Frase de Newton Jayme

Frase adicionada por Newton-Jayme em 03/02/2026


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Não te escrevo para que voltes.
Escrevo porque ficaste.

Ficaste nas horas mal resolvidas,
nos gestos que ainda começam por ti,
no reflexo de dizer o teu nome
quando o silêncio aperta demais.

O amor morreu —
não num dia exato,
não com um adeus digno,
mas como morrem as coisas vivas:
aos poucos, cansadas,
pedindo descanso.

Houve um tempo em que éramos casa.
Hoje somos memória com janelas fechadas.
Não dói sempre —
mas quando dói, dói fundo,
como dói aquilo que foi verdadeiro.

Não te guardo raiva.
Guardo respeito.
E um cuidado estranho,
como se ainda fosse preciso
não te magoar.

Sei agora:
alguns amores não acabam,
apenas mudam de lugar.
O teu ficou aqui —
não no futuro,
mas no que me ensinou a ser.

Que descanses onde os amores descansam:
no que fomos capazes de sentir.

Adeus.
Não como quem expulsa,
mas como quem agradece
e solta
o que fica no sentir. (Newton Jayme)
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