Frase de Newton Jayme
 | “ BENDITAS SEJAIS, MAMÃES! No fundo da panela o dia principia, teu silêncio temperando a fome e a ventania. A casa era pequena, mas cabia o mundo inteiro quando tua voz surgia feito água em fevereiro. Teu amor nunca fez festa, nunca pediu atenção, era um lampião aceso na varanda da aflição. Enquanto o tempo corria feito bicho assustadiço, tu bordavas esperança no avesso do serviço. Benditas sejais, mulheres de barro e clarão, que aprendem o peso exato de sustentar um coração. Benditas sejais, rio fundo sem alarde, que atravessa nossas noites e amanhece em toda tarde. Quando a vida me feriu com seus dentes de cansaço, foi teu colo — terra úmida — me ensinando outro compasso. Nem sermão, nem profecia, nem palavra decorada: só teu jeito de esquecer-se pra deixar minha alma inteira. Há um país dentro das mães que ninguém fotografou: uma república de afetos que o mundo ainda não nomeou. Onde o pão divide a culpa, onde o medo vira canto, onde até o desespero dorme um pouco no acalanto. Benditas sejais, mulheres de barro e clarão, que aprendem o peso exato de sustentar um coração. Benditas sejais, rio fundo sem alarde, que atravessa nossas noites e amanhece em toda tarde. E quando o tempo levar tuas mãos da minha mesa, vai ficar no ar da casa uma espécie de beleza. Como um café passando lento, como chuva no quintal, como Deus andando descalço pelos cômodos do final. Benditas... as mães que ninguém percebe até faltar sua luz. Porque amor, às vezes, é só alguém carregando o mundo sem fazer barulho.” |
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