Frase de Newton Jayme
 | “ A cidade nunca respeitou muito o tamanho das coisas. As calçadas são estreitas, os apartamentos também, e as promessas quase sempre vêm maiores do que a vida dá conta. Outro dia pensei nisso vendo um sapato na vitrine. Lindo. Daqueles que fazem a gente imaginar outra pessoa andando por aí — mais elegante, mais segura, talvez mais feliz. Só esquecem de perguntar o número do pé. A gente aprende cedo a aceitar o que não serve. Emprego que aperta, amor que machuca, fé que exige demais. Chamam isso de bênção, de oportunidade, de vontade divina. E a gente vai andando torto, culpado por sentir dor. Mas o Reino dos céus — se existir mesmo — deve ser mais atento que a cidade. Deve saber que graça não humilha o corpo nem exige que a alma se adapte ao impossível. Imagino Deus como quem anda sem pressa pela rua, olhando o passo de cada um. Não oferece o sapato mais bonito da vitrine, mas aquele que permite atravessar a avenida sem mancar. O resto é vitrine. O Reino, não.” |
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