eu sei que sim,,, Eu sinto isso... Ela, nem ninguém merece esta doença... Viver por viver, sem sentido, sem vida...
Está viva, graças a Deus mas não vive a vida, apenas sobrevive a meu ver ... Que forma tão triste de viver... Qualquer forma de demência, ( porque também já perdi o meu sogro com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), e agora a minha tia Maria sinto que perdemos o nosso ente querido muito antes do corpo deles morrer... Demência e Alzheimer criam tanta dor para todos os envolvidos... Alzheimer é uma doença terrível, é um ladrão de mentes e almas cheias de vida e histórias, que ficam inacabadas
Deus abençoe aqueles que os amarão durante este tempo que cuidam deles, e eu peço a Deus uma cura para esta doença devastadora... Um Devorador de mentes e almas!

Marcelo Monteiro
CAPÍTULO XX
A NOITE NUPCIAL DA CONSCIÊNCIA.
Do Livro: Não Há Arco-íris No Meu Porão.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
A noite não chegou como ameaça
veio como véu.
Camille não a esperou
apenas ficou
e o escuro reconheceu nela aquilo que sempre foi seu.
Não houve testemunhas
pois toda união verdadeira acontece fora do mundo
a consciência não pediu permissão à razão
nem explicou-se à memória
ela apenas desceu até onde não havia mais nome.
O porão tornou-se câmara nupcial
não de carne mas de sentido
ali a sombra não foi negada
foi acolhida
como quem recebe enfim o rosto que sustentou a vida inteira.
Camille não lutou contra si
pois já sabia
toda guerra interior é atraso
a maturidade começa quando o eu depõe as armas
e consente em ser inteiro”
“Nessa noite não houve promessa
porque prometer é ainda temer
houve entrega
e na entrega a consciência deixou de se fragmentar
o que era dor tornou-se forma
o que era medo tornou-se escuta.
A sombra não lhe pediu absolvição
pediu presença.
Camille respondeu ficando
e ao ficar selou a união
não com palavras
mas com silêncio suficiente para sustentar o real.
Desde então ela não busca luz
pois a luz que se busca cansa
ela carrega dentro de si o escuro reconciliado
e caminha
não para fora
mas a partir do centro.
E assim a noite nupcial não termina
pois tudo o que é verdadeiro continua
e aquele que ousa unir-se a si mesmo
ergue no íntimo um reino que não desmorona jamais.