Frase de Newton Jayme “
A VIDA, TALVEZ A vida não grita. Ela insiste. Tolstói diria: vive-se para amar, mas o amor não é macio — é um trabalho bruto, como lavrar a terra com as próprias dúvidas. A vida começa quando o eu cansa de si. Quando a vaidade adoece. Quando o luxo perde o gosto e o simples — ah, o simples — passa a doer de tão verdadeiro. Pergunto-me: é possível ser bom sem ferir o próprio orgulho até sangrar? A vida, segundo ele, é esse esforço silencioso de escutar a consciência mesmo quando ela fala baixo e o mundo berra. Não há heróis. Há homens confusos. Mulheres que continuam. Crianças que sabem antes de desaprender. E Deus? Talvez esteja no gesto mínimo, no pão dividido, na recusa da violência que começa dentro do pensamento. Viver é despir-se. De ideias falsas. De desejos herdados. De um eu que quer ser visto. E quando a morte chega — não como fim, mas como pergunta final — ela apenas confirma o que a vida tentou ensinar devagar: que só o amor vivido (e não pensado) tem peso suficiente para atravessar o tempo. E fico aqui, um pouco Tolstói, um pouco perdido, sentindo que viver é esse estranho ato de responsabilidade íntima com tudo o que respira. ”
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