Frase de Newton Jayme
 | “ Eu sou o mapa sem rota do meu próprio cais, maré que me inventa antes de tocar ninguém, sou o silêncio que aprende a dizer “tudo bem” quando o peito é embarcação sem paz. Carrego em mim um candeeiro sem idade, luz que se acende sem pedir permissão, e descubro que o outro é extensão do que cultivo em minha intensidade. Se eu me derramo em vidro quebrado e dor, como ofereço água sem me ferir? Se eu me perco antes de me construir, que cuidado é esse que se chama amor? Mas quando me rego em chão de presença, quando me escuto sem me abandonar, o mundo inteiro começa a caber no gesto simples de olhar e se doar. O próximo não nasce longe — é espelho em movimento, é rio que aprende a ser ponte no próprio leito, é atmosfera que só conhece o caminho direito quando entende o próprio vento por dentro. E eu descubro, sem pressa e sem dono: amar o outro não é fuga de mim — é quando eu me torno começo e fim da mesma utopia que sonho e me torno. E quando o deserto enfim me decanta inteiro, descubro: o amor não me começa nem me termina — ele me atravessa, me transforma, rio primeiro, que só aprende o mar quando já é nascente e sina: um lugar onde a existência vive tudo o que o tempo ensina.” |
Imagem da Frase:

Mais frases de Newton Jayme

Newton Jayme