Frase de Newton Jayme
 | “ SÃO PAULO, 472 São quatrocentos e setenta e dois anos batendo ponto antes do sol, a cidade acorda com o café forte e um sonho atrasado no bolso do paletó. Aqui o tempo anda de metrô, cheio, sem assento, e a pressa aprende a rezar no sinal fechado da Consolação. São Paulo não pede licença, se empilha em concreto e desejo, se escreve em grafite e boleto, se ama com medo, mas ama mesmo assim. Tem samba escondido no viaduto, tem verso perdido na Sé, tem um coração que apanha todo dia e ainda insiste em bater às seis. Cidade que ensina a cair de pé, a rir com o sapato furado, a fazer do pouco um espetáculo e do caos um improviso afinado. Entre o arranha-céu e a padaria, alguém compõe sua própria canção: um refrão de luta e esperança assobiado na contramão. Sampa, senhora cansada, menina teimosa, 472 vezes recomeçada no mesmo dia que nunca termina. E quem te ama, te ama assim: sem mapa, sem promessa, sabendo que, apesar de tudo, é aqui que o peito tropeça — e fica.” |
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