Frase de Newton Jayme
 | “ MORRO DOS VENTOS UIVANTES No alto do monte, onde a noite arqueja, e o vento escreve salmos sobre a pedra, vi duas almas desafiando o tempo, como dois raios presos à mesma treva. Ela era a flor que o inverno não vencia; ele, a raiz ferida pela enxada. Amaram-se com a força dos abismos, e cada beijo abria uma alvorada. Mas veio o mundo — velho carcereiro — medindo o amor por ouro e por brasões; e as mãos que o céu unira num relâmpago foram partidas pelas convenções. Então nasceu a sombra da vingança. O coração, sem luz, tornou-se espada. Quem faz da dor um trono e uma coroa reina sozinho sobre a própria estrada. O vento uivava... E as árvores antigas curvavam-se ao lamento dos amantes. Nem mesmo a morte ousou romper o laço que unia aqueles dois tão semelhantes. Porque há amores feitos de eternidade: não cabem nas paredes da existência. São rios que atravessam os sepulcros, são astros que ignoraram a distância. E quando o último crepúsculo tombar sobre os telhados frágeis deste mundo, talvez o amor — despido da vingança — renasça puro, luminoso e profundo. Pois tudo passa: o orgulho, a dor, a ausência; desfaz-se o império das paixões humanas. Mas quem amou com a verdade da alma deixa uma estrela acesa nas campanas do tempo. E os ventos, que pareciam apenas chorar, hão de aprender, enfim, a cantar: que o amor não morre quando cessa a vida — morre somente quando deixa de perdoar.” |
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