Frase de Newton Jayme
 | “ SOZINHO, MAS NÃO SOLITÁRIO O sal do silêncio tempera meu dia Na pele do vento, teu nome evapora Um sol de dentro me guia e irradia No azul que deságua do agora Sozinho, mas não solitário Sou rio sem pressa encontrando o mar Teu rastro é um canto imaginário Que o meu peito aprende a lembrar Sozinho, mas não solitário Teu cheiro mora no ar que eu respiro É como um canto invisível e vário Que me encontra mesmo quando eu me retiro Sozinho, mas não solitário Teu toque vive na luz do meu olhar Sou ilha banhada de imaginário Mas todo oceano insiste em te chamar A luz do teu gesto ainda me atravessa Feito um perfume que o tempo não quis E a tarde se curva, dourada e dispersa Na curva macia do que nunca fiz Sozinho, mas não solitário Há vida pulsando no que se perdeu Um sopro morno, quase necessário Que insiste em dizer que ficou no meu eu E se o tempo desfaz o caminho Eu refaço em mim tua direção Num instante que foge sozinho Mas se deita na palma da mão Te procuro no vão do silêncio Onde a ausência começa a florir És presença em estado suspenso Quase toque no ar a insistir E eu, feito horizonte tardio Me desfaço pra te revelar No intervalo entre um som e outro É que a gente aprende a ficar Sozinho, mas não solitário Teu cheiro mora no ar que eu respiro É como um canto invisível e vário Que me encontra mesmo quando eu me retiro Sozinho, mas não solitário Teu toque vive na luz do meu olhar Sou ilha banhada de imaginário Mas todo oceano insiste em te chamar E quando a noite me veste de brisa Te sinto em cada constelação És chama tranquila que não cicatriza Mas vira canção na minha mão Sozinho, mas não solitário Inteiro no eco do que não passou Um corpo de sonho, leve e vário Que em mim, de algum modo, ficou.” |
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