Frase de Newton Jayme “
Como dar tempo ao tempo — perguntas — se o tempo, severo, não detém a marcha nem consente repouso à própria sombra? Ele não dá: arranca. Não oferta horas: cobra-as. Passa como um tropel invisível sobre a campina do peito. E nós, pobres guardiões do instante, queremos rédeas para o vento, queremos punhos para a água, queremos âncoras no relâmpago. Mas o tempo não é rio manso: é espada fina correndo na carne do mundo, é ave de rapina que não pousa, é clarim que desperta e não explica. Dar tempo ao tempo — não é rendição. É sustentar o pulso enquanto ele fere. É não implorar que cesse, nem fingir que não dói. É saber que a semente trabalha no escuro, que o fruto não responde ao grito, que a aurora não nasce do insulto nem da pressa do homem. Se o tempo não dá tempo a nada, dá-nos, ao menos, transformação. E o que hoje sangra sem medida amanhã terá outra cor no sangue. Assim, não se dá tempo ao tempo — suporta-se. E ao suportá-lo, cresce-se. Porque o tempo, tirano das horas, é também o escultor das almas. ”
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