Frase de Newton Jayme
 | “ ÀS MÃES Ó mães! — estrelas trêmulas da terra, Ânforas vivas de divina entrega e dor! Quando passa a tormenta sobre os homens, sois vós quem ficais, imóveis, no labor. Há no vosso olhar qualquer coisa de abismo, qualquer coisa de céu depois do mar; como se Deus, cansado de infinito, vos desse os filhos para descansar. Vós tendes mãos de aurora e de batalha. No vosso peito o mundo vai bater. Se o século levanta as suas forcas, sois vós que ensinais a renascer. Mãe! — nome breve como um sino à tarde, mas dentro dele dormem multidões: o pão repartido entre a miséria, o fogo aceso contra os vendavais, e essa coragem muda, essa presença que faz do pranto um campo de trigais. Eu vos contemplo à luz das cozinhas pobres, rainhas sem coroa e sem brasão, curvadas sobre a roupa e sobre os sonhos, lavando o medo do pequeno irmão. Há epopeias no rumor das panelas, há catedrais no barro de vossas mãos. Oh! benditas sejais, mulheres insondáveis, que atravessais a noite sem dormir, guardando o sono frágil das crianças como quem guarda um país por construir. E quando o mundo — velho barco ébrio — rompe os mastros na fúria dos trovões, é vosso amor que fica iluminando as ruínas, os portos, os clarões. Porque mãe não é apenas quem gera: é quem sustenta o sol dentro do peito para que os filhos, mesmo em pleno inverno, não desaprendam nunca o rumo e o leito. Ó mães! — se existe um Deus acima das nuvens, decerto aprende convosco a perdoar... Pois só vós sabeis transformar a carne na mais difícil forma de se domar e amar.” |
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