Frase de Newton Jayme

Frase adicionada por Newton-Jayme em 17/04/2026


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Eu sou o mapa sem rota do meu próprio cais,
maré que me inventa antes de tocar ninguém,
sou o silêncio que aprende a dizer “tudo bem”
quando o peito é embarcação sem paz.

Carrego em mim um candeeiro sem idade,
luz que se acende sem pedir permissão,
e descubro que o outro é extensão
do que cultivo em minha intensidade.

Se eu me derramo em vidro quebrado e dor,
como ofereço água sem me ferir?
Se eu me perco antes de me construir,
que cuidado é esse que se chama amor?

Mas quando me rego em chão de presença,
quando me escuto sem me abandonar,
o mundo inteiro começa a caber
no gesto simples de olhar e se doar.

O próximo não nasce longe — é espelho em movimento,
é rio que aprende a ser ponte no próprio leito,
é atmosfera que só conhece o caminho direito
quando entende o próprio vento por dentro.

E eu descubro, sem pressa e sem dono:
amar o outro não é fuga de mim —
é quando eu me torno começo e fim
da mesma utopia que sonho e me torno.

E quando o deserto enfim me decanta inteiro,
descubro: o amor não me começa nem me termina —
ele me atravessa, me transforma, rio primeiro,
que só aprende o mar quando já é nascente e sina:
um lugar onde a existência vive tudo o que o tempo ensina. (Newton Jayme)
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