Frases de Memória (adicionadas pelos usuários)


Maria Luz
Hoje quando acordei e abri os olhos procurei o teu retrato como o faço diariamente... Sorri-te, abençoei-te e beijei-te dizendo baixinho, com a voz do coração Feliz dia do Pai...
Mas faço isso todos os dias, saúdo-te, beijo-te e desejo-te um dia feliz e abençoado aí no céu...Aprendi que o Dia do Pai é todos os dias, quando mostramos ao nosso "semeador" que no útero de nossa mãe semeou nossa essência e ao mundo nos fez chegar, o quanto o amamos e desejamos que ele seja feliz... Tu paizinho vives no meu coração e na minha memória… Hoje mais madura sei que tive o melhor pai do mundo, apesar de seus defeitos creio mesmo meu pai querido, que na nossa imperfeição está a nossa perfeição…Pelas tuas filhas tudo fazias, eras incansável…
Sempre presente, e apesar de teu mau feitio de repreender e da voz alta, nunca nos deixavas “abandonadas”, sem uma palavra, sem ajuda, sem nada fazeres… Hoje, entendo, que muitas vezes não era a melhor maneira que tinhas de agir, mas era como o sabias fazer, porque só querias o nosso bem e proteger-nos… Hoje que sou mãe e também já errei, compreendo, pois não vimos a este mundo com manual de instrução para ser pais… Tua recordação viverá eternamente no meu coração, pois é ela que o acalma e o faz sentir-se protegido e amado…
Hoje, amanhã e sempre eu quero recordar-me de ti paizinho… E só quero ter no meu coração o pai afetuoso, companheiro e meigo que eras… Quero que a lembrança e memórias que eu tenho de ti sejam eternas e que eu as honre sempre com amor enquanto viver…Sinto a tua falta, meu pai e sei que nunca vou deixar de sentir esta execrável saudade…Só peço a Deus que um dia voltemos a estar juntos seja no plano espiritual ou terreno, para sentir mais uma vez esse abraço tão pleno de amor e carinho, e podermos sentar-nos á sombra da velha cerejeira dando duas de conversa...
Amo-te paizinho!

Maria Luz
Tenho um ente querido com demência com quem falo frequentemente e às vezes pergunto-me se isso significa alguma coisa para ela... Minha tia paterna tem demência avançada. Ocasionalmente, quando falo com ela, uma palavra, música ou nome limpa o seu "nevoeiro" e ela parece ter alguns momentos de conversa feliz... Depois tudo volta ao mesmo, e é tão triste testemunhar a deterioração dela dia após dia... Ela adora as canções antigas e as da igreja... Ela não se lembra que eu a visito de longe a longe, mas sinto quando estou com ela que ela conhece-me, sabe quem sou, porque quando falo sobre os velhos tempos que vivi e passei com ela, o seu olhar fixo em mim e a faísca que às vezes vejo nos olhos dela significa tanto para mim... Fico com lágrimas a escorrer pela cara de dor e de tristeza, por ver como perdi a minha tia Maria, para um terrível ladrão de memórias e almas... Mas vou continuar sempre a tentar com a minha tia, sempre que possa e estiver com ela, mesmo que a mente dela me esqueça, em algum lugar no seu coração ela lembrar-se-á de mim, eu sei que sim,,, Eu sinto isso... Ela, nem ninguém merece esta doença... Viver por viver, sem sentido, sem vida...
Está viva, graças a Deus mas não vive a vida, apenas sobrevive a meu ver ... Que forma tão triste de viver... Qualquer forma de demência, ( porque também já perdi o meu sogro com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), e agora a minha tia Maria sinto que perdemos o nosso ente querido muito antes do corpo deles morrer... Demência e Alzheimer criam tanta dor para todos os envolvidos... Alzheimer é uma doença terrível, é um ladrão de mentes e almas cheias de vida e histórias, que ficam inacabadas
Deus abençoe aqueles que os amarão durante este tempo que cuidam deles, e eu peço a Deus uma cura para esta doença devastadora... Um Devorador de mentes e almas!

