Frase de Newton Jayme

Frase adicionada por Newton-Jayme em 17/09/2025


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Ó Ipê-rosa! Tu que, tímido, despontas,
Chegando aos poucos, como um sopro no ar,
Teu véu carmim incendia a alvorada
E acende no peito a vontade de amar.

Ipê-branco, flor de calma e de promessa,
Tua alvura rompe o cimento cansado —
Na esquina muda, és gesto inesperado,
Um silêncio que consola e recomeça.

Ipê-roxo! Ó lira de sombra e lamento,
Teu florir é um canto que a dor transfigura!
Num suspiro roxo, o tempo faz-se alento,
E a cidade se cala ante a tua formosura.

E eis o amarelo — sol em rebentação —,
Chega inteiro, como um grito de alegria,
Estampa a terra com sua total euforia,
Convoca à vida com força e ressurreição!

No vão dos dias, entre barulhos e fumaça,
Quatro cores brotam — bandeira sem costura —
É o canto das árvores na pele dura,
O passo vivo que o tempo não desfaça!

No pulso da terra, o tempo se revela,
Em ramos que rompem o muro e as estações,
São o samba das flores, a voz verdadeira,
E a dança eterna de nossas renovações! (Newton Jayme)
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