Frases de Memória (adicionadas pelos usuários)


Maria Luz
Um dia eu irei ser avó se Deus quiser e mo permitir e peço a Deus que me ajude a ser uma avó de afectos, pois foi assim que fui criada com a minha avó paterna...
Se hoje sou uma pessoa de afectos, devo-o ao meu pai, mas principalmente a sua mãe, minha avó paterna, que me ensinou muito, e a quem devo em grande parte o que sou hoje!
Que saudades sinto da minha avó...
Era muito linda a minha avó... Não era rica, era uma mulher de campo, de lavar a roupa na ribeira à chuva, à neve, ao frio e ao calor... Mas nunca houve falta de pão com manteiga e a bela sopa feita no pote à lareira que tão bem sabia, meu Deus...
Eu passava férias com ela porque vivia no Porto, cidade Linda e ela vivia numa pequena aldeia, que por acaso também é o meu berço Natal... Lá eu não saía de casa durante o dia, parecia que a casa e o cheirinho dela tinham mel com canela... Ela era a flor e eu a abelha, sempre a zumbir de um lado para o outro... Para onde ela ia , aí estava eu a seu lado, agarrada ao seu avental ou abraçada à sua cintura...
Lá nem televisão, nem telefone, nem os livros me faziam falta... Só ela era o meu centro das atenções, o meu mundo...
Vivi momentos e historias lindas com ela, que ainda hoje as revejo e revivo vezes sem conta... Vivi tantas coisas mágicas que só podiam ter acontecido na casa e na companhia da minha avó Alda...
Ela já partiu a alguns anos, mas mesmo no céu continuo a senti-la perto de mim!
A minha avó foi o que de melhor tive na minha infância, e o que aprendi e vivi com ela foi a melhor herança que me pôde deixar... Adorava que o tempo voltasse para trás, para a ter de novo comigo e a cobrir de amor.
Minha avó deixou- me memorias e marcas no coração eternas... Felizes são aqueles que têm memórias, e eu sou muito, muito feliz, pois tenho memórias sem fim para recordar e viver!
Sua memória enche-me o coração e conforta-me a alma!

Carlos Vieira de Castro
O HOMEM DE RUA E O MANEQUIM…
(Ou como o sonho bem sonhado e sentido se pode tornar realidade)
Mal as luzes da cidade se iam incandescendo e a noite caindo a pique na cidade indiferente e fria; passavam gentes e arrumavam-se dele como se ali estivesse um cão sarnoso ou uma mortífera cobra cascavel, prontos a contaminá-los ou a mordê-los.
O certo, é que quase sempre e impreterivelmente àquela mesmíssima hora, ele lá vinha em pose teimosa e ar saudoso e pesaroso e quando chegava frente à montra, transfigurava-se e vestia um olhar de meiguice. Ele, mesmo, naquele pobre corpo sujo que pedia alimento e rejeitava sofrimento.
Adotava então uma posição de adoração, amorosa mesmo, e dialogava para o manequim vestido de noiva reluzente e este, Deus meu! respondia-lhe com meiguice.
Era o bastante para lhe acudir à memória já sem estória, o dia do seu casamento, a noiva de véu e grinalda e ele de fato de corte e estilo inglês, pose de cavalheiro cortês.
Lembrava também com amargura e muita revolta os empurrões e puxões para onde a vida falsa o catapultara: o desemprego sem receber um prego; o álcool que o abraçou; a família que o ignorou; a solidão e a rebeldia com que então ele casou.
Tudo isto e mais e mais ele continuava a contar com uma quase loucura à sua amiga manequim, confidente e nunca indiferente, apesar da sua indesmentível beleza e cabelos falsos, da cor do ouro pintados.
E não é, senhores, que de súbito ela desce do baixo pedestal em que a colocaram; abandonou a montra onde a postaram; vem cá fora ao passeio da rua a cheirar à trampa de muita gente; de muitas solas de sapatos que calcaram dejetos; dá o braço torneado, bonito, ao sem-abrigo, e lá seguem os dois, lado a lado, sorridentes, apaixonados e mesmo enlaçados.
Caminharam os dois, passeio adiante, pela cidade cada vez mais fria e menos sem gentes.
Foram, foram, até a um infinito da cidade e jamais os enxergaram de vista, até hoje…

