Frase de Newton Jayme
 | “ A CANÇÃO DOS NAMORADOS Eles chegaram sem relógio, sem tempo como quem cai dentro de um sonho sem pedir licença ou aconchego. O encontro não foi gesto — foi ruído antigo, um trincado no vidro do cotidiano por onde a luz aprendeu a escapar. Namorados, disseram os outros, como se fosse um título possível de desenhar na pele, mas eles sabiam: eram mais verbo que nome, mais intervalo que definição. Ela guardava tempestades em cântaros pequenos, ele colecionava silêncios como se fossem moedas raras. Quando se tocavam, o mundo perdia o eixo e passava a girar em torno de um detalhe esquecido. Não havia promessas — só continuidade improvisada, como rio que decide inventar o próprio leito no meio da pedra. E toda vez que tentavam dizer “para sempre”, a palavra se desfazia no ar feito açúcar em café quente demais. Ficaram assim: dois acidentes que deram certo por instinto, duas margens fingindo que não sabem que pertencem ao mesmo corte no mapa. Se isso é amor, não sei. Mas há músicas que só existem quando dois corpos esquecem de terminar a frase.” |
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