Frase de Newton Jayme

Frase adicionada por Newton-Jayme em 08/05/2026

Newton Jayme
BENDITAS SEJAIS, MAMÃES!

No fundo da panela
o dia principia,
teu silêncio temperando
a fome e a ventania.
A casa era pequena,
mas cabia o mundo inteiro
quando tua voz surgia
feito água em fevereiro.

Teu amor nunca fez festa,
nunca pediu atenção,
era um lampião aceso
na varanda da aflição.
Enquanto o tempo corria
feito bicho assustadiço,
tu bordavas esperança
no avesso do serviço.

Benditas sejais,
mulheres de barro e clarão,
que aprendem o peso exato
de sustentar um coração.
Benditas sejais,
rio fundo sem alarde,
que atravessa nossas noites
e amanhece em toda tarde.

Quando a vida me feriu
com seus dentes de cansaço,
foi teu colo — terra úmida —
me ensinando outro compasso.
Nem sermão, nem profecia,
nem palavra decorada:
só teu jeito de esquecer-se
pra deixar minha alma inteira.

Há um país dentro das mães
que ninguém fotografou:
uma república de afetos
que o mundo ainda não nomeou.
Onde o pão divide a culpa,
onde o medo vira canto,
onde até o desespero
dorme um pouco no acalanto.

Benditas sejais,
mulheres de barro e clarão,
que aprendem o peso exato
de sustentar um coração.
Benditas sejais,
rio fundo sem alarde,
que atravessa nossas noites
e amanhece em toda tarde.

E quando o tempo levar
tuas mãos da minha mesa,
vai ficar no ar da casa
uma espécie de beleza.
Como um café passando lento,
como chuva no quintal,
como Deus andando descalço
pelos cômodos do final.

Benditas...
as mães que ninguém percebe
até faltar sua luz.
Porque amor, às vezes,
é só alguém
carregando o mundo
sem fazer barulho.


Imagem da Frase:



BENDITAS SEJAIS, MAMÃES!

No fundo da panela
o dia principia,
teu silêncio temperando
a fome e a ventania.
A casa era pequena,
mas cabia o mundo inteiro
quando tua voz surgia
feito água em fevereiro.

Teu amor nunca fez festa,
nunca pediu atenção,
era um lampião aceso
na varanda da aflição.
Enquanto o tempo corria
feito bicho assustadiço,
tu bordavas esperança
no avesso do serviço.

Benditas sejais,
mulheres de barro e clarão,
que aprendem o peso exato
de sustentar um coração.
Benditas sejais,
rio fundo sem alarde,
que atravessa nossas noites
e amanhece em toda tarde.

Quando a vida me feriu
com seus dentes de cansaço,
foi teu colo — terra úmida —
me ensinando outro compasso.
Nem sermão, nem profecia,
nem palavra decorada:
só teu jeito de esquecer-se
pra deixar minha alma inteira.

Há um país dentro das mães
que ninguém fotografou:
uma república de afetos
que o mundo ainda não nomeou.
Onde o pão divide a culpa,
onde o medo vira canto,
onde até o desespero
dorme um pouco no acalanto.

Benditas sejais,
mulheres de barro e clarão,
que aprendem o peso exato
de sustentar um coração.
Benditas sejais,
rio fundo sem alarde,
que atravessa nossas noites
e amanhece em toda tarde.

E quando o tempo levar
tuas mãos da minha mesa,
vai ficar no ar da casa
uma espécie de beleza.
Como um café passando lento,
como chuva no quintal,
como Deus andando descalço
pelos cômodos do final.

Benditas...
as mães que ninguém percebe
até faltar sua luz.
Porque amor, às vezes,
é só alguém
carregando o mundo
sem fazer barulho. (Newton Jayme)
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