Frase de Newton Jayme

Frase adicionada por Newton-Jayme em 19/03/2026


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Quero acalmar meu ser dentro da tua alma,
não como a brisa tímida que roça e vai embora,
mas como o rio exausto que, enfim, se derrama
no peito largo do mar — e ali se demora.

Trago nos passos o pó das longas ausências,
mapas rasgados de rotas que não voltaram,
murmúrios de vozes perdidas nas transparências
das horas que, frias, por mim naufragaram.

Fui feito estrada sem sombra nem destino,
fui feito vela rasgada em vento adverso,
um nome errante, um silêncio peregrino
buscando em vão seu sentido disperso.

Mas eis que em ti se aquieta o meu desvario,
como quem fecha os olhos após a tormenta;
teu olhar — abrigo antigo e tardio —
é chão onde a minha vertigem se assenta.

Não te peço promessas, nem juras de eternidade,
que o tempo é lâmina sutil e traiçoeira;
quero apenas pousar minha humanidade
na tua paz funda, simples, verdadeira.

E se o mundo, feroz, me chamar de volta à queda,
se outra vez me perder nos abismos de mim,
que seja teu ser a luz que me enreda
e me recorda onde enfim me perdi... de fim.

Porque amar-te não é incêndio breve:
é porto aceso na noite que me consome —
é ter, depois de tanto ser quem não se teve,
um lugar onde repousa, inteiro, o meu nome. (Newton Jayme)
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