Frases de Memória (adicionadas pelos usuários)


Marcelo Monteiro
CAPÍTULO XX
A NOITE NUPCIAL DA CONSCIÊNCIA.
Do Livro: Não Há Arco-íris No Meu Porão.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
A noite não chegou como ameaça
veio como véu.
Camille não a esperou
apenas ficou
e o escuro reconheceu nela aquilo que sempre foi seu.
Não houve testemunhas
pois toda união verdadeira acontece fora do mundo
a consciência não pediu permissão à razão
nem explicou-se à memória
ela apenas desceu até onde não havia mais nome.
O porão tornou-se câmara nupcial
não de carne mas de sentido
ali a sombra não foi negada
foi acolhida
como quem recebe enfim o rosto que sustentou a vida inteira.
Camille não lutou contra si
pois já sabia
toda guerra interior é atraso
a maturidade começa quando o eu depõe as armas
e consente em ser inteiro”
“Nessa noite não houve promessa
porque prometer é ainda temer
houve entrega
e na entrega a consciência deixou de se fragmentar
o que era dor tornou-se forma
o que era medo tornou-se escuta.
A sombra não lhe pediu absolvição
pediu presença.
Camille respondeu ficando
e ao ficar selou a união
não com palavras
mas com silêncio suficiente para sustentar o real.
Desde então ela não busca luz
pois a luz que se busca cansa
ela carrega dentro de si o escuro reconciliado
e caminha
não para fora
mas a partir do centro.
E assim a noite nupcial não termina
pois tudo o que é verdadeiro continua
e aquele que ousa unir-se a si mesmo
ergue no íntimo um reino que não desmorona jamais.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca
NUM DIA DE INVERNO

Num dia de inverno soalheiro caminho pela praia
Que eu tanto gosto, posso observar o sol e o vento
A brisa a acariciar-me o meu cabelo e a minha face
Brisa suave perfumada com cheiro a maresia
A areia massaja-me os pés, vagueio pelos pensamentos
Pelas memórias de todos os momentos vividos
Hoje ao passear pela praia sinto-me só
Sozinha neste areal, neste mundo, vazio e triste
Como se o meu coração estivesse secado de dor
Como se já não existisse sol, como se o mar estivesse seco
Ando pela praia sem saber onde vai dar, perdida e esquecida
Um caminho de solidão, no meio da tempestade de tristezas
De lágrimas, sonho acordado feito de gritos
Murmúrios, lamentos, choros de dor
Feitas em carne viva que deixam, uma cicatriz na alma
No corpo, como se eu chamasse a morte em vez da vida
Como se carregasse no peito, na mente, as mágoas
Deceções, frustrações, desilusões
Fecha-se as portas as janelas, da vida para ninguém entrar
Um poço fundo escuro, por mais que eu tente sair
Não consigo ler, escrever, rabiscar, publicar
É neste momento a minha terapia para secar a dor
Que atormenta-me para colocar em ordem a minha mente
Que sinto que está em desordem
Sim mostro o mais íntimo do meu ser
E muitas vezes sinto-me nua
Mas a quem o mostro primeiro é a mim mesma
Sim as minhas fraquezas
Mas também minha força a vontade
De quando isto passar terei vontade de rir
Tenho consciência que não sou perfeita
Sou apenas um ser humano
Com defeitos, manias e imperfeições
Que precisa de colocar as coisas cá dentro
Em ordem para melhor avançar, começar a viver sem medo
Sem dor, num dia frio soalheiro passeio pela praia
Que eu tanto gosto, seja de inverno ou verão
Onde molho os pés da minha solidão
Da escuridão da minha alma.