Frase de Newton Jayme “
CANTO.DA SAUDADE LIVRE Há uma saudade em mim que não se ajoelha, ergue-se em brado, como o mar em tormenta; não chora apenas — clama, incendeia, é dor que sente e, sentindo, enfrenta. Não é saudade mansa, de tarde morna, é ave ferida que insiste em voar; bate nas grades do tempo que entorna passados vivos no peito a sangrar. Oh memória! — não sejas carrasco do agora, nem chicote a rasgar-me a emoção. Se foste lágrima, sê aurora, se foste ausência, vira canção. Porque o amor que foi grande não cabe na cova, não aceita o silêncio por fim; transforma a perda em chama nova e faz da saudade um grito sem fim. E se dói — que doa! — mas doa erguido, como doeu o mundo ao nascer. Toda ferida que gera sentido é ventre aberto aprendendo a viver. Assim, nostalgia, não sejas prisão: sê memória que ensina a lutar. Que o ontem acenda o amanhã na mão e me empurre, vivo, a mw libertar e continuar. ”
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Newton Jayme