Frase de Newton Jayme

Frase adicionada por Newton-Jayme em 30/03/2026


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Não me venha desenhar a alma
com traço reto, cor sem tom;
ela vaza pela pele em brasa
quando a dor diz o seu nome em som.

É inútil querer medida exata
pro que queima sem se ver;
há um pulso fora de compasso
quando alguém começa a doer.

E não há filosofia que encubra
o instante cru de quem sentiu;
toda teoria se curva
quando o grito se abriu.

Quem chora sabe o peso do agora,
quem grita atravessa o ar;
padecer não mora na palavra,
mora onde o corpo quer falar.

Quem chora rasga o invisível,
faz do sal sua direção;
não se discute a alma —
é a dor que escreve a canção.

Tem quem passe em nuvem seca,
sem jamais se derramar;
mas há olhos que inventam mares
quando o mundo vem cobrar.

E, no toque da ferida acesa,
nasce um idioma sem par;
não se aprende em voz alheia,
é sentir pra decifrar.

Deixa o pranto ser caminho,
sem tradução, sem porquê;
que o sofrer é um desalinho
que só sabe quem viveu.

Quem chora sabe o peso do agora,
quem grita não quer razão;
padecer não cabe em discurso,
é carne, é pulso, é chão.

Quem chora acende o invisível
no escuro do coração;
não se discute a alma —
é a dor que escreve a canção. (Newton Jayme)
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