Frase de Newton Jayme
 | “ Não me venha desenhar a alma com traço reto, cor sem tom; ela vaza pela pele em brasa quando a dor diz o seu nome em som. É inútil querer medida exata pro que queima sem se ver; há um pulso fora de compasso quando alguém começa a doer. E não há filosofia que encubra o instante cru de quem sentiu; toda teoria se curva quando o grito se abriu. Quem chora sabe o peso do agora, quem grita atravessa o ar; padecer não mora na palavra, mora onde o corpo quer falar. Quem chora rasga o invisível, faz do sal sua direção; não se discute a alma — é a dor que escreve a canção. Tem quem passe em nuvem seca, sem jamais se derramar; mas há olhos que inventam mares quando o mundo vem cobrar. E, no toque da ferida acesa, nasce um idioma sem par; não se aprende em voz alheia, é sentir pra decifrar. Deixa o pranto ser caminho, sem tradução, sem porquê; que o sofrer é um desalinho que só sabe quem viveu. Quem chora sabe o peso do agora, quem grita não quer razão; padecer não cabe em discurso, é carne, é pulso, é chão. Quem chora acende o invisível no escuro do coração; não se discute a alma — é a dor que escreve a canção.” |
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