Frase de Newton Jayme

Frase adicionada por Newton-Jayme em 19/01/2026

Newton Jayme
A Rosa de Jericó
não pede jardim.
Reconhece o deserto
como quem reconhece
o lugar da prova.
Aceita o chão duro,
o tempo recolhido,
a mão que a encontra
sem saber se ainda há sopro
ou apenas pó.

No passado,
foi deixada em casas
como um sinal velado de fé:
a morte nem sempre tem
a última palavra.
As mulheres a guardavam
em caixas simples,
entre panos e orações sem forma,
não para enfeitar,
mas para lembrar que Deus
também trabalha no intervalo.

Ela aprende a arte do Cristo oculto:
não responder de imediato.
Fecha-se.
Encolhe-se em si mesma
como o corpo confiado à terra,
sem defesa,
sem ruído,
entregue ao tempo do Pai.

Então vem a água —
pouca, obediente.
Não um milagre visível,
mas um sinal.
E o corpo que parecia resolvido
no silêncio do sepulcro
cede.
Reabre suas linhas
como quem reconhece a voz
que chama
sem violência.

Por isso falaram em vida eterna.
Não como promessa distante,
mas como presença insistente.
A ressurreição, aqui,
não se anuncia em trombetas:
acontece sempre que algo
entregue à morte
escuta o chamado
e se levanta.

A Rosa de Jericó
não nega a cruz.
Ela passa por ela.
Mostra que viver
é aprender a permanecer fechado
até o terceiro dia do mundo,
quando a água certa
toca o lugar ferido
e o faz abrir.

E quando se abre,
não pede testemunhas.
Apenas cumpre a promessa.
Renovada,
como quem saiu do túmulo
sem levar a morte consigo,
lembra ao mundo
que recomeçar
é a forma mais silenciosa
de vencer o luto em glória.


Imagem da Frase:



A Rosa de Jericó
não pede jardim.
Reconhece o deserto
como quem reconhece
o lugar da prova.
Aceita o chão duro,
o tempo recolhido,
a mão que a encontra
sem saber se ainda há sopro
ou apenas pó.

No passado,
foi deixada em casas
como um sinal velado de fé:
a morte nem sempre tem
a última palavra.
As mulheres a guardavam 
em caixas simples,
entre panos e orações sem forma,
não para enfeitar,
mas para lembrar que Deus
também trabalha no intervalo.

Ela aprende a arte do Cristo oculto:
não responder de imediato.
Fecha-se.
Encolhe-se em si mesma
como o corpo confiado à terra,
sem defesa,
sem ruído,
entregue ao tempo do Pai.

Então vem a água —
pouca, obediente.
Não um milagre visível,
mas um sinal.
E o corpo que parecia resolvido
no silêncio do sepulcro
cede.
Reabre suas linhas
como quem reconhece a voz
que chama
sem violência.

Por isso falaram em vida eterna.
Não como promessa distante,
mas como presença insistente.
A ressurreição, aqui,
não se anuncia em trombetas:
acontece sempre que algo
entregue à morte
escuta o chamado
e se levanta.

A Rosa de Jericó
não nega a cruz.
Ela passa por ela.
Mostra que viver
é aprender a permanecer fechado
até o terceiro dia do mundo,
quando a água certa
toca o lugar ferido
e o faz abrir.

E quando se abre,
não pede testemunhas.
Apenas cumpre a promessa.
Renovada,
como quem saiu do túmulo
sem levar a morte consigo,
lembra ao mundo
que recomeçar
é a forma mais silenciosa
de vencer o luto em glória. (Newton Jayme)
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