Maria Luz
Era o meu melhor, maior e mais sincero Amigo, o que me pegou ao colo, me embalou, limpou as minhas lágrimas, me deu os abraços mais verdadeiros e sentidos até hoje, o homem que foi e é meu pai, que me amou, sempre e incondicionalmente, completará 75 anos, distante da minha visão, mas dentro do meu coração, das minhas memórias vivas e sentidas...
Mesmo meu pai estando noutro plano eu consigo senti-lo, o que para mim é um presente de Deus isso acontecer, pois de contrário seria ainda mais difícil aceitar esta perda...
Partiu, vai fazer 30 anos e com ele levou parte da minha alegria de viver... Sem ele aqui, o que era verdadeiro deixou de ser, os afectos ficaram superficiais, e por incrível que pareça, durante anos acreditei que o pilar da minha família seria a minha mãe, e foi na sua partida que poucos dias depois vi o quanto ele fazia falta na minha família, o quanto a essência dele era precisa, e que afinal o pilar de nós sermos uma família de afectos era ele...
Ele era o amor verdadeiro, o ombro de confortar, o olhar meigo, doce e emocionado, o abraço forte, seguro e pleno, o beijo sonoro e dado com vontade na face de suas filhas, as palavras duras que rapidamente se transformavam carinhosas e de esperança... ´
Meu pai afinal era amor, a vida da minha casa e eu na altura não reparei, não valorizei... Quanta cegueira, bem -feita agora sofrer assim...
Disse-lhe muitas vezes, que o amava mas outras falhei...
Não o demonstrei, amuei e guardei para mim...
Hoje desde sua partida, digo-lhe todos os dias que o amo e que me perdoe meus erros e minhas falhas... Não ouço a sua resposta, mas sinto no meu coração que ele me perdoou e que me ama incondicionalmente...
Todos os dias à noite olho o céu, e observo as estrelas e sei que aquela estrela que está mais cintilante no céu, que "pisca" sem parar, essa é a que me ilumina...
É o meu PAI.
Fazes-me muita falta paizinho...

Maria Luz
Disseram-me que sou como uma estrela, linda e que brilho e ilumino o que me rodeia... Gostava de acreditar, mas não creio nisso, minha presunção não chega a tanto, porque eu não aguentaria a luz que a estrela contém, é demasiada para mim... Sou minúscula, como um grão de areia neste universo, e em mim desponta uma mínima luz que vem do alto… Mínima, porque preciso de aprender ainda mais, evoluir ainda mais, sou uma peregrina nesta ciranda da vida… Linda? bem isso, é a opinião deles, a mim, importa-me mais que lindas sejam as minhas atitudes para com meu próximo, aí sim, sei que tenho bom coração, sou generosa, solidária e prestativa … desde que possa estou lá!...
Sou um ser em constante busca do que é simples e bonito, daquilo que tem mais valor para mim, como a saudação ao cruzar com o vizinho, um aperto de mão, um abraço, um beijo, uma palavra de carinho…Gosto de sentir e relembrar o “perfume” das boas memórias, de pessoas idas, das coisas que perdi… Gosto do meu interior “limpo”, e liberto de sentimentos negativos,
onde só vive o amor, a harmonia, a alegria e a fé no alto… Aprendi, a não deixar que a dor ou a mágoa endureçam meu coração, e que minha alma se sinta afectada por isso…Eu CREIO, que tanto a minha essência, como o meu carácter, não são definidos por palavras, mas podem ser definidos pelos meus actos e gestos, pelos pequenos detalhes impregnados na minha vida… É como o principezinho disse” é somente com o coração que podemos ver correctamente; o essencial é invisível aos olhos..