Frase de Newton Jayme

Frase adicionada por Newton-Jayme em 07/07/2026


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MORRO DOS VENTOS UIVANTES

No alto do monte, onde a noite arqueja,
e o vento escreve salmos sobre a pedra,
vi duas almas desafiando o tempo,
como dois raios presos à mesma treva.

Ela era a flor que o inverno não vencia;
ele, a raiz ferida pela enxada.
Amaram-se com a força dos abismos,
e cada beijo abria uma alvorada.

Mas veio o mundo — velho carcereiro —
medindo o amor por ouro e por brasões;
e as mãos que o céu unira num relâmpago
foram partidas pelas convenções.

Então nasceu a sombra da vingança.
O coração, sem luz, tornou-se espada.
Quem faz da dor um trono e uma coroa
reina sozinho sobre a própria estrada.

O vento uivava... E as árvores antigas
curvavam-se ao lamento dos amantes.
Nem mesmo a morte ousou romper o laço
que unia aqueles dois tão semelhantes.

Porque há amores feitos de eternidade:
não cabem nas paredes da existência.
São rios que atravessam os sepulcros,
são astros que ignoraram a distância.

E quando o último crepúsculo tombar
sobre os telhados frágeis deste mundo,
talvez o amor — despido da vingança —
renasça puro, luminoso e profundo.

Pois tudo passa: o orgulho, a dor, a ausência;
desfaz-se o império das paixões humanas.
Mas quem amou com a verdade da alma
deixa uma estrela acesa nas campanas do tempo.

E os ventos, que pareciam apenas chorar,
hão de aprender, enfim, a cantar:
que o amor não morre quando cessa a vida —
morre somente quando deixa de perdoar. (Newton Jayme)
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