Maria Luz
Eu sempre gostei de escrever desde que apendi as primeiras letrinhas... Adorava juntar as letras e formar palavras, depois gostava de as ler... Mais tarde aprendi a escrever e a ler melhor, e o gosto, esse prazer das letras, de as juntar formar palavras, frases incentivou-me a escrever... Ao longo da minha vida, tornou-se uma necessidade intrínseca, e faço-o até hoje, e por isso eu escrevo tudo, tudo mesmo que vivo ou sinto na minha vida, para que eu nunca o esqueça, seja bom ou mau, não me interessa... Interessa-me é escrever, escrever algo que eu sinta, que eu viva com alguém ou comigo própria, que faça sentido para mim para que eu o volte a sentir ou a viver lendo-o depois de ter ficado escrito há algum tempo ou anos atrás... Escrevo, porque escrever é reviver, viajar pelas memórias e pensamentos que são nossos e que nos deram a viver emoções e sentimentos únicos... Apesar de com a graça de Deus ter uma memória fotográfica, escrever é uma necessidade, é um verdadeiro prazer para mim... Uma felicidade enorme, por escrever como sei e consigo, com sentido ou sem ele, embora para mim tenha sempre sentido e está sempre tudo bem, e se um dia alguém me viesse a ler, sim, porque gostava de um dia realizar o meu sonho escrever um livro, não para ser famosa, mas para deixar algo meu no mundo, e que pudesse fazer algum sentido... Escrevo sempre comigo e comigo, passando para o papel as diferentes emoções do passado, libertando-me, desapegando-me , de coisas e pessoas e de ter aprendido como agir na vivência do presente , do Agora, para o futuro só escrevo, que seja feita a vontade de Deus na minha vida e que eu saiba escolher meu livre arbítrio… Escrevo sempre com toda a sinceridade que a minha alma pensa, vive e sinto… O meu prazer e amor pelo acto de escrever liberta-me senão, eu definharia completamente!
Maria Luz
Era o meu melhor, maior e mais sincero Amigo, o que me pegou ao colo, me embalou, limpou as minhas lágrimas, me deu os abraços mais verdadeiros e sentidos até hoje, o homem que foi e é meu pai, que me amou, sempre e incondicionalmente, completará 75 anos, distante da minha visão, mas dentro do meu coração, das minhas memórias vivas e sentidas...
Mesmo meu pai estando noutro plano eu consigo senti-lo, o que para mim é um presente de Deus isso acontecer, pois de contrário seria ainda mais difícil aceitar esta perda...
Partiu, vai fazer 30 anos e com ele levou parte da minha alegria de viver... Sem ele aqui, o que era verdadeiro deixou de ser, os afectos ficaram superficiais, e por incrível que pareça, durante anos acreditei que o pilar da minha família seria a minha mãe, e foi na sua partida que poucos dias depois vi o quanto ele fazia falta na minha família, o quanto a essência dele era precisa, e que afinal o pilar de nós sermos uma família de afectos era ele...
Ele era o amor verdadeiro, o ombro de confortar, o olhar meigo, doce e emocionado, o abraço forte, seguro e pleno, o beijo sonoro e dado com vontade na face de suas filhas, as palavras duras que rapidamente se transformavam carinhosas e de esperança... ´
Meu pai afinal era amor, a vida da minha casa e eu na altura não reparei, não valorizei... Quanta cegueira, bem -feita agora sofrer assim...
Disse-lhe muitas vezes, que o amava mas outras falhei...
Não o demonstrei, amuei e guardei para mim...
Hoje desde sua partida, digo-lhe todos os dias que o amo e que me perdoe meus erros e minhas falhas... Não ouço a sua resposta, mas sinto no meu coração que ele me perdoou e que me ama incondicionalmente...
Todos os dias à noite olho o céu, e observo as estrelas e sei que aquela estrela que está mais cintilante no céu, que "pisca" sem parar, essa é a que me ilumina...
É o meu PAI.
Fazes-me muita falta paizinho...

Marcelo Monteiro
CAPÍTULO XX
A NOITE NUPCIAL DA CONSCIÊNCIA.
Do Livro: Não Há Arco-íris No Meu Porão.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
A noite não chegou como ameaça
veio como véu.
Camille não a esperou
apenas ficou
e o escuro reconheceu nela aquilo que sempre foi seu.
Não houve testemunhas
pois toda união verdadeira acontece fora do mundo
a consciência não pediu permissão à razão
nem explicou-se à memória
ela apenas desceu até onde não havia mais nome.
O porão tornou-se câmara nupcial
não de carne mas de sentido
ali a sombra não foi negada
foi acolhida
como quem recebe enfim o rosto que sustentou a vida inteira.
Camille não lutou contra si
pois já sabia
toda guerra interior é atraso
a maturidade começa quando o eu depõe as armas
e consente em ser inteiro”
“Nessa noite não houve promessa
porque prometer é ainda temer
houve entrega
e na entrega a consciência deixou de se fragmentar
o que era dor tornou-se forma
o que era medo tornou-se escuta.
A sombra não lhe pediu absolvição
pediu presença.
Camille respondeu ficando
e ao ficar selou a união
não com palavras
mas com silêncio suficiente para sustentar o real.
Desde então ela não busca luz
pois a luz que se busca cansa
ela carrega dentro de si o escuro reconciliado
e caminha
não para fora
mas a partir do centro.
E assim a noite nupcial não termina
pois tudo o que é verdadeiro continua
e aquele que ousa unir-se a si mesmo
ergue no íntimo um reino que não desmorona jamais.