Frase de Newton Jayme
 | “ A Rosa de Jericó não pede jardim. Reconhece o deserto como quem reconhece o lugar da prova. Aceita o chão duro, o tempo recolhido, a mão que a encontra sem saber se ainda há sopro ou apenas pó. No passado, foi deixada em casas como um sinal velado de fé: a morte nem sempre tem a última palavra. As mulheres a guardavam em caixas simples, entre panos e orações sem forma, não para enfeitar, mas para lembrar que Deus também trabalha no intervalo. Ela aprende a arte do Cristo oculto: não responder de imediato. Fecha-se. Encolhe-se em si mesma como o corpo confiado à terra, sem defesa, sem ruído, entregue ao tempo do Pai. Então vem a água — pouca, obediente. Não um milagre visível, mas um sinal. E o corpo que parecia resolvido no silêncio do sepulcro cede. Reabre suas linhas como quem reconhece a voz que chama sem violência. Por isso falaram em vida eterna. Não como promessa distante, mas como presença insistente. A ressurreição, aqui, não se anuncia em trombetas: acontece sempre que algo entregue à morte escuta o chamado e se levanta. A Rosa de Jericó não nega a cruz. Ela passa por ela. Mostra que viver é aprender a permanecer fechado até o terceiro dia do mundo, quando a água certa toca o lugar ferido e o faz abrir. E quando se abre, não pede testemunhas. Apenas cumpre a promessa. Renovada, como quem saiu do túmulo sem levar a morte consigo, lembra ao mundo que recomeçar é a forma mais silenciosa de vencer o luto em glória.” |
Imagem da Frase:

Mais frases de Newton Jayme

Newton Jayme