Frase de Newton Jayme

Frase adicionada por Newton-Jayme em 27/02/2026


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SONETO DO AVESSO

No quarto em desalinho a tarde emudece,
a xícara encardida guarda um resto de hora;
na rua, um coro rouco se entorna e me oferece
um mundo que desanda e outro que me devora.

Há sirenes no asfalto e um rádio que padece
cantando um velho amor que a esquina não decora;
no peito, um passo em falso insiste e não me esquece,
feito dívida antiga que a memória cobra.

Eu varro o pó da sala — ele volta em redemoinho —
como voltam as vozes que jurei deixar no fundo;
ordeno os livros, mas tropeço no caminho.

Lá fora o céu desaba em notícias sobre o mundo,
cá dentro um temporal me arrasta de mansinho,
e chove em cada gesto um medo sem segundo. (Newton Jayme)
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