Frase de Newton Jayme “
Erguem-se cifras sobre nossas casas, como muros invisíveis que sepultam risos. O pão é contado, o ar é vendido, e cada abraço se mede em lucro. Não há correntes visíveis, mas há fome, medo e noites de frio que marcam corpos cansados, como cicatrizes que o tempo não apaga. Vendem-se sonhos em pacotes, prometem liberdade em contratos, e chamam de progresso o preço que pagamos com silêncio. Mas ouçam! — o chão ainda pulsa, as mãos ainda trabalham, os olhos ainda veem. O riso da criança, a voz do velho, a fome que se transforma em coragem: isso não se vende, não se compra, não se submete. Levantem-se, não como soldados de guerra, mas como quem toca o vento, como quem planta uma árvore no deserto do mercado, uma árvore que cresce, sem dono, que oferece sombra, frutos e flores a quem nunca teve nada além de espera. E se eles dizem que não há outro caminho, responda com a vida inteira que pulsa: há sempre mãos, há sempre braços, há sempre quem não se dobre à lógica do lucro, há sempre o humano — inteiro, obstinado, impossível. ”
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Newton Jayme