Frase de Newton Jayme

Frase adicionada por Newton-Jayme em 26/01/2026


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SÃO PAULO, 472

São quatrocentos e setenta e dois anos
batendo ponto antes do sol,
a cidade acorda com o café forte 
e um sonho atrasado no bolso do paletó.

Aqui o tempo anda de metrô,
cheio, sem assento,
e a pressa aprende a rezar
no sinal fechado da Consolação.

São Paulo não pede licença,
se empilha em concreto e desejo,
se escreve em grafite e boleto,
se ama com medo, mas ama mesmo assim.

Tem samba escondido no viaduto,
tem verso perdido na Sé,
tem um coração que apanha todo dia
e ainda insiste em bater às seis.

Cidade que ensina a cair de pé,
a rir com o sapato furado,
a fazer do pouco um espetáculo
e do caos um improviso afinado.

Entre o arranha-céu e a padaria,
alguém compõe sua própria canção:
um refrão de luta e esperança
assobiado na contramão.

Sampa, senhora cansada,
menina teimosa,
472 vezes recomeçada
no mesmo dia que nunca termina.

E quem te ama, te ama assim:
sem mapa, sem promessa,
sabendo que, apesar de tudo,
é aqui que o peito tropeça — e fica. (Newton Jayme)
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