Frase de Newton Jayme
 | “ É certo que toda escuridão carrega em si o ventre da luz, Que a morte deixa entreaberta a porta do infinito, E o presente, meio sonolento, surge do passado, Enquanto o tempo escapa, fugitivo, pela fresta da eternidade. Cada dificuldade entoa um hino que aprendemos a ouvir, E o silêncio transforma-se em conversa antiga, Daquelas que ninguém lembra ao certo, Mas que persistem, teimosas, dentro da alma. Não há aurora que anuncie promessas, Só ruas encharcadas pela chuva, Passos apressados que ninguém acompanha, E a vida segue assim, insolente, sem pedir licença, Entre gestos que chegam e outros que se dissolvem como espuma. O rádio geme uma canção incompreensível, Mas insiste, tenaz, em permanecer, E a janela aberta deixa entrar o cheiro da cidade molhada, Enquanto o mundo cochila e desperta, simultâneo e confuso. Sentamo-nos, observamos, Tentamos dar sentido aos cantos e becos, Aos encontros que se desfazem antes de nascer, Aos olhos que fogem aos nossos, E às mãos que, mesmo vazias, parecem aprisionar o nada. A noite chega, sem pressa, imponente, Com o gesto sombrio de lembrar que nada termina, Mas que tudo persiste, de algum modo, Entre uma rua deserta, um silêncio que pesa, E um coração que teima em bater — Como se quisesse aprisionar o mundo inteiro dentro de si, Para nunca morrer.” |